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Thaís
Bulhões
Brasil
vivendo em Recife . PE
26 anos . artista

Sou formada em Geografia Licenciatura pela Universidade Federal de Pernambuco e faço mestrado em Arquitetura na área de intervenções urbanas. Não me sentia bem ao imaginar meu futuro pensando na vida acadêmica, sempre gostei de Arte Urbana, mas algo interno e fora de mim, como as relações familiares, limitava esse desejo e me fazia pensar que isso era “coisa pra gente criativa” e eu tinha a concepção de não ser contemplada nessa esfera. No entanto, conheci a Tape Art através de leituras há dez meses e me apaixonei pela expressão artística que chegou recentemente ao Brasil. Hoje utilizo as fitas como uma forma de extensão do meu corpo e sou feliz no presente com o que faço, pensar no futuro é excitante porque quero aprimorar minhas técnicas, me esforçar para utilizar as intervenções urbanas como meio de gerar reflexões e sentimentos subjetivos, unir educação e arte para transformar realidades.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Basicamente fitas isolantes que podem ser coloridas ou pretas, tesoura e estilete, às vezes régua mas prefiro a fluidez da mão.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A maior motivação é a reação de quem vê o resultado. Receber uma expressão de “UAUUU” é viciante. A inspiração muitas vezes vem do silêncio, do mergulho na introspecção, meditação e o encontro com esse infinito é poder encontrar a fonte da qual preciso, sem esquecer da música que é muito importante também.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

O processo de criação vem como que por instinto, surge no inconsciente e a intuição que sinto expresso nas fitas em forma de ondulações ou geometrias. Quando um cliente me procura e traz algumas identificações pessoais do que deseja eu busco sempre conversar e conhecer um pouco da sua história pessoal, com informações dessa natureza eu procuro criar algo voltado a significação que pode contemplar a realidade dele.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Penso em resolução de problemas ao meu redor, exercito a visualização de ações simples do cotidiano em aprendizados para minha vida, converso com pessoas que não conheço, leio temas que não são necessariamente da minha área e isso também inclui músicas, busco meditar todos os dias e periodicamente visito lugares que sejam mais distantes da rotina urbana.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Uma sereia que fiz em fitas para uma mulher forte que admiro muito. Ela desejava um desenho que representasse o poder feminino e juntas dialogamos sobre essa representação que exigiu estudo e busca conceitual mas sobretudo empatia, para mim foi muito importante. A expressão dela ao visualizar o trabalho foi realmente inesquecível.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Todos os desenhos que faço são importantes para mim de alguma maneira eles sempre me acrescentam e se tornam combustível pro que faço, mas algo que considero ser um gatilho extremamente positivo foi um amigo reconhecer essa potencialidade em mim que eu não acreditava existir. Fiz um desenho na casa dele e dessa forma com muita admiração e surpresa ele me cativou em sorrisos com o resultado, foi bem importante esse reconhecimento, eu pude a partir desse momento desenvolver mais trabalhos e acreditar nessa direção, não como finalidade única mas algo que viria a me acrescentar muito e me encher de brilho nos olhos.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

O urbano, as intervenções que surgem a partir dele e nele. Acredito que criatividade e autoconhecimento andam juntos e quem eu ando acompanhando como inspiração, além de outras considero curadores pra mim, é o Murilo Gun e sua trajetória trabalhando com o curso de reciclagem criativa. O reflexo desse conteúdo no meu trabalho é a possibilidade de sair da caixinha que construí no processo escolar de respostas prontas e algo que não pudesse fugir do padrão de respostas como não ter a possibilidade de desenhar um mar rosa ou um céu amarelo. Busco exercitar pensamentos que não sigam padrões pré-definidos e encontrar métodos que funcionem para mim. Ter talento é importante, mas desprender esforço para aprimorar as técnicas é crucial nessa trajetória até mais importante que o talento eu diria.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Acredito que sim, principalmente se for algo relacionado a nudez. Ainda não vivenciei isso no meu trabalho, mas já ouvi comentários que nada tinham em relação ao desempenho profissional da mulher mas criticavam seu modo de se vestir.

// E o que te faz feliz?

Vou elencar algo que estou desenvolvendo e no momento é uma das ações que me torna muito feliz. Acreditar na arte como potencial da educação e executar essa possibilidade através do meu trabalho com a Tape Art.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Buscarem a fonte de criatividade em si mesmas sem dependência de agentes externos. Pensar na possibilidade de utilizarem suas formas de expressão a se unirem com a educação e assim contribuírem na perspectiva de outras pessoas.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim, um projeto a ser desenvolvido com crianças em situação de vulnerabilidade. Irei levar um pouco de “vFiTdA” as escolas e unir a minha experiência com a deles em pinturas que utilizam as fitas como forma de elaborar e dar vida a um desenho ou ideias abstratas.

Thaís Bulhões por Projeto Curadoria
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