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Paty
Wolff
Brasil
vivendo em Cuiabá . MT
artista visual

Me chamo Patrícia, mas prefiro que me chamem de Paty, soa mais leve e mais intimista. Gosto e faço arte desde que me entendo por gente. Os caminhos da vida me levaram a me formar em Geografia e fazer mestrado nessa área. Mas, em 2015, no final do mestrado, em uma crise existencial canalizei toda minha energia para as Artes. Comecei a criar muito, a pintar, a desenhar, a modelar e esculpir argila, a explorar materiais e suportes artísticos. Participei de ateliês abertos e fui sendo convidada para exposições coletivas. Nesse processo vi a arte como ofício, me vi artista visual.

Paty Wolff por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Gosto de trocar conversas, de ouvir, de falar. Mas, tem momentos que as ideias saem da cabeça pela pintura, por um desenho, em uma peça de cerâmica ou na escrita de uma história ou conto.

Paty Wolff por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Argumento, provoco, pergunto, respondo através de minhas criações. Como é uma conversa, é troca. Espero afetar os outros, e então virar um papo, uma conversa, uma troca. O mundo de possibilidades e infinidades de afetos pelas criações me motiva.

// Como é o seu processo criativo?

Busco fluidez e intuição, mas minhas obras são atravessadas de memórias coletivas e individuais. Na pintura, na cerâmica ou na escrita represento personagens e histórias que vivi, ouvi e/ou que imagino. São imagens mentais do “vivido, percebido e concebido” (Lefebvre, Henri), atravessadas por imagens de fotografias que garimpo para compor as criações.

Paty Wolff por Projeto Curadoria
Paty Wolff por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Nos últimos 365 dias, aprendendo a ser mãe. Meu pequeno Léo fez um ano em setembro, então estou aqui, aprendendo com ele a olhar de novo, de novo e de novo para algo, e ver novidades todos os dias em um mesmo objeto. Como seguimos o isolamento social, tento oxigenar as ideias lendo, assistindo e me alimentando de criações de outros artistas.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Em 2017 comecei a desenvolver o projeto “Periferia Potência” em parceria com a artista Gilda Portella, levando exposições com obras nossas e de outras artistas convidadas para escolas públicas, praças e outros espaços em bairros periféricos da região metropolitana de Cuiabá. Durante as exposições realizamos oficinas de criação e produção artística com crianças, adolescentes e jovens. Retomaríamos esse ano, contudo veio a pandemia. O projeto promove e visibiliza outros espaços de produção e exposição de artes, outrora centralizado em museus e/ou galerias nas “regiões centrais” da cidade, em um processo de democratização do acesso aos aparelhos culturais e do fazer artístico. Acreditamos na Arte e na educação pela Arte como caminho para emancipação social, cultural e econômica.

Paty Wolff por Projeto Curadoria
Paty Wolff por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Voltar na periferia em que cresci com este projeto, na escola onde estudei, formada, levando exposições e oficinas de artes foi uma alegria muito grande. Visibilizar e fomentar artistas entre crianças e jovens da periferia é um caminho que quero seguir em minha trajetória.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Ouço músicas, leio a letra dessas músicas, continuo a leitura de um livro onde parei (paro muitas vezes) ou assisto um filme até um choro interromper (risos), leio um quadrinho, vejo pinturas e fotografias. Converso, pergunto, analiso e medito com muitas criações de artistas, alguns que papeio sempre são: Rosana Paulino, Marcela Cantuária, Njideka Crosby, Bisa Butler, Arjan Martins, No Martins, Prince Gyasi, Carolina Maria de Jesus e Jarid Arraes.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

A mulher é tolhida em tudo pelo “patriarcado e machismo nosso de cada dia”, robustecido pelo racismo, as mulheres pretas sofrem mais ainda. Transgredir as fronteiras e limites que nos é dado é luta diária.

Paty Wolff por Projeto Curadoria
Paty Wolff por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Esticar o pescoço para além da tela sendo pintada ou da tela do computador e me deparar com o riso ou com Léo brincando e crescendo com muita saúde tem deixado meu coração quentinho.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Se cuidem mentalmente e fisicamente, o autocuidado e o bem viver nos potencializa.

Paty Wolff por Projeto Curadoria
// A pandemia que estamos enfrentando em 2020 afetou de alguma forma a sua produção?

Vivo o momento casulo desde meu puerpério. A pandemia trouxe tristeza e melancolia pelas vidas que ainda perdemos todos os dias e o medo. Mas, nestes meses de ficar todo o tempo em casa e não receber visitas trouxe inquietações, estas encheram minhas paredes de pinturas e meu notebook de arquivos “texto em construção”.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim! Na pintura tenho gestado um projeto a partir de fotografias e relatos de pessoas sobre um tema que ainda estou a definir. Na escrita, tenho me dedicado a fazer as ilustrações do meu primeiro livro “Como pássaros no céu de Aruanda”, premiado na categoria de escritora revelação no Edital Estevão de Mendonça de Literatura Matogrossense 2020.

Paty Wolff por Projeto Curadoria
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