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Natália
Dias
Brasil
vivendo em Vila Velha . ES
24 anos . ilustradora

Sou carioca, mas me mudei para o Espírito Santo quando era bebê por causa do trabalho do meu pai. Cresci aqui e sempre fui “a menina que desenha” da sala, além de ser extremamente tímida. Quando eu tinha uns 12 anos fiz uma amiga que também desenhava e ela me mostrou alguns sites na internet onde eu poderia compartilhar meus desenhos, como o Deviantart, e à partir desse momento que eu comecei a receber feedbacks um pouco mais construtivos e a querer melhorar como artista, além de perder um pouco a vergonha de mostrar meus desenhos para os outros.

Acabou que fiz faculdade de História porque também gostava da matéria, mas nunca abandonei completamente o desenho (apesar de ficar com menos tempo para ele). Mais ou menos na mesma época em que eu terminei a faculdade eu criei uma conta no Instagram, pois eu percebi que o Deviantart não estava mais dando o retorno que eu gostaria. Logo depois eu iniciei o Mestrado em História e quando eu já tinha quase um ano de curso que a minha conta no Instagram começou a bombar e eu passei a receber cada vez mais propostas de encomendas, o que me fez perceber que a História realmente não era o único caminho que estava aberto para mim. Depois que eu defender minha dissertação (2019/1), pretendo procurar um emprego e também focar mais nas minhas ilustrações já que eu não tenho tanto tempo para isso durante o mestrado.

Natália Dias por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Eu prefiro desenhar no papel mesmo com lápis ou lapiseira e pintar digitalmente, pois até hoje não me acostumei muito bem a desenhar direto no computador.

Natália Dias por Projeto Curadoria
Natália Dias por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Acho que eu gosto de ver o feedback que as minhas ilustrações podem trazer, e também fico feliz quando algumas pessoas comentam que eu as inspiro de alguma forma. Fico motivada para seguir em frente e tentar ser melhor como artista e como pessoa, pois ao me tornar uma figura de certa influência acho que eu carrego também uma certa quantidade de responsabilidade social com as pessoas que me veem como alguém importante de alguma forma para elas.

Sobre minhas inspirações, eu sigo muitos artistas no Instagram que me inspiram com poses, cores, cabelos e estilos diferentes. De vez em quando também vou explorar o Pinterest aleatoriamente para formar uma pasta de inspiração que eu posso consultar quando precisar.

Natália Dias por Projeto Curadoria
Natália Dias por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Primeiramente, eu tenho uma ideia e tento passa-la para o papel em forma de rascunho, um bem feio e desajeitado que chamo de “esboço da ideia”. Depois tento refinar o traço já colocando uma anatomia mais certa, perspectiva, etc. Como prefiro colorir digitalmente, eu passo o desenho para o computador e começo a testar várias paletas de cores até achar uma que me agrade, e depois disso é só partir pro abraço.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Como faço mestrado, muita coisa do meu cotidiano tem a ver com ele e envolve muita leitura e pesquisa. Acho que a leitura estimula a imaginação, e também leio livros que não estão relacionados aos estudos. Além disso, consumo o conteúdo de vários artistas principalmente no Instagram e jogo vídeo games. Creio que tudo isso forme um conjunto que acaba me impulsionando a desenhar de alguma forma.

Natália Dias por Projeto Curadoria
Natália Dias por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Ainda não criei nenhum projeto sozinha porque não tive tempo para me concentrar nisso, mas este ano eu fiz parte de um coletivo de artistas mulheres chamado Kiwi Anônimo e nós criamos um Artbook chamado “Pistillia” sobre mulheres guerreiras e que foi financiado através do Catarse em 2018. Foi a primeira vez que participei de algo assim e fiquei feliz de ter conseguido fazer a minha parte.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho que a minha carreira ainda está em fase de gestação, mas o fato de eu ter conseguido uma base boa de seguidores no Instagram começou a abrir certas portas para mim que eu nem sabia que existia.

Natália Dias por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Quando eu era mais nova eu gostava muito do traço do mangaká Tite Kubo e passei a imitá-lo deliberadamente, mas foi a partir disso que comecei a desenvolver meu próprio estilo. Na internet achei as artistas Magda (@meago no Deviantart ou @meagolicious no Instagram) e Lois van Baarle (@Loish no Deviantart ou @Loisvb no Instagram) que me causaram grande impacto por fazerem desenhos que eu achei tão bonitos e, na época do Deviantart, eu mal tinha começado a entrar no mundo da arte digital. Acho que eu tentei colocar mais cores e mais fluidez aos meus desenhos depois de conhecê-las.

Natália Dias por Projeto Curadoria
Natália Dias por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Eu nunca me “aventurei” a fazer algo que seja muito polêmico, então ainda não experienciei qualquer tipo de preconceito em relação à minha forma de expressão. O que eu senti um pouco em experiências pessoais é que os artistas homens “esnobam” um pouco as mulheres e normalmente tem como objetos de inspiração apenas ou principalmente homens, salvo raras exceções. Claro que eu não posso generalizar e dizer que são todos assim, mas foi o que eu senti.

// E o que te faz feliz?

Acho que a partir das minhas ilustrações da para perceber que o que eu gosto de desenhar são “meninas bonitas”, mas na verdade são principalmente os cabelos. Eu gosto de fazê-los com fluidez e movimento pois, mesmo que seja um desenho parado, a fluidez dá movimento a ele. E desenhar o que eu gosto me faz feliz.

Eu também gosto de sair com meus amigos, ficar com meu namorado, ver filmes, ler e escrever.

Natália Dias por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Todo mundo tem sempre que melhorar alguma coisa, não importa o nível artístico ou a técnica. Sempre há espaço para se desenvolver, então creio que o estudo e a prática constantes são essenciais para fazermos criações cada vez melhores, criando mais chances de chamar atenção.

Sob a ótica de potencializar o seu reconhecimento na internet, em redes sociais também é necessário que haja uma regularidade constante de postagens de pelo menos a cada dois ou três dias, pois senão o algoritmo te coloca lá pra baixo. Fazendo isso, focando em um determinado público-alvo e usando as hashtags certas, é mais provável que o seu trabalho alcance as pessoas certas, mas também tem que contar com um pouco de sorte.

Esse processo nem sempre acontece rápido, principalmente no começo. Eu levei um ano e meio para alcançar 1000 seguidores e acredito que um ano e meio depois alcançarei os 100.000. Assim, também é preciso paciência. Não apresse seu trabalho só porque ele não tem os resultados esperados no momento, foque em se desenvolver e no que você gosta de fazer que uma hora o resultado virá.

Natália Dias por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Como vou terminar o mestrado em 2019, pretendo tentar planejar um Artbook sozinha com rascunhos, tutoriais, desenhos finalizados e etc, mas ainda é um “esboço da ideia”.

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