m
Limão
Brasil
vivendo em Rio de Janeiro . RJ
27 anos . artista

Sou carioca, professora, escritora e artista formada em Belas Artes pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Sou incapaz de escrever um parágrafo confiante de apresentação porque sempre acho que tudo sobre mim é irrelevante. Não em uma perspectiva depreciativa, mas num desejo de que o que eu faço fale mais alto do que o que eu sou.

Limão por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Depende muito do que eu quero fazer ou do que eu estou sentindo com o processo. Gosto de arte digital pela praticidade da coisa, mas se não me envolvo constantemente com o processo de um modo mais tradicional, fico me sentindo vazia. Gosto de mexer com tinta. Gosto de papel! Se fosse elencar, acho que tinta pva é meu material favorito. Goache, Aquarela, acrílica também. Só tinta à óleo que não me desce muito bem.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Sempre fui apaixonada por histórias, do tipo de criança que lê tudo pela frente e essa paixão sempre me fez amar literatura e cinema. Trago muito disso na minha arte. Essa paixão por criar histórias pra cada um dos personagens que faço. Aí conforme fui crescendo fui notando que não tinha muita gente como eu nas histórias que eu gostava e isso as vezes me deixava triste. É solitário não se ver nas coisas e demorou para eu aprender que se eu não achava, talvez fosse hora de criar eu mesma.

Limão por Projeto Curadoria
Limão por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Eu costumo dizer que meu processo criativo é como uma gestação. É longo e muitas vezes desconfortável. É uma inquietação dentro do corpo todo e quando a ideia tá pronta pra sair, é como se fosse um parto: tudo entra em ebulição dentro de mim e algumas vezes fisicamente dói pra por as coisas na sua forma final. Mas depois há aquela alegria. É como se um mar de calma me inundasse. Soa um pouco letárgico, né?

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Eu gosto de bisbilhotar o processo artístico dos artistas que sigo. Sou apaixonada e viciada em querer saber do processo dos outros. Além disso amo ler e ouvir músicas. E assistir filmes, especialmente animações, e como trabalho escrevendo crítica de cinema de animação, acabo sempre em contato com isso. É bom, porque mantenho o cérebro sempre regado, mas as vezes é cansativo porque uma hora parece que literalmente todo mundo está fazendo algo menos eu.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Tenho muito carinho pelo livro que fiz como meu projeto de TCC, em 2017, intitulado de “Volte para a casa” porque conta a história de uma das minhas personagens favoritas, que é a Trix. Também tenho um amor especial pela minha tríade “No Evil” e pelas séries de “Palette Creatures” e minhas sereias do “Mermay” de 2018. Meus trabalhos preferidos sempre acabam sendo aqueles aonde posso inserir elementos fantásticos e brincar com o real.

Limão por Projeto Curadoria
Limão por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Em 2015 participei do projeto “Afrografiteiras” da rede Nami e acredito que não conseguiria evoluir tanto em tão pouco tempo se não fossem as pessoas incríveis que conheci lá dentro. Nesse mesmo ano terminamos o curso com uma exposição numa galeria no centro do Rio de Janeiro e consegui vender todas as minhas obras. Pra mim isso foi imenso porque até aquele dia eu não me considerava realmente artista, por mais que amasse o fazer arte. Ter aquela validação de que alguém, em algum lugar, estava disposto a pagar por algo que eu tinha feito me fez até chorar. É uma memória que tenho guardada com carinho.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Minha maior inspiração é a Loish, sem dúvida. Tenho um carinho muito grande pelas artes dela porque lembro de vê-las quando ainda era muito pequena e querer desenhar igual a ela. Conheci Mucha muito depois e acabei me apaixonando também por ele. Amo Art Nouveau e essas figuras que “parecem naturalmente posar para a câmera”. E amo Bosch. Sou apaixonada pelo “Jardim das delícias terrenas” e todo esse turbilhão de cores, figuras e histórias que acontecem concomitantemente no tríptico, essa fusão de real e letargia mitológica que ele consegue fundir tão naturalmente na imagem. Gosto dessa misturada e é isso que sempre tento trazer não só para as minhas imagens quanto para as minhas histórias.

Limão por Projeto Curadoria
Limão por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

No meu trabalho, em geral, eu não sinto. Ou talvez já esteja tão calejada que não me importo. Sempre fui muito teimosa e cheia de opinião, sabe? Sei ser um doce de pessoa quando quero, mas sei exigir meu lugar e reconheço que muito disso é por ter sido criada numa família de classe média. Hoje em dia eu me cerco sempre de mulheres que são maravilhosas demais, então acaba que me sinto mais protegida e mais forte pra lidar com as coisas, mas o mundo é brabo pra quem é mulher, né? Se a gente fica junto, a gente luta melhor.

// E o que te faz feliz?

Meus animais. E minha mãe. E minhas amigas. E as memórias das coisas boas que ficaram pelo caminho.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Faça. É mais simples do que pensa e mais complicado do que eu posso imaginar, mas faça. Daqui à um ano você pode até achar ruim, mas você só vai melhorar se você treinar. Então faça.

Limão por Projeto Curadoria
Limão por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Atualmente estou participando do Coletivo Gaia, estou adaptando meu projeto de TCC para sair como história em quadrinhos e tenho alguns zines no forno. Tirando isso, sigo como colunista de animação no site Cinema ATM.

COMPARTILHE
b
//+entrevistas