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Lela
Brandão
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
24 anos . ilustradora

Capricorniana com ascentente em libra, filha mais nova, arquiteta em formação, paulistana em relação de amor e ódio com a cidade, sonho em conhecer o mundo inteiro e apaixonada por qualquer forma de expressão da existência feminina nesse mundão maravilhoso.

Minha forma de existência no mundo é através da arte, viajo entre estilos e plataformas conforme vou crescendo e aprendendo mais sobre o mundo e sobre mim.

Lela Brandão por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Atualmente trabalho com desenho em paredes internas, com canetões de tinta a óleo ou acrílica, e ilustrações digitais, com tablet e Photoshop, além dos lambe-lambes nas ruas e às vezes me arrisco em telas também.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Sinto que o que mais me inspira é inspirar outras mulheres. Minha motivação é marcar presença como mulher no mundo artístico, ocupar esse espaço e a partir disso gerar uma certa representatividade feminina sendo mulher e criando sobre e para mulheres. Pessoalmente, sinto que existo em minha forma mais genuína quando estou produzindo, sei disso porque perco a noção do tempo todas as vezes que estou em um processo artístico.

// Como é o seu processo criativo?

Existe uma conversa prévia com o cliente para entender qual a transformação que ele almeja com a arte em questão. A partir dessa troca, eu observo o lugar, a energia e as proporções, e busco, por meio de todos esses fatores, uma nova harmonia criada a partir do pequeno caos que eu trago com o meu desenho.

Lela Brandão por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Acho que o mais importante pra mim é não me perder nos compromissos da vida e sempre arranjar tempo na rotina pra simplesmente ser e escutar as minhas vontades. Hoje em dia eu tenho o privilégio de poder fazer meus horários de trabalho, e isso me permite criar brechas para, em meio ao ritmo caótico da rotina em São Paulo, realmente viver e me sentir viva. Tenho o privilégio de poder não abrir mão da terapia de toda semana, da yoga, da meditação. Esse momento de silêncio na mente é, pra mim, o espaço onde a criatividade floresce. Isso é muito ligado ao autoconhecimento também.

Lela Brandão por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Meus trabalhos preferidos em parede, ultimamente, tem sido os florais. Sinto que quando me entrego pra representação da natureza, algo de divino se manifesta em mim enquanto busco o equilíbrio dos elementos da arte. Sinto paz, e por isso têm sido meus preferidos, não só pelo resultado mas pelo que sinto no processo.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Bom, trabalho com arte há apenas 4 anos e posso dizer que a carreira já teve algumas reviravoltas! A primeira foi quando decidi abandonar meu estágio formal em arquitetura para me dedicar à arte. Isso influenciou imensamente a forma como eu via meu trabalho: antes era um hobby, depois, uma prioridade. Tive que aprender a empreender (ainda estou aprendendo hahaha) na marra, começar a levar mais a sério meus processos e aprender a respeitar meu tempo, equilibrar a demanda com saúde mental e tudo mais.

O segundo maior marco foi, com certeza, quando resolvi assumir meu nome nas redes sociais. Até o começo desse ano, eu trabalhava sob o nome de Frida Feminista, e finalmente decidi que era hora de assumir meus posicionamentos e falar com propriedade de quem eu sou. Foi muito difícil, pela exposição e pela coragem de mostrar minha realidade de uma forma mais humana, mas tenho certeza que foi o caminho mais coerente a escolher.

Lela Brandão por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim. Muitas vezes sinto que passa despercebido para a maioria das mulheres porque, infelizmente, estamos acostumadas. Ser artista é ser questionado pela sociedade por não seguir o roteiro. Ser mulher artista é ser constantemente subestimada, é entregar seu cartão profissional e receber uma ligação com segundas intenções, é ouvir o tempo todo “nossa, foi você que fez isso?”, é trabalhar de fone pra evitar cantadas, é ter seu ponto de vista invariavelmente questionado, é nunca saber se um homem gostou do seu trabalho ou de você. É saber de tudo isso e continuar produzindo e acreditando no seu trabalho. Nunca deixei que o machismo travasse meu trabalho!

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Com certeza a maior influência pra mim é (pode me chamar de clichê): Frida. Por ser mulher, por ser latino americana, por representar sua realidade nua e crua, por propor uma união entre suas mulheres contemporâneas, e também por me enxergar em sua monocelha na minha infância.

Lela Brandão por Projeto Curadoria
Lela Brandão por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Viajar, acordar sem despertador, desenhar, ambientes com muita luz natural, realizar minhas metas, sentir que minha existência ajuda outras pessoas, conhecer lugares novos e aprender.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Acreditem no seu potencial, tenham coragem de criar e expor seus trabalhos, conversem com mulheres que já estiveram no seu lugar. Você não precisa fazer tudo sozinha.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Muitos! Cada dia me preencho um pouco mais profundamente com coisas que fazem parte da minha realidade: ser mulher, arte, cidade... E tenho um anseio grande em mim de compartilhar o que sei e o que penso. Por isso, em breve, meu canal no Youtube vai entrar no ar, e eu vou participar de um Podcast muito massa que une todos esses temas. Além disso, vou embarcar no meu trabalho de graduação que será sobre mulheres na arte de rua. Coisas boas estão por vir!

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