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Gi
Archanjo
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
artista

Eu demorei algum tempo para me assumir como Artista Visual e também como Professora de Artes. Por um tempo tive medo da Arte, sou formada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, escolhi esse curso porque não tive coragem de com 17 anos escolher Artes. Tinha medo de não conseguir me manter, tinha medo de como seria. No fim, trabalhei pouco tempo com Publicidade e decidi que seguiria meu coração e faria a faculdade de Artes que era o sonho de uma vida. Desenhava desde pequena, no desenho conseguia me encontrar. Sempre fui melancólica, desenhar me ajudava a ser mais feliz e podia ser eu mesma, sem me sentir culpada por não ser tão feliz quanto as outras pessoas esperavam que eu fosse. Fiz a faculdade e comecei a dar aulas. Foi bem difícil, mas dar aulas me ajudou no meu processo criativo, é como se uma coisa complementasse a outra. Eu digo que não seria professora de outra disciplina, sendo professora de artes eu consigo falar do assunto que mais gosto, isso me ajuda com a minha timidez, na sala de aula tenho que me testar o tempo todo, tenho que estudar sempre mais.

Hoje tenho orgulho de dizer que sou Artista Visual e Professora de Artes. Concilio as aulas de artes com o meu trabalho como artista visual, recebo encomendas para fazer paredes, telas, ilustrações, enfim, meu trabalho tem ganhado mais força com o passar do tempo. É um processo de crescimento.

Gi Archanjo por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Desenhos, pinturas em aquarela, acrílica, gosto de experimentar suportes e materiais, gosto de escrever também.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A vida, a morte. Criar é uma necessidade, sinto que não tenho muito controle sobre isso. Estou o tempo todo pensando, imaginando, criando e são tantas as inspirações! Quando estou triste, a tristeza me inspira, quando estou feliz, a alegria me faz querer criar. As pessoas me inspiram, os sentimentos, as formas da natureza, os sons, os gatos, a ausência, a presença, tudo e nada.

// Como é o seu processo criativo?

O meu processo criativo está sempre em movimento. Geralmente eu fico dias com uma ideia na minha cabeça pelo simples prazer dela ser só minha, então eu posso mudar de ideia várias vezes até isso estar pronto na minha cabeça e eu conseguir compartilhar num papel, faço um esboço, dois e vou construindo até chegar no que eu quero. Algumas vezes dou aula sobre determinado assunto e fico com aquilo, querendo também fazer algum desenho e pintura sobre a aula que eu dei. Sempre ouço músicas que me fazem mais calma, algumas vezes preciso só do silêncio pra conseguir me encontrar nesse processo todo. A calma, o estar sozinha, os gatos, e a música fazem parte do meu processo criativo.

Gi Archanjo por Projeto Curadoria
Gi Archanjo por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Ouço músicas, vejo filmes, séries, leio, desenho o tempo todo, mesmo que desenhos mais abstratos. Brinco com as gatas, algumas vezes preciso sair de casa, andar, ver pessoas no metrô, traços, paisagens.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Gosto muito do Traffic Light Box que pintei em Dublin, meu desenho ser escolhido por profissionais da arte em outro país me deixou muito feliz, principalmente em um país que eu amo como a Irlanda. Ser convidada para fazer uma ilustração para o livro “The Artists' Cook Book", também publicado na Irlanda, fiz uma ilustração em homenagem a minha avó paterna.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

A pintura do Traffic Light Box. Vejo como um marco importante, eu mandei o desenho para a organização do projeto, mas quando recebi a notícia de que tinha sido escolhida nem acreditei. Isso me fez acreditar mais em mim, no meu trabalho. Mudou a forma como me via, passei a me entender como artista e essa palavra deixou de ser um peso pra mim. Ganhei forças para continuar lutando e mesmo que isso tenha acontecido em 2012, quando as coisas ficam difíceis lembro disso, respiro e continuo seguindo em frente, sempre acreditando que é possível me manter com a arte.

Gi Archanjo por Projeto Curadoria
Gi Archanjo por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Quando eu tinha 5 anos meu pai me levou numa exposição do Picasso. Lembro até hoje o que eu senti, algo foi despertado em mim naquele dia. Então Pablo Picasso é ainda hoje uma influência marcante pra mim. Dos grandes nomes do passado, admiro Van Gogh, Gustav Klimt, Egon Schiele, Frida Kahlo, Yves Klein, Roy Lichtenstein, Matisse, Amadeo Modigliani, Marcel Duchamp etc. Além desses mestres, tem artistas contemporâneos que sigo e admiro o trabalho como Karine Guerra, Camila Morita, Toma, Gabi Andrade, Speto, Felipe Bit, Rafaela Luar, Andrea Tolaini, Marcelo Hardt, Evaldo Silva etc. Acredito que a arte tem um poder muito grande de transformação, aprendo muito com cada um desses artistas, vou encontrando nas técnicas e em suas poéticas um pouco de mim, de como gostaria de me expressar com alguns materiais e suportes. Acho que essa admiração acaba refletindo bastante no que eu faço, nos materiais que uso, no meus traços.

Gi Archanjo por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Eu queria dizer que não há preconceito e que nunca tenha sentido ele. Mas sinto que há. A mulher se expressar sem qualquer tipo de amarras é algo bem difícil. Sinto que a sociedade está o tempo todo a nos cobrar, tanto profissionalmente quanto na vida pessoal. Eu sempre vou ser mulher e sempre estarei abaixo de algum homem, e isso é triste. Não se pode medir a capacidade pelo sexo da pessoa. Hoje vejo que muitas mulheres estão se posicionando e sinto muito orgulho. Vim de uma família que não me criou pra ser princesa, sempre senti que por parte dos meus pais, a minha criação foi como a dos meus irmãos, alguém livre para ser o que quisesse. No meu trabalho sinto cobranças do tipo: - ah, gosto quando você faz o trabalho mais delicado... Eu não acho que devo ficar presa a um determinado traço ou a uma poética porque eu sou mulher, me importo com a liberdade de ser quem eu quiser ser.

Gi Archanjo por Projeto Curadoria
Gi Archanjo por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Tenho momentos em que sou profundamente feliz, quando estou desenhando e pintando algo meu, que não tenha sido encomenda. Quando estou com meus gatos, quando vejo gatos, paro e fico olhando como eles agem, a natureza deles, me sinto extremamente feliz. Quando dou aulas para crianças ou jovens que conseguem ver sentindo na arte, quando leio um livro ou fico em silêncio, sem me preocupar com nada. Momentos de solidão me fazem feliz, fazer as coisas calmamente, sem me preocupar com o tempo. Viver as coisas mais simples e conseguir ver beleza nelas me faz muito feliz.

Gi Archanjo por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Uma dica que eu gostaria que tivessem me dado é: NÃO TENHA MEDO. ACREDITE EM VOCÊ! Se tem algo que você queira fazer e que não consegue se ver fazendo outra coisa, vá, siga em frente. Não espere pelos outros, não espere por apoio de qualquer tipo, siga acreditando em seu potencial e em seu trabalho. Não ouça pessoas pessimistas que queiram te puxar pra baixo. Estude, pratique, observe, faça. Acho que é uma lição que tenho tido dia após dia.

Gi Archanjo por Projeto Curadoria
Gi Archanjo por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Estou cheia de projetos, quero cada vez mais fazer trabalhos autorais, pois é isso que me alimenta artisticamente. Em paralelo a isso, quero ter mais produtos com desenhos meus, no momento tenho canecas, bottons, imãs de geladeira, adesivos etc que vendo no meu Instagram. Para o futuro próximo quero uma linha de camisetas com desenhos meus e pretendo colocar esses produtos à venda também em lojas físicas. Também estou com o projeto de aulas individuais para pessoas que queiram aprender mais sobre técnicas e processos criativos. Tenho um livro de poesia escrito que quero terminar de ilustrar e também quero pintar mais paredes, ambientes internos e telas maiores.

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