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Gabriela
Isaias
Brasil
vivendo em Rio de Janeiro . RJ
fotógrafa

Gosto de me apresentar falando dos meus afetos, ao invés das minhas funções (apesar de, no meu caso, explicar o que eu adoro é também mencionar as missões que eu acho que trago na vida).

Eu gosto de contar histórias. Uma das minhas grandes paixões é experienciar as diferentes formas de contar o que se passa na minha cabeça, as interpretações que eu faço do mundo e a magia que eu vejo nos instantes. Com o tempo, aprendi a honrar o meu corpo e usar os meus sentidos como ferramentas para as minhas contações. Então estou sempre circulando entre registrar imagens a partir do que eu vejo, escrever com base no que digo e ouço, registrar o que pra mim é real a partir do que eu sinto.

Eu gosto de gente, de bicho, eu gosto da vida. Gosto de compor, de falar e ouvir, de cantar. Gosto de sorvete de flocos, de uma conversa sob as estrelas, de falar sobre o Universo. De uma limonada doce e bem geladinha e de tentar ouvir o barulho do vento. Gosto de sentir os pés na terra e de quando a Lua tá bem fininha. Eu gosto de fotos, de contos e cantos e de quem faz o mundo parecer melhor.

Gabriela Isaias por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Fotografias, textos e poemas, músicas e desenhos.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Os acontecimentos da vida e a forma com que eu lido com eles. Uma vez ouvi que a gente só consegue vivenciar e captar o que, de alguma forma, já existe em nós. Isso fez eu começar a me olhar com mais amor e honrar meus sentimentos e intuições. Pode parecer clichê, mas acredito que tenhamos múltiplos universos dentro de nós e que, ao longo da vida, entramos em contatos com gatilhos que despertam o que nós já sabíamos e não lembrávamos. Me inspira saber que cada pessoa carrega um mundo com diversas ramificações pois isso prova que o infinito existe. Infinitos não necessariamente são felizes ou tristes, mas hipnotizam.

Gabriela Isaias por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

A pandemia colocou de ponta cabeça o que eu achava ser meu processo de criação. Nada do que eu fazia antes faz mais sentido na realidade em que estou inserida agora. Mas tenho um mural gigantesco no meu quarto em que fotos das mais diferentes coisas estão pregadas. Gosto de olhar para elas durante longos períodos pois sempre volto mais energizada para criar o que quer que seja. Também aprendi que o sono faz parte do meu processo de criação porque através dos sonhos eu tenho muitos lampejos e ideias do que quero trazer pra vida.

Gabriela Isaias por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Como disse, estamos numa nova forma de realidade em que eu ainda não tenho respostas para perguntas que antes eu sequer pensava. Durante os primeiros meses em isolamento social, eu passei por emoções que, acredito, me modificaram por completo. Hoje vejo que essas experiências gestaram amadurecimento e poesia. Agora, enquanto escrevo essas palavras, já parei duas vezes para escrever no meu caderno de notas algumas ideias que tive e ainda não sei como se manifestarão (por fotografia, por texto, por som...). Tenho aprendido que não sou eu quem dá forma aos meus pensamentos; são eles que decidem como e quando querem ser gerados. É como deixar seu espírito se manifestar do jeito que ele quiser porque seu corpo não é um meio, ele apenas “é”. Posso estar filosofando além da conta, mas, pra ficar mais compreensível: eu sigo o que a minha alma diz.

Gabriela Isaias por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

O meu grande xodó é a reportagem digital “Nesse Canto do Mundo”, que aborda a ressignificação das tranças africanas no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro. Acho lindo carregar memórias dentro e fora da cabeça (literalmente) através de um penteado que serviu como forma de expressão e busca de liberdade durante tanto tempo. Foi durante a composição desse projeto que encontrei a cura, e ela era uma mulher negra. Na verdade, várias mulheres negras, pois entrevistei e fotografei mais de 40. Além desse trabalho (que mesclou vídeos, fotos, textos, entre outras), também tenho bastante apego por “Negritudes Flutuantes”, que está em desenvolvimento, e “Negros do Oeste”, que teve que ser interrompido por conta da pandemia.

Gabriela Isaias por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Quando, depois de pronto, eu enviei “Nesse Canto do Mundo” para as mulheres que entrevistei para o projeto foi especialmente forte pra mim. O retorno que eu obtive e as palavras que li e ouvi vão ecoar pra sempre aqui, do lado de dentro. Eu posso até esquecer exatamente quais foram os termos usados e o que foi falado, mas nunca vou deixar de lembrar o que essas mulheres me fizeram sentir. Apresentar o mesmo projeto para a banca avaliadora na minha faculdade e ouvir considerações como as que eu ouvi foi muito marcante também. Ver minhas fotos impressas e enquadradas pela primeira vez, participar da minha primeira exposição... Tudo isso faz parte de um reconhecimento formal que eu aprecio. Mas o que mais valorizo, sem dúvidas, é o contato com o outro. Cada vez que uma pessoa cede seu tempo, sua energia, suas palavras e sua própria aparência para mim, é como se ela dissesse “eu confio em você”. E eu lembro de todas as pessoas que já registrei.

Gabriela Isaias por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Eu sou uma pessoa totalmente influenciável, mas apenas por quem eu admiro. As minhas influências vão desde personagens de uma história fictícia ou real, passando por artistas do mainstream e outros independentes. A minha família, as minhas origens me influenciam. A minha cor me influencia. Beyoncé e Chimamanda me influenciam. Conversas com minhas amigas me influenciam. As raízes de uma árvore me influenciam, o movimento do mar me influencia. Uma música no rádio pode me influenciar tocada em um determinado momento pode me influenciar! Hahaha Acho que acabo armazenando o que ressoa em mim e faço mixagens com as outras diversas coisas que chegam ao meu encontro em cada olhada no celular, cada espiada na TV, cada palavra de quem eu amo.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Com certeza. Ainda mais se você incluir um pouco de café no tom de pele dessa mulher. Eu lido majoritariamente com mulheres negras em tudo que faço. Então, de certa forma, meu gênero, minha cor e minhas vivências trazem um certo acolhimento à elas e elas à mim. Estar entre e com mulheres negras é o único modo de se sentir integralmente confortável na sociedade racista e machista que está posta.

Gabriela Isaias por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Tantas coisas me dão felicidade! Mas a melhor delas, sem dúvidas, é a alegria. Nada como uma crise de riso incontrolável que deixa até a mais malhada das barrigas dolorida!

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Diria para se ouvirem mais. Ouvirem o que vem do útero e já mora em você, mas ainda não encontrou a receptividade necessária pra se expressar. Esse conselho é o que eu diria pra mim, também. O que é pra ser já está no ar. Resta a nós sermos sensíveis e verdadeiras o suficiente para dar vida ao que realmente queremos criar.

Gabriela Isaias por Projeto Curadoria
// A pandemia que estamos enfrentando em 2020 afetou de alguma forma a sua produção?

Completamente. Não há como não sofrer a ausência de 140 mil vidas. Meu modo de perceber o mundo mudou, assim como meu trabalho, minha linha de pesquisa, minha relação com os outros e comigo mesma. Entrei num vazio, num casulo no qual ainda permaneço. Mas é do escuro que tudo se cria. Antes de ser, é preciso não ser. A partir do nada você pode fazer tudo. Avaliar de que forma fui afetada é complicado porque ainda estou, não fui. Talvez quando isso passar eu tenha um olhar mais nítido e menos contaminado pela atual situação.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim! “Hatemporais”, uma série de imagens e entrevistas feitas à distância, é um projeto iniciado na pandemia que eu ainda não finalizei. “Negros do Oeste” foi interrompido por ela e “Negritudes Flutuantes” está em criação há algum tempo e deve nascer no ano que vem. Também há um que acabou de ser fecundado, então vou manter em segredo. Mas envolve a resistência negra durante o período colonial do Brasil e sei que ainda vai me dar muito orgulho.

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