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Daniele
Cubinhetz
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
arquiteta . artista

Sabe aquela história de questionarmos uma criança para saber o que ela quer ser quando crescer? Escutamos astronauta, bailarina, bombeiro, advogado...A minha lembrança é de dizer que seria arquiteta. Como toda criança eu gostava de brincar de casinha, mas a minha parte favorita na brincadeira era montar a casa em si. Lembro de montar casas de boneca com caixas de sapato e a parte mais legal era desenhar as estampas que enfeitariam a cama da boneca e de que cor ia pintar o papel de parede de cada uma das casas.

Acredito que tenha surgido daí a frase da minha mãe de que eu tinha “pinta de arquiteta” e, com isso, influenciado a escolha do meu rumo profissional porque nunca me imaginei fazendo outra coisa da vida.

As aulas de Educação Artística sempre foram as minhas prediletas. Fosse através de cores e formas pintadas nos desenhos ou na concepção de maquetes e cenários que pudessem ilustrar de maneira bem criativa algum tema que seria estudado durante as aulas.

No Ensino Médio fiz curso técnico de Design de Interiores, que além de ter me dado uma base muito grande para a faculdade de Arquitetura, também me apresentou o universo da História da Arte, que se tornou minha maior fonte de interesse e minha grande paixão.

Estagiei em diversos nichos de arquitetura enquanto estava na faculdade até que encontrei aquele que mais se encaixava com o que gostava de fazer: projetos comerciais com foco no varejo. Penso que o interesse por essa área esteve atrelado ao dinamismo e a possibilidade de criação de projetos lúdicos que o varejo proporciona. Estou nessa área há 10 anos, sendo os últimos 4 em meu próprio escritório.

Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Minhas principais ferramentas são o desenho e a pintura.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A harmonia me inspira. O que é belo me inspira. O equilíbrio me inspira. Acredito que minha maior motivação para criar seja a necessidade de exprimir meus sentimentos através dessa trinca de conceitos combinados à necessidade de usar a cor como ferramenta.

Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Normalmente eu penduro uma folha de papel kraft na parede do meu quarto e deixo o desenho fluir. Percebi que sempre que eu tento planejar muito uma composição ela perde a força.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Procuro conhecer, estudar e compreender os processos de artistas que admiro e atualmente tenho feito croquis diários num sketchbook que serve como base de inspiração para outras produções.

Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Há alguns anos venho buscando uma maneira de me expressar e testei bastante coisa: desenho com canetinhas marcadoras, pintura em porcelana, colagens, pintura acrílica sobre tela, mas no momento os trabalhos que desenvolvo em papel kraft / papel cartão são os meus favoritos. Eles começaram há cerca de um ano, de maneira super despretensiosa, como ferramenta para desbloqueio da criatividade e acabaram me encantando.

Acho que eles me atraem porque consigo exprimir meus sentimentos de uma maneira muito dinâmica e fluida nessa superfície. A própria natureza do material cria contrastes interessantes, tanto do ponto de vista da cor quanto das texturas. Através da rusticidade do papel a tinta é absorvida rapidamente o que faz com que todo o sentimento depositado na composição se expresse de uma maneira muito potente.

A figura feminina sempre foi um tema recorrente na minha produção. Acredito que como meus trabalhos são utilizados como ferramenta terapêutica acabo me projetando nos desenhos para tentar compreender um pouco do meu próprio Universo.

Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Um momento decisivo para a produção que venho desenvolvendo no último ano foi ter começado a “desenhar às cegas”. Eu fui apresentada à essa ferramenta por duas mulheres artista incríveis que estão à frente do Ateliê ...com Lola: Tania Piloto e Emika Takaki.

Esse recurso muito simples me transformou profundamente e fez com que aos poucos eu começasse a me libertar do medo de me expressar livremente, da busca pela “perfeição” e do julgamento sobre minha própria produção. Esse foi um passo fundamental para que eu pudesse produzir com consistência porque sempre fui muito crítica a tudo que eu fazia, idealizava um objetivo que eu não conseguia alcançar, ficava frustrada e não desenhava mais. Ao “desenhar às cegas” você não cria tantas expectativas, instiga a curiosidade e na maioria das vezes se surpreende com o resultado que surge no papel.

Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Tenho Cèzanne e Van Gogh como artistas preferidos. A maneira com que eles trabalham as formas, a composição das cenas e o uso das cores de maneira tão vibrante e dinâmica me atraem profundamente.

Ao mesmo tempo sou fascinada pelo trabalho de Lygia Clark, sua investigação sobre a experiência sensorial e o papel do espectador como parte fundamental na composição da obra.

Acredito que os trabalhos que permitem a interação entre público e obra são capazes de criar vínculos e memórias marcantes naqueles que se permitem envolver pela proposta do artista.

Até o momento meu trabalho ainda não saiu do campo bidimensional, sendo apenas uma investigação de expressão através da cor. Por isso, não vejo influências de Lygia nessa produção, mas quem sabe esse não possa ser um passo no futuro?

Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim, com certeza existe preconceito.

Como estou no início da minha caminhada artística, exercendo essa atividade de maneira informal e quase como um hobby, ainda não vivi o preconceito. Mas em minha carreira como arquiteta posso afirmar que sofremos preconceito diariamente.

// E o que te faz feliz?

Uma resposta quase que instantânea quando penso sobre aquilo que me faz feliz é dizer que o Universo da Arte me faz feliz. Seja pintar, visitar exposições, conhecer museus, estudar sobre História da Arte ou assistir filmes e documentários sobre esse tema faz com que a minha criança interior dê pulinhos de alegria.

Recentemente descobri que o universo botânico tem se mostrado uma fonte equivalente de felicidade, autocuidado e compreensão sobre mim mesma e que faz algumas coisas aqui dentro vibrarem bastante.

Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Pode parecer uma resposta bem manjada, mas o autoconhecimento é a chave fundamental para descobrir seu próprio potencial. Esse conceito sempre foi um “bicho-papão” pra mim porque, na minha visão, muitas de nós não foram educadas para nos conhecermos e muito menos para questionarmos nada sobre nós mesmas.

Durante muito tempo eu simplesmente segui um roteiro que haviam me passado sobre o que era o correto, sempre aguardando a validação do outro sobre o que era o melhor para mim, até que me dei conta de que estava cada vez mais infeliz e sem compreender de onde vinha aquela inquietação.

A partir do momento que você começa a se escutar, questiona seus caminhos, aceita aquela energia que borbulha dentro de si, acolhe seus desejos e se trata com amor e gentileza, você se torna capaz de dar voz e a potencializar a sua versão artista.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Tudo que respondi na pergunta anterior faz parte do meu recente processo de descobrimento e aceitação e que vem ganhando força num ano tão desafiador como esse que estamos vivendo.

Eu tenho como projeto me permitir que o meu lado artista ganhe mais protagonismo na minha vida. Sinto que alguns ciclos se encerram, algumas coisas já não fazem mais tanto sentido e com esse movimento novas coisas estão florescendo por aqui.

Não tenho a menor ideia de onde esses experimentos vão me levar, mas pela primeira vez estou aberta às possibilidades, permitindo que as coisas que transbordam de mim simplesmente existam em toda sua potência sem nenhuma idealização de qual será o resultado final.

Daniele Cubinhetz por Projeto Curadoria
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