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Vanessa
Leite
Brasil
vivendo em Rio de Janeiro . RJ
29 anos . arquiteta . ceramista

Sou uma pessoa muito agitada e gosto de estar fazendo muita coisa ao mesmo tempo. Sou do tipo de pessoa que precisa colocar a mão na massa literalmente.

Acredito que eu precisava me expressar de alguma forma e foi com a mão no barro que eu fui me experimentar e me expressar.

Esse é um lugar em que não me preocupo com cliente e não sigo nenhum briefing.

Vanessa Leite por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Acho que eu e todos nós, nos expressamos de diversas formas.

Seja o exercício que escolhemos fazer, a forma como nos projetamos nas mídias sociais e como nos vestimos. Mas eu acho que posso dizer que meu trabalho mais autoral, ou mais expressivo é feito através da cerâmica.

Vanessa Leite por Projeto Curadoria
Vanessa Leite por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Minha motivação na verdade é necessidade.

Eu exijo tanto de mim nos meus projetos de arquitetura comercial que quando eu pego o barro é muito leve.

Plástico a ponto de se adaptar, ele ganha vida através das minhas mãos e lembra que é um material vivo e natural.

Quando eu produzo peças de cerâmica eu retomo o processo manual com a natureza e com o feminino através da ancestralidade e primativismo do processo.

São nessas vivências que busco essas formas.

Vanessa Leite por Projeto Curadoria
Vanessa Leite por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

O material é incrivelmente modelável e eu gosto de brincar com a forma.

Apenas oriento o barro deixando ser conduzida por ele para que as formas surjam e surpreendam.

Quando estou produzindo eu busco essa expressão e eu acho que o que mais diferencia meu trabalho é a liberdade que eu coloco nele.

Gosto desses caminhos inseguros e da beleza do gestual.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Durante meus projetos de arquitetura e cenografia eu busco muita informação e muita referência, mas com a cerâmica acontece o oposto.

Eu gosto de deixar as coisas fluírem, volto à memórias internas e assim as formas são criadas sem testes, sem protótipos, sem perfeição e sem segurança.

Vanessa Leite por Projeto Curadoria
Vanessa Leite por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

As pessoas geralmente se interessam mais pelos utilitários, mas eu gosto de uma série que fiz de formas abstratas. Esse conjunto foi feito em um ateliê no Rio de Janeiro, mas fala de uma experiência vivida na Amazônia. As formas nasceram da memória de uma intensa experiência na floresta, onde estabeleci um profundo contato com a terra.

Vanessa Leite por Projeto Curadoria
Vanessa Leite por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Quando eu comecei a experimentar a cerâmica eu acho que foi um momento importante na minha vida e não necessariamente na minha carreira, foi ali que eu percebi muitas características pessoais.

Foi um trabalho de autoconhecimento muito intenso e isso aparece muito claramente nas minhas peças.

Vanessa Leite por Projeto Curadoria
Vanessa Leite por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Minhas influências não vem necessariamente de outros ceramistas.

Sou muito atenta as coisas e tudo me inspira, desde uma arte mais rebuscada até um artesanato mais simples.

Eu fotografo muitas coisas e acredito que isso tudo vai se acumulando em um banco interno de imagens e referências.

Tem muitos artistas que eu adoro, mas eu não saberia dizer se isso aparece de alguma forma refletido no meu trabalho.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

O que às vezes me incomoda é a romantização que as pessoas lidam com a cerâmica. É comum os homens lembrarem daquela cena do filme Ghost em que a Demi Moore e o Patrick Swayze modelam uma peça juntos no torno.

Quando eu menciono o meu trabalho com o barro há uma visão “fetichizada”. Como se a minha prática tivesse alguma intenção provocativa.

Vanessa Leite por Projeto Curadoria
Vanessa Leite por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Gosto de estar ativa, seja criando, seja me movimentando.

Me aventuro sempre por coisas novas e não fico preocupada com o resultado e sim com o processo.

Me faz feliz experimentar coisas. Pode ser um projeto, uma peça, ou uma travessia cheia de aventura.

Eu brinco que o barro é a forma como eu busco minha conexão com a terra.

Sou regida por uma tríade de elementos “ar” nos signos, então é através desse contato que eu me “enraízo” e busco equilíbrio.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Minha dica é se jogar e experimentar. Não existe belo e feio, não existe bom ou ruim. Se você colocar a sua verdade e o seu sentimento no que você fizer, aquilo já é valioso.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

No ano passado eu e minha irmã, que tem uma marca de joias, resolvemos fazer uma parceria que foi bem legal. Nunca tinha feito adornos e tivemos um resultado bem bacana e uma bela coleção.

Mas para esse ano eu não tenho nada planejado, sinto que eu e o barro ainda estamos nos conhecendo. Por isso quero nos explorarmos bem à vontade.

Os resultados eu vou compartilhando no meu Instagram.

Vanessa Leite por Projeto Curadoria
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