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Thalita
Lefèr
Brasil
vivendo em Belo Horizonte . MG
29 anos . designer . Ilustradora

Sim, acho que entro no clichê de ser mais uma das pessoas que começou a ter grande influência de trabalhar em áreas criativas por passar grande parte da infância desenhando. Lembro do primeiro desenho que fiz, um pica pau aos 6 anos de idade na casa que morava com meus pais. Primeiro desenho colocado em uma porta de geladeira com meu nome e minha idade, Thalita 6 anos, Brasília. Como eu gostei de ver aquilo ali. Um tempo depois meus pais se separaram e meu interesse por desenhar aumentou, acredito que foi um refúgio bem justo que encontrei por ser filha única, minha imaginação era minha maior companhia.

Na adolescência passei grande parte do tempo desenhando Dragon Ball e pensando que eu queria ganhar para fazer aquilo, mas o “aquilo” pra mim ainda não tinha forma, nem nome.

Em 2007 conheci a Publicidade., não curti. Em 2009 conheci o Design, apaixonei. Desde então, tento manter comigo a curiosidade da minha infância na hora da criação de qualquer projeto.

Design para mim é movimento, é atualidade, é tecnologia com nostalgia. Design é solução.

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// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

De caneta à lápis. De mouse a tablet. Atualmente tenho gostado muito de projetos manuais, aqueles que deixam minha mão suja de tinta. Gosto de canetas a base de água e tenho feito experimentações de materiais do dia a dia que posso misturar com tinta.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

As vezes a minha revolta com situações diárias, as vezes a beleza das pequenas coisas. Um dia vi um senhor andando calmamente, com as mãozinhas para trás observando o chão com muito cuidado, ele em um momento se abaixou com muito esforço e pegou uma sementinha da árvore que ele passava, limpou com muito cuidado, pegou um lenço do seu bolso de trás da calça, colocou a sementinha dentro, dobrou o lencinho guardando em seu bolso e seguiu novamente seu caminho. Esse momento de cuidado me inspirou para um projeto que estou desenvolvendo.

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// Como é o seu processo criativo?

Bagunçado. As vezes até caótico dentro de mim. Gosto de criar na minha bagunça interna durante um tempo, mas depois de um tempo preciso fazer a virginiana louca e começar a organizar as ideias.

Faço minha lista de materiais que vou usar, faço um café quentinho, coloco as músicas que mais me inspiram e começo a criar. Geralmente quando começo a criar projetos assim, passo várias horas até finalizar.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Observo.

Meu hobby preferido é observar pessoas e comportamentos. Pareço uma stalker louca, mas na verdade só estou sendo curiosa mesmo. Claro que tento preencher ao máximo minha cabeça com imagens e projetos que me trazem inspiração, sem dizer de meus desenhos e animes que me dão grande norte para algumas criações.

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// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Gosto muito do “Se animais em extinção fossem vinho”. Sou vegetariana, amante dos animais. Sou aquela que fala que confio no cachorro quando ele não gosta de alguém. Esse projeto para mim teve um tom especial, pude misturar nele tudo que eu acredito em um bom design, que as vezes não consigo desenvolver por ter que trabalhar em uma linha muito comercial. Acho que a série dos animais nos levam pra uma reflexão muito boa sobre valor agregado de coisas e seres.

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// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho que a perda da minha mãe foi o maior marco da minha vida. Perdi minha mãe aos 17 anos e metade de mim foi embora. Senti que naquele momento eu precisava criar minha outra metade.

Usei a criatividade para continuar seguindo em frente e alguns anos depois de absorver tudo fiz a minha tatuagem de coração no peito.

A partir daquele momento eu percebi a influência das cores e da criatividade na minha vida e como essa bases foram e são tão importantes em minhas criações e nas minhas crenças.

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// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Eu tenho grande admiração por Van Gogh. Ele criou no caos de existir e aquele quadro “noite estrelada” tem grande movimento interno pra mim. Também tenho grande admiração por Edvard Munch. Expressionismo mexe muito comigo e me mostra que tem muita beleza no caos.

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// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Ah com certeza. Ainda hoje encontramos diferenças salariais entre homens e mulheres que não entendo muito bem. Gosto do ritmo que a mudança está acontecendo, estamos com mais maturidade e força para expressar nossa opinião. Ainda existe a dificuldade em expressão? Claro. Mas acho que estamos sabendo lidar com essa situação lindamente, e o melhor, sem descer do salto (risos).

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// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações ?

“Você não é obrigada a nada”. Acho essa frase tão sensacional e tão livre. Acreditar no seu próprio trabalhar sem se preocupar com que os outros vão dizer. Estude para sempre se manter atual, com você mesma e se conheça acima de qualquer coisa.

Pra mim é tipo um dominó, quando você tem o primeiro entendimento sobre as coisas, o resto é automático.

// E o que te faz feliz?

Autoconhecimento. Acredito que o segredo para se viver bem e ser feliz em qualquer situação é empatia e autoconhecimento. Saber falar “não” e se sentir bem com isso também me faz bem feliz.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Estou criando uma serie de ilustrações de mulheres com personalidades e características únicas. Quero destacar a beleza no pequeno detalhe dessa série.

Tenho outros 2 projetos que estou desenvolvendo mas ainda em fase de construção. Em breve estará aí!

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