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Sami
Makino
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
31 anos . artista . ilustradora

Eu fui uma criança muito agitada, minha mãe conta que eu só parava quieta para desenhar. Eu amava, desenhava avidamente e cobria as paredes do quartinho de costura dela com meus rabiscos, exigindo sua atenção sempre que terminava um; caso ela não correspondesse à altura, eu rasgava o papel e jogava fora fazendo cena de novela mexicana. Uma criança “levemente” dramática e expressiva, não é mesmo?

Durante a adolescência por algum motivo essa paixão ficou adormecida, e passei uns bons anos me dedicando ao teatro. Só depois que me formei em Audiovisual e me mudei pra São Paulo que “a coisa” voltou a se manifestar em mim, e comecei a sentir novamente a necessidade de me expressar graficamente. Fiz pós-graduação em Design Gráfico e mais um monte de cursos livres. Demorei algum tempo para começar a divulgar para o mundo esses meus trabalhos, porque para mim essas manifestações sempre foram coisas muito íntimas, muito pessoais. Mas tenho acreditado ultimamente que a gente meio que vira artista no momento em que não consegue mais guardar pra si mesmo essa “manifestação própria”. Acho que na hora em que se aceita que algo que nasceu dentro de você precisa ser colocado no mundo para quem sabe tocar outras pessoas, a obra em si tem um sentido de fato, e a história se completa. Tenho tentado seguir assim.

Sami Makino por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Eu gosto de brincar com um pouco de tudo, mas destacaria a ilustração e os recortes/marionetes de papel. Na ilustração amo usar nanquim, acho lindo demais o contraste do preto puro sobre a brancura do papel. Minha paleta de cores geralmente é pequena, mas o preto sempre está lá.

Uso o computador para finalizar e colorir algumas criações. Já para os recortes e marionetes uso papéis diversos, canetas nanquim, mesa de corte, bisturi e tesoura (amo tesouras – coisa de filha de costureira, creio).

Para mim as marionetes são uma delícia de fazer porque elas permitem que uma ilustração saia se mexendo por aí (criança agitada, lembram?), convidando as pessoas à interagir. De vez em quando também arrisco escrever uns poeminhas pra ilustrar depois, acho que é meu jeito de tentar me expressar de um jeito “musical”. Ah! Também amo dançar!

Sami Makino por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Minha motivação pra criar é tentar contar alguma história, criar “poemas visuais” sempre que possível. Minha expectativa sempre é que as pessoas olhem, se encantem (ou não), mas que parem pra olhar novamente e decifrar algum significado além na peça, que encontrem a história escondida por trás do primeiro olhar, ou criem a sua própria. O que me inspira? Metáforas.

// Como é o seu processo criativo?

Geralmente eu já tenho uma ideia do que quero dizer ou do sentimento que quero transmitir antes de saber por qual forma isso se dará, esse é o desafio. Faço uns esboços e começo a construir as formas sem muito planejamento. Conforme vou desenhando ou recortando é que descubro como expressar o que quero, aí me empolgo e fico nesse processo prazeroso de criar e incrementar a cria até sentir que a peça está pronta.

Sami Makino por Projeto Curadoria
Sami Makino por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Acompanho o trabalho de vários artistas no Instagram e Pinterest, fuço blogs, leio livros e ouço podcasts sobre assuntos diversos. Adoro Ted Talks sobre criatividade, é meu “guilty pleasure”. Também amo ir à exposições e museus, sempre saio de lá querendo fazer conexões com o repertório que já possuo. Além disso, volta e meio me dou ao luxo de fazer workshops, cursos livres diversos, e de participar de festivais de criatividade como Pixel Show e Lad Fest, é ali que conheço gente criativa e curiosa pra me inspirar e buscar novas referências.

Sami Makino por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Gosto muito das primeiras marionetes de papel que criei, meio sem querer, e que até hoje sou apegada. Acho que é porque sinto que elas nasceram com uma linguagem muito própria, e que nelas – diferentemente das minhas ilustrações – eu consigo manter uma identidade visual bem definida. Acho que é um misto entre arte e brinquedo bastante popular também.

Sami Makino por Projeto Curadoria
Sami Makino por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho que comprar uma mesa digitalizadora para edição de vídeos depois de me formar, e redescobrir o punho querendo desenhar foi um marco que me fez voltar à criação, e a partir daí todas as outras vontades vieram junto. A pós-graduação em Design Gráfico (FAAP) também foi muito importante, lá entrei em contato com diversos tipo de gravura como serigrafia, xilogravura, litogravura, colagem, etc, que me ampliaram as possibilidades de linguagem criativa. Foi lá que fiz meu primeiro cartaz com recortes de papel, publicado na revista de design Eye Magazine edição 88, e que me fez tomar gosto pelas tesouras.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Sigo e admiro o trabalho de muitos ilustradores, mas minhas favoritas são sempre artistas mulheres. Eu citaria Malika Favre, Elsa Mora, Maureen Wingrove, Laura Callaghan, etc. Acho que tem algo de muito profundo e poderoso no universo feminino que acaba transbordando no trabalho dessas artistas.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Nunca senti preconceito, mas sinto que existe sim uma diferença em relação à segurança e auto-confiança que um homem e uma mulher artistas sentem em expor o próprio trabalho. A mulher parece que precisa ser 3 vezes mais segura de si do que o homem para expor alguma ideia.

Sami Makino por Projeto Curadoria
Sami Makino por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Sair pra comer com os amigos, fazer piqueniques , viajar, entrar em contato com a natureza, meditar, e aprender coisas novas.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Não tenha medo de expor seus trabalhos, por mais simples que pareçam. É importante criar e colocar a cria no mundo pra fazer a roda girar, a energia fluir. A gente sempre tem o que melhorar, e colocar as peças no mundo cria um compromisso pessoal de se renovar sempre.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Estou me preparando para virar freelancer e dedicar mais tempo às artes, nesse meio tempo estou indo passar um tempo na Europa, a começar por Berlin, para me inspirar com a cena artística de lá e ir ao máximo de museus que puder.

Sami Makino por Projeto Curadoria
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