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Raíssa
Jalkh
Brasil
vivendo em Rio de Janeiro . RJ
20 anos . designer . artista

É difícil falar de mim mesma. Sou carioca e estudante de Design mas sempre estou com um pézinho nos ateliês dos outros cursos da minha faculdade. Sou amante da natureza, pintura e artesanato. Sempre gostei de desenhar mas comecei a me dedicar a isso somente em 2015 quando comprei meu primeiro sketchbook e até hoje não parei mais.

Procuro com frequência abrir as portas às novas oportunidades, gosto de reinventar e propor sempre um olhar diferente para o que você vê normalmente no cotidiano. Meu trabalho gira em torno da ambiguidade na qual o seu olho vê algo e o significado diz outro.

Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Costumo me expressar através do nanquim e da aquarela mas já caminho testando vários tipos de mídias. Guache, marcadores, arte digital, acrílica, gravura em pedra ou um simples lápis me dão liberdade para poder criar.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Tudo me inspira. Uma frase vista no banco de um ônibus, um gesto de um senhor levando seu pássaro no ombro, um livro, uma flor. Tudo envolta do mundo e da natureza acabam me influenciando e me inspirando.

// Como é o seu processo criativo?

Muitas vezes quero passar algo que estou vivendo no momento, no agora. Então, ligo um filme e deixo o traço seguir. O processo intuitivo e sem pressa muitas vezes acontece no meu trabalho. Gosto de deixar o processo e o material me guiar. Das outras vezes, quando quero passar algo específico ou quando tenho alguma encomenda eu começo com um briefing e parto para uma pesquisa e estudos até chegar no resultado final.

Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Gosto de ler e viver no meio de pessoas criativas e ativas. O bom de estar numa faculdade é ter essa possibilidade. Sempre tem gente agitada e faminta por ideias e procurando se reinventar.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Meus trabalhos mais significativos posso dizer que são as litogravuras. Fiz quatro gravuras em pedra em 2016 e descobri um mundo novo. É um processo que demora quase um mês para concluir um desenho A4 e a sensação do processo manual é insana e cansativa. Mas na hora que você imprime a pedra, aquele momento mágico da troca da gordura e da água passando para o papel, não tem preço.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Minha carreira é muito recente, sou muito nova nesse mar que é a vida... Mas esse ano comecei a freqüentar feiras de arte independente aqui no Rio e a cada feira me marca de um jeito diferente porque sou eu me expondo para o mundo e esse tem o livre arbítrio de me criticar e me julgar. Isso me dá mais forças para continuar a me reinventar e nunca estagnar no óbvio.

Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Eu sempre fui muito amante da história da arte então posso dizer que bebi do leito de vários artistas reconhecidos pelo mundo, por mais clichê que isso possa soar: Klint, Francis Bacon, Van Gogh e Frida são pessoas que eu sempre procuro ter tanto em referências quanto em textos pois eles eram indivíduos que se expressavam além das pinturas. Além deles, filmes com fotografias fortes sempre me inquietam.

Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Mulheres se expressando são sempre um escândalo para a sociedade. Sempre vai existir algum preconceito sobre isso. Mesmo que a mente da população esteja abrindo os olhos e enxergando a barbaridade, ela nunca vai mudar. Até a mulher parar de ser retratada como um objeto puritano ou uma simples carne, o olhar nunca vai mudar. Isso em qualquer profissão, em qualquer área e em qualquer posição. Eu sinto, no meu trabalho, que as pessoas nunca se interessam pelo o que aquilo significa. A pessoa vê e diz que é bonito mas por eu ser mulher, baixinha, que sorri demais, que veste roupas normais e tem uma aparência cotidiana - parece que eu não consigo pensar fora da caixa e fora da estética. Parece que a sociedade acha que minha arte é um simples desenho feito sem pensar sendo que existe sempre uma história e uma ambiguidade para cada traço e cada flor.

Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Viajar, pintar, ler e ser reconhecida num simples comentário de alguém anônimo me fazem muito feliz.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Se você é mulher, tudo que você vai fazer que saia da curva já vira um grito para a sociedade. Abrace isso. Use isso a seu favor. Nunca copie algo já feito, vire a curva!

Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sempre tenho projetos em andamento. O que mais gosto de fazer é pensar em maneiras de converter meu trabalho para várias mídias. Atualmente quero começar a fazer publicações independentes e estou estudando como traduzir isso num jeito inovador. Outro projeto é começar a fazer xilogravura, serigrafia ou cerâmica e explorar outras áreas além do papel.

Raíssa Jalkh por Projeto Curadoria
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