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Priscila
Barbosa
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
27 anos . ilustradora . designer

Tenho 27 anos, sou nascida e criada em São Paulo. Cursei Artes Visuais no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, mas me encontrei mesmo no design e na ilustração. Trabalhei por muito tempo com educação cultural, até entrar em um estúdio de criação sem nem saber ligar um Mac e ter que aprender a mexer em todos os programas do zero, dependendo da santa ajuda dos colegas. Hoje trabalho como ilustradora freelancer e diretora de arte no Coletivo Jupiter, grupo do qual sou co-criadora e onde trabalhamos todos como iguais, sem hierarquia vertical.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Gosto bastante de usar guache e aquarela, dependendo do projeto também utilizo a pintura digital, mas sinto mais prazer com as técnicas manuais. A experimentação das diferentes intensidades da tinta, a textura do papel, as várias possibilidades que um mesmo pincel proporciona são muito importantes no meu processo de ilustração.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A maioria das ilustrações vem de algum sonho ou lembrança, eu sempre fui bastante nostálgica e cada elemento que ilustro tem algum significado bastante pessoal que ficou guardadinho no fundo da minha memória. Me inspiro bastante em diferentes flores e folhas, então uma volta no bairro ou uma ida à feira pode fazer pipocar várias ideias.

Receber os feedbacks das pessoas e ouvir que elas se identificam com minhas ilustrações é outra grande fonte de inspiração, deixa o coração quentinho.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Eu sou uma pessoa bem metódica, o que às vezes pode ser complicado porque acaba aliando a criação à uma série de fatores que interferem no meu funcionamento e trabalhar de casa pode ser mais complexo do que parece. Pra mim o quadro perfeito pra ilustrar é acordar, tomar café da manhã e com a casa toda em ordem começar. Isso parece que limpa minha mente e eu posso ficar focada, sem outras preocupações.

Não sou daquelas pessoas que faz vários sketches e estudos, sou bem direta. Só vai pro papel se na cabeça estiver bem planejadinho e definido. Os elementos, a composição, a paleta de cores, tudo já pensado antes do pincel encostar no papel. Acho que é por isso, inclusive, que faço várias seguidas, pego o embalo e a coisa flui. Justamente por isso é muito raro eu desistir de uma ilustração, sempre termino o que começo.

O bloco de notas do meu celular é cheio de anotações, palavras aleatórias e ideias de cores pra explorar, fica tudo guardado até eu acordar pensando fixamente naquilo e decidir ilustrar. Até esse momento chegar eu não forço, fica em stand by.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Gosto muito de olhar referências, e elas podem vir de qualquer lado. Gosto bastante de arte, mas me inspiro muito em tatuagens, moda, decoração.

Meu trabalho como designer exige muitas horas de pesquisa, o que já me deixa com a mente borbulhando diariamente.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Eu diria que as últimas ilustrações que fiz, mas principalmente a ilustra "Ofídia". Ela estava na minha cabeça há muito tempo, só esperando o momento certo. É daquelas ilustrações que ficam exatamente como você queria, o que pode ser raro de acontecer pra quem é bastante autocrítica. Essa satisfação é indescritível, parece que traz uma dose extra de confiança.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

A minha decisão de sair de um trabalho fixo no design e me dedicar à ilustração e à direção de arte no Coletivo Jupiter foi um momento decisivo não só na minha carreira, mas na minha vida. Era um passo que tinha que ser dado, mas o processo foi de muito medo e incerteza.

Eu sempre digo que o universo vai te dando pequenos sinais do que deve ser feito e quando a gente não faz, ele vai lá e faz pela gente. Comecei a ficar bastante doente por conta do estresse do trabalho anterior, diversos médicos falando que eu tinha que me acalmar, que desacelerar. Nessa época, além desse trabalho fixo, eu me dedicava às ilustras e ao Jupiter, o que acabou me sugando. A partir disso eu acordei um dia e falei chega!

Foi uma das coisas mais ousadas que já fiz, sou bastante sensata e durante muito tempo achei que o certo era ficar num emprego fixo. Hoje consigo ver que a vida de freelancer é muito séria e exige muito mais responsabilidade, mas é totalmente possível. O salto de evolução que dei na ilustração é visível e toda a dedicação tem trazido resultados incríveis.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Eu poderia citar diversos ilustradores que considero incríveis, mas quem acelera meu coração mesmo é Van Gogh, que inclusive é o nome do meu gato mais velho. Acho que o nível de dedicação dele era extraordinário e o resultado é uma pintura apaixonada e única.

Muitas vezes uma profissão que envolve criação pode ser bastante frustrante, vejo que é comum entre os artistas uma autocrítica severa e que muitas vezes não respeita um processo natural de evolução. Sempre que entro nessa de me comparar com outras pessoas lembro dele, de verdade. Isso faz com que eu foque no porquê de eu ter escolhido fazer isso, de não ser para os outros e sim pra mim. É o meu processo, baseado e entrelaçado nas minhas vivências pessoais e nem sempre tem que ser suave. Às vezes é difícil e incômodo, mas vejo que tudo reflete meu estado emocional e tudo bem.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Existe e muito. Na minha área, parece que tudo bem você ser ilustradora desde que você se mantenha nas vertentes mais "femininas" ou infantis. Uma ilustradora ou designer na vertente de comics ou game, por exemplo, não recebe o apoio que uma na minha vertente recebe.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

O que me faz mais feliz nesse ponto da vida é ter minha casa. Foi um anseio muito grande durante vários anos e hoje poder cuidar e moldar do jeito que eu bem entendo me deixa com brilho nos olhos. Essa sensação de finalmente se sentir em casa é mais do que eu posso descrever. E impactou muito positivamente na minha produção, não sei por qual motivo mas minha criatividade parece sempre estar ligada aos espaços.

Poder acordar, tomar café com o Gustavo e meus gatos é uma felicidade daquelas cheia de gratidão.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Nunca se comparem, pro bem ou pro mal. Cada pessoa é diferente e isso é maravilhoso. A partir do momento que a gente deixa de pensar no que o outro está fazendo e foca no que a gente quer fazer, a perspectiva muda. Façam o que tiverem vontade, experimentem coisas novas mesmo que achem que não vai funcionar ou ficar à altura do que você espera, o processo é tão importante quanto o resultado.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Eu tenho um outro livro ilustrado por mim a caminho, da mesma autora do Madeixas, a Paula Tura. Ela escreve histórias fantásticas para crianças que abordam a auto-estima e a valorização de características comumente carregadas de preconceito.

Estou também organizando a loja online pra poder disponibilizar as ilustrações com maior facilidade e sobrar mais tempo pra eu de fato ilustrar.

E estamos abrindo o escritório do Coletivo Jupiter, o que é um ganho muito grande, já que vamos poder trabalhar lado a lado e receber os clientes e parceiros pra tomar um café e discutir nossas ideias mirabolantes.

Priscila Barbosa por Projeto Curadoria
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