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Pollyana
Rocha
Brasil
vivendo em Campo Belo . MG
31 anos . artista

Nasci no interior de Minas Gerais cercada por cachoeiras e montanhas. Ariana com ascendente em gêmeos, o que define bem a minha aversão a rotinas.

Me formei em Publicidade e Propaganda e logo após me dediquei à fotografia. Trabalhei como fotógrafa por 7 anos e durante esse período notava a cada dia que não era aquilo mais que me fazia acordar de coração aberto.

Foi quando me apaixonei perdidamente pelas mandalas. Eu desenhava muito quando criança e havia deixado de lado essa paixão que foi desperta de alguma forma quando, muito por acaso, criei minha primeira mandala para decorar minha casa nova!

A arte sempre foi muito presente na minha vida e, a possibilidade de transformar minhas viagens internas em algo mais fluido e que pudessem expressar exatamente o que eu sentia, percebia e se manifestava dentro de mim no formato de mandalas, foi incrível.  Elas me trazem de forma mágica pro meu centro, para o meu foco. Foi a forma mais desafiadora, fantástica e inusitada que encontrei de me prender em algo por longas horas. É um mergulho sempre intenso em um universo que muitas vezes eu mesma desconheço.

Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Principalmente madeira e cerâmica. Utilizo tintas acrílicas para ambas e frequentemente tento me desdobrar e testar novas possibilidades. Atualmente as paredes e grandes painéis também ocuparam um lugar no meu trabalho.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Minha maior motivação é saber que posso expressar de alguma forma a junção de tudo o que me inspira. Tudo o que crio tem como base minha própria vida, meu cotidiano, a natureza que está sempre presente nos meus dias, o sol e a lua, a liberdade. Colocar isso tudo em uma peça faz pra mim, com que ela se torne ainda mais especial e única.

E o que é melhor, quando são peças exclusivas posso ainda unir dois ou mais universos. As minhas aspirações e as particularidades de quem encomendou. Isso torna tudo ainda mais fantástico.

Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Tudo acontece de forma muito fluida. Eu observo muito. As cores do céu em cada estação, as folhas, suas superfícies e texturas. Experiências em novos lugares, com outras pessoas. Tudo isso me desperta de alguma forma.

Algumas vezes sinto que não é um bom dia pra pintar e, nesses dias, nada sai. Respeito meu tempo e flui naturalmente quando tem que ser.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Eu tenho o grande privilégio de me manter criativa pelas próprias coisas que cercam a minha vida. Vivo rodeada de natureza, cachoeiras, uma vida sem pressa no interior, me dou ao luxo de assistir ao por do sol de cima de uma montanha quase todos os dias. A vida simples, a liberdade, as conversas sinceras, conviver com meus cachorros soltos, o valor de cada instante e o real valor de cada coisa, a apreciação do simples, do criativo, do artesanal.

A beleza do ser. Simples. Com liberdade. A beleza em ser.

Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Acho complicado apontar um só. Algumas peças se tornam especiais pela conexão que consigo criar, me doar ao máximo mesmo que tente fazer isso em todas, algumas acabam ocupando um lugar especial. Mas a ciclicidade com que tudo acontece é ainda mais legal. Talvez esse processo seja o meu preferido. Me doar ao máximo pra criar, conseguir tirar tudo do fundo da alma pra que a peça aconteça e desapegar pra que ela vá pro novo lar. Pra que então possa começar e recomeçar tudo outra vez.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

A decisão de seguir em frente e recomeçar vai ser sempre a mais importante e foi também a mais difícil.  Abandonar uma carreira pra co-criar um trabalho não é tarefa fácil. As pressões vem de todos os lados e a interna é sempre a maior.

Por mais que soubesse há alguns anos que não queria continuar trabalhando com fotografia eu ainda não tinha clareza de como e o que fazer. E empurrei ainda por alguns anos conciliando com a Folk, que já era um projeto antigo, artesanal, feito com liberdade e carinho mas, que na minha cabeça, nunca estava pronto pra realmente voar.

Foi quando fiz uma cirurgia no joelho e passei um tempo sem me movimentar. A única coisa que conseguia fazer era pintar. Estava cheia de medos, inseguranças, me cobrava mil coisas o tempo todo.

Foi quando acordei em uma manhã, antes de mais um dia exaustivo e doloroso de fisioterapia e a primeira frase que li foi: “Nosso único dever é salvar nossos sonhos.”

E não tive mais dúvidas, essa frase mexeu comigo de uma forma tão insana que no mesmo dia abandonei a antiga carreira, entreguei o cômodo, comecei a vender os equipamentos e decidi voar!

Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

As minhas influências sem dúvida alguma vem de um estilo de vida, de um estado de espírito. Como o próprio nome do projeto que criei sugere, Folk, a vida simples e em contato com a natureza despertou a busca e a inspiração por se criar e co-criar o novo.

Os artistas que me inspiram realmente são inúmeros. Acho que não saberia apontar só alguns. A lista vai de grandes nomes até pessoas que iniciaram a pouquíssimo tempo. Acho que todo mundo tem algo a ensinar e compartilhar. Só é preciso que a gente comece a observar com mais atenção.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Infelizmente sim. Hoje em dia não tanto dentro do meu trabalho. Mas já senti em outros ambientes como nas agências e até dentro do próprio estúdio de fotografia na época.

Existe um pré julgamento quando uma mulher vai se expressar. A sensação é de que as pessoas estão sempre esperando por algo. E somos sempre rotuladas por isso. É como se tivéssemos que nos enquadrar dentro daquilo que criam, da expectativa que essas pessoas projetam.

Acho que nossa luta ainda é longa. É tentar sair desse quadrado que nos colocaram, nos libertar dessas amarras e termos coragem pra seguir em frente.

Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Me faz feliz viver! Ter a oportunidade de trabalhar com o que amo, vendo as pessoas se encantarem a cada detalhe. Ver meus cachorros brincando e me ensinando muito a cada dia. Ter a oportunidade de acordar com calma e ouvir os passarinhos cantando, praticar yoga de manhãzinha ou ao entardecer, tomar um café com bolo de fubá, sentar por horas ouvindo o som de uma cachoeira ou só deitar em uma rede sem fazer nada; fazer trilhas enormes e tomar uma baita chuva antes de chegar. Ter descoberto valor nas coisas simples me faz feliz, me faz sentir livre, me faz me encantar todos os dias.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Se conectar com a própria natureza, com a sua verdade. Não terem medo de se expressar, de se assumirem. Sempre vai existir alguém que se inspire em você, que se identifique com a sua arte, com o que você tem a oferecer.

A grande mágica acontece quando olhamos pra dentro e deixamos fluir. É ali, bem ali que mora a sua arte.

Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
Pollyana Rocha por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim! Existe um projeto em andamento que vão ser criações exclusivas e únicas (assim como as outras) mas representando locais.  O primeiro vai ser sobre o Cerrado. As belezas de tudo o que existe nele, natureza, pessoas, texturas, cores.

É um projeto que ainda está em estudo mas que tem sido feito com muita alma e amor. As peças a principio poderão ser encontradas no minha loja online que também acabou de ser refeita.

Além das oficinas de mandalas que também são um projeto pra 2018 para percorrem por todo Brasil.

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