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Paola
Saliby
Brasil
vivendo em Berlin . Alemanha
29 anos . ilustradora

Nasci na cidade de Ribeirão Preto e em 2007 me mudei para São Paulo para cursar faculdade de moda, onde aprendi a desenhar e tomei gosto por ilustração. Há 6 anos deixei a moda para me tornar ilustradora e hoje trabalho principalmente para o mercado editorial. No final de 2016 me mudei de São Paulo para Berlim em busca de novas oportunidades e experiências que possam enriquecer meu trabalho.

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// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Gosto de mexer com tinta, principalmente com o guache pela possibilidade de trabalhar com texturas e pela experiência gostosa de misturar cores para criar outras novas. Também trabalho no computador e estou tentando aprimorar minhas técnicas digitais.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Ver o trabalho de outros artistas e aprender sobre eles é inspirador. Gosto de entender sobre processos criativos e as razões que levam uma pessoa a desenvolver um trabalho artístico.

// Como é o seu processo criativo?

Gosto de começar escrevendo e a partir de palavras criar pequenos infográficos que vão gerando ideias. Eu coloco no papel tudo que vier na cabeça, mesmo aquelas ideias mais óbvias que eu sei que não vou usar, assim consigo ter uma visão geral dessas várias possibilidades.

Coletar, organizar e colocar no papel todas essas informações é um bom ponto de partida para criar algo novo.

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// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Estou tentando estudar mais sobre arte e vou a museus com frequência. Fora isso procuro ler bastante. Ouvir música quando estou trabalhando também me ajuda a manter o foco.

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// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Recentemente colaborei com o "Pins won’t save the world", um projeto criado pelo estúdio Sagmeister & Walsh de Nova York. Criei um dos vários pins que estão sendo vendidos no site e a renda é toda revertida para causas que podem estar ameaçadas pelo governo Trump nos Estados Unidos.

Fiquei muito contente de ter contribuído com o projeto. É muito bom saber que através do meu trabalho posso ajudar a melhorar um pouco esse mundo caótico que a gente vive.

Além disso, é uma honra ter meu nome vinculado a um estúdio tão importante e ao lado de designers e ilustradores que admiro.

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// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

O momento que decidi abandonar a carreira de estilista para tentar ser ilustradora foi marcante. Eu estava me estabelecendo em São Paulo, morava sozinha e tive que voltar para a casa da minha mãe no interior para tentar começar do zero outra profissão. Foi uma fase de muita insegurança e dúvida mas que trouxe bons frutos e me fortaleceu.

Mas acho que o momento que estou agora me parece mais decisivo. 2016 foi um ano difícil para mim e por razões pessoais até pensei em desistir de desenhar. Eu vim para a Alemanha sem ter ideia do que iria acontecer e inclusive com vontade de fazer outra coisa, deixar a ilustração de lado por um tempo. Mas chegando aqui muita coisa aconteceu e eu amadureci muito nos últimos 5 meses, minhas perspectivas mudaram e   muita coisa ficou clara na minha cabeça. Essa mudança, tanto física como mental, me fez rever todo o meu processo de trabalho e enxergar o que eu estava fazendo de errado e por quê.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Gosto especialmente de arte e design moderno e alguns dos meus artistas preferidos são Stuart Davis, Sonia Delaunay, Paul Klee, Anni Albers, Albert Gleizes, Paul Rand, Saul Steinberg, Ping Zhu e Roman Muradov.

Acredito que algumas influências refletem em minhas escolhas cromáticas e no uso das formas geométricas e simplificadas.

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// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Me considero uma pessoa privilegiada e nunca sofri nenhum tipo de preconceito dentro da profissão que escolhi. Mas sim, o machismo existe e infelizmente muitas mulheres são impedidas de se expressar livremente. Ao mesmo tempo, é lindo ver mulheres se unindo e se ajudando. Tenho visto muitos projetos feministas surgindo, o que mostra que e arte e a ilustração tem um papel fundamental na luta contra o machismo.

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// E o que te faz feliz?

Me sinto feliz quando estou produtiva e quando estou aprendendo alguma coisa.

Me sinto feliz vendo um filme no cinema, quando estou perto de pessoas queridas e quando tenho tempo para cozinhar.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações ?

Acho que o mais importante é você acreditar no seu trabalho. Independente se você está começando e não tem experiência, confiar em si mesma te dará forças para continuar produzindo e não desistir diante das dificuldades.

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// Você tem algum novo projeto em andamento?

No momento estou super focada em estudar pois quero amadurecer meu trabalho e me preparar para novos desafios profissionais, mas também estou produzindo alguns trabalhos autorais que quero disponibilizar para venda. Ainda não decidi se vou ter uma loja online mas estou começando a firmar parcerias com estúdios, galerias e lojas aqui de Berlim. Penso em levar algumas coisas comigo na próxima vez que estiver no Brasil e tentar parcerias por aí também.

Além disso, diante de tantas coisas ruins que tem acontecido no mundo, tenho pensado em maneiras de ajudar a mudar esse cenário através do meu trabalho. Ainda não decidi exatamente o que vou fazer e preciso amadurecer algumas ideias, mas gostaria muito de poder colaborar de alguma forma.

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