m
Olivia
O’Shea
Chile
vivendo em Santiago . Chile
28 anos . artista

Me chamo Olivia, tenho 28 anos e sou artista visual.

Estudei artes na Universidad Católica de Chile e logo em seguida fiz cursos de pós-graduação na Saint Martins School of Arts em Londres. Sempre trabalhei o campo pictórico, a partir de diferentes materiais e técnicas. Hoje me dedico principalmente a aquarela em grandes formatos.

Paralelamente ao meu trabalho artístico, sou diretora criativa da Casa Kuc, um projeto social que resgata as antigas técnicas artesanais do sul do Chile.

Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

A cor e a mancha, as transparências e as texturas... e as muitas combinações que estas vão gerando através da sua combinação.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Creio que a natureza seja sempre uma fonte de inspiração, de onde nascem todas as formas, cores e texturas. No meu caso, gosto muito do mundo micro e do mundo macro... Ir jogando com a descontextualização da imagem e ir encontrando formas orgânicas novas é o que eu gosto, daí surgem minhas referências.

Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

O processo para ir criando a minha obra se dá a partir de um diálogo entre eu e o material, de uma busca constante por descobrir seus limites. Eu gosto de tirar o máximo proveito e respeitar o diálogo que pode surgir. Por exemplo, no caso da aquarela, eu gosto de brincar com as quantidades de água, tornando as transparências mais invisíveis e ir construindo a partir delas milhares de camadas que formam minhas obras.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Me obrigo a criar. Para mim é muito importante estar trabalhando constantemente a imaginação e as técnicas, só assim aparecem as ideias e os projetos.

Essa imagem do artista bloqueado, de que não pode criar porque não está inspirado, é no meu ponto de vista, falsa. Em todos os trabalhos é preciso obrigar-se, ser responsável e estar constantemente se pressionando; se você se deixar, nada aparecerá. A criatividade para mim, também é um trabalho, não é um dom que chega de um segundo para outro.

Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Agora estou trabalhando em uma série que está me deixando muito motivada, que se trata de “Cielos y Suelos” – Céus e Solos – onde estou investigando fotografias antigas de minha própria autoria para usá-las como referência para a abstração na aquarela.

Tem sido um trabalho no qual eu volto a olhar para trás, a buscar em antigos registros o que havia me encantado neste mundo. No fundo, tem sido também uma análise retrospectiva da minha própria pessoa e história.

Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Sim, há 3 anos eu tomei uma decisão importante na minha carreira. Ser artista é complicado, nem sempre se ousa, nem sempre se tem bons resultados, é um jogo de tentativa e erro que muitas vezes destrói. Por essa razão, eu estava longe do meu próprio trabalho, trabalhando em projetos criativos mas não criando. Me faltava isso e eu não sabia como começar novamente, queria começar do zero.

Assim, decidi tornar literal e “começar do zero”, experimentando materiais completamente novos para mim e investigando com eles algo diferente. Foi assim que nasceram as “Conexiones”, trabalhos em aquarela que foram uma espécie de surpresa para mim; me encantaram desde o primeiro dia, desde seus longos processos até os resultados e as criticas do público (e isso nem sempre acontece com a arte, é difícil encontras as 3 coisas juntas). Além disso, e o mais lindo, é que foi o redescobrimento de mim mesma, que apesar da intenção de “começar do zero”, não foi nada mais do que voltar à mim e à minha visão das coisas. Tudo tinha muita relação com meu trabalho anterior.

Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

As influências artísticas no meu trabalho não são tão diretas, creio que todo artista que vou conhecendo é, de alguma maneira, influência. Seja esse novo ou consagrado, eu goste ou não do seu trabalho, sempre ficam lembranças no inconsciente. Se tiver que nomear hoje, eu gosto do uso das cores nas fotografias do Wolfgang Tillmans, admiro a valentia de Ai Wei Wei e nunca deixarei de me impressionar com o claro e escuro de um Caravaggio.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Não, não me sinto prejudicada. Eu acho que se eles ainda existem, não devemos assumir o controle. É um problema para aqueles que os possuem. As mulheres sempre tiveram uma capacidade criativa infinita e a boa arte é valorizada independentemente do sexo do autor.

Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Muitas coisas. Minha família, meus amigos e ter a possibilidade de trabalhar no que eu gosto.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Que trabalhem e que jamais se rendam por comentários dos outros.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sempre tenho projetos em mente, milhares para ser sincera. Eu amo fazer coisas novas, investigar e aprender, sair da zona de conforto e ver o que acontece. Estou desenvolvendo algumas dessas ideias, umas mais encaminhadas que outras... Estou estudando novos formatos, materiais e ferramentas, o plano é sair do papel, experimentar as telas e paredes.

Olivia O’Shea por Projeto Curadoria
COMPARTILHE
b
//+entrevistas