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Monalisa
Borelli
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
23 anos . designer . ilustradora

Olá, me chamo Monalisa Borelli mas todo mundo me conhece e me chama de Mona desde sempre. Sou designer gráfico e artista. Apesar de ter me considerado ilustradora de personagens durante muito tempo, de uns tempos para cá, percebi que outras áreas como a arte contemporânea me atraem bastante e gosto muito de incorporá-las nos meus trabalhos. Como uma boa libriana, ainda não consigo exatamente me decidir que estilo seguir nos meus projetos, mas um lado meu diz que devo me expressar conforme me sinto melhor e que assim, quase que automaticamente vou acabar criando coisas nas quais me identifico e que farão parte de mim como um todo. Talvez não conseguirei dizer tudo o que pretendo, pois sempre estou com a cabeça a mil e sempre mudando como um camaleão, ou seja, o que eu gosto hoje posso não gostar e nem me identificar mais amanhã, mas de alguma forma isso faz parte de quem sou.

Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Uso principalmente a aquarela por gostar da fluidez, das cores e da mistura que ela proporciona. Mas dependendo do trabalho, também uso marcadores e canetas, se busco algo mais preciso e definido. Por gostar muito de quadrinhos e querer seguir caminho também por aí, a escrita está presente de uma forma bastante significativa, assim como o design. Aliás muito do meu trabalho parte inicialmente de alguma frase que passou pela minha cabeça em algum momento. Ás vezes uso da fotografia, mas muito mais para registrar memórias e referências.

Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Colocar para fora tudo o que eu sinto, seja algo bom ou ruim, experiências da vida, coisas que me cercam no dia a dia. Gosto muito também de criar minhas próprias histórias, personagens e me expressar através deles. Como gosto de criar baseando-me em sentimentos, o momento passado, presente e futuro me inspiram. Ir à museus, ateliê de arte, centros culturais e lugares onde estou em contato com o design gráfico e a arte me inspiram imensamente, pois me encontro um pouco mais nesses ambientes.

Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Para o design, costumo dar um tema para tudo, e vou criando o que preciso em cima disso, testando cores, formas e textos, mantendo sempre em mente que sensação eu quero passar para quem entra em contato com a arte final, seja ela uma publicação para a internet ou algo mais elaborado. Nos desenhos é diferente, dependendo de onde estou, anoto a ideia que passou pela minha cabeça e em seguida para o sketchbook. Acontece muito de ela morrer no caderno, mas normalmente passo para o papel aquarelável e vou misturando as cores e criando texturas. O Instagram é uma ferramenta que me ajuda muito, pois é lá que encontro várias referências que acabo usando no futuro, seja em texto ou imagem.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Carrego meu pequeno sketchbook para cima e para baixo, mesmo se não usá-lo no dia, só de estar com ele me faz não me afastar da arte como já aconteceu antes. Costumo também conversar e ler sobre arte com amigos, frequentar feiras independentes, participar de sessões de modelo vivo sempre que posso, algo que me estimula muito, pois gosto demais de desenhar figuras humanas, além de estar sempre buscando conhecimento de algum jeito, não necessariamente em artes, mas em tudo que tenho vontade. Fazer cursos que me interessam e que me mantenha no meio de pessoas criativas e mente aberta são um estímulo essencial.

Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Meu projeto favorito é um grupo de personagens chamadas “As Superestrelas” que criei em 2006 como hobby durante o Ensino Fundamental. Na época eu gostava bastante de desenho animado e isso me influenciou muito, inclusive comecei a animar na época por causa disso. Elas nasceram durante alguma aula na escola e comecei a criar histórias em torno delas, então até hoje elas já foram muita coisa. Quando entrei na faculdade acabei por abandoná-las, mas hoje quero retomar e dar mais personalidade à elas, e inseri-las no contexto atual, mais real.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Quando decidi fazer intercâmbio por 1 ano na Coreia do Sul. Já não desenhava tanto antes de ir e durante o período que fiquei por lá, isso decaiu mais ainda. Entretanto me conectei bastante com a fotografia e através dela registrava todos os momentos, pois queria ficar perto deles o máximo possível. Apesar de ter demorado quase 1 ano para voltar à arte depois de voltar ao Brasil, todas as experiências que vivi por lá me influenciam, seja na arte ou no design. Sinto como se fosse uma parte muito grande de mim, onde eu me senti mais perto de me encontrar. Recentemente tive muitas crises de ansiedade e pânico, além de baixa auto-estima, o que, surpreendentemente, me fez externar muito daquilo que sentia, pois a necessidade era muito grande. A partir daí meu trabalho começou a tomar outra forma, por isso para mim ele ainda parece muito inconstante e “longe” do que eu costumava ser, não parece ser meu ainda, honestamente ainda estou me familiarizando com ele. Mas a gente muda durante a vida, não é?

Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Minhas influências são inicialmente pessoas próximas à mim, principalmente amigos muito próximos e que são ligados à arte também. Sou muito fã de ilustradoras como a Loish, a Laura Athayde, Audra Auclair, várias artistas coreanas como a Hye Kang e a Juliette Kim e no design gráfico amo o trabalho da Bárbara Malagoli (a paleta de cores dela me encanta!). Formas de expressão como a moda coreana e japonesa e seus respectivos estilos de vida e a fotografia também me atraem muito, por conseguir passar para o meu trabalho o que mais me identifico nessas áreas.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Com certeza. Sempre esperam que a mulher se expresse “mas não tanto” porque ninguém deve ficar sabendo demais, porque não deve se expor demais. Então acabam restringindo toda a capacidade dela em caixas pré-selecionadas com o seu comportamento mais aceitável. É péssimo pois repressão delimita não só a sua capacidade de expressão mas como pessoa como um todo. Como eu acabo me expressando meio que subjetivamente e através de desenhos, acabo não sentindo muito isso, mas se tento me expressar pela fotografia, ainda mais usando o meu próprio corpo, a represália é muito mais forte e acabo ficando muito mais introvertida para me expressar no geral, por acabar sempre pensando “mas e o que as pessoas vão pensar se verem isso?”

Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Estar ao ar livre, e às vezes com pouca gente, já que assim consigo colocar meus pensamentos em ordem. Mas se estou num meio que gosto bastante, me sinto bem e me inspira, não me incomodo muito se tem bastante gente (como nas feiras), é uma forma nova de fazer amigos. Viajar é outra coisa que me dá um gás. Adoro conhecer lugares e culturas novas, entender como o mundo realmente funciona e adentrar um pouco mais na cultura local e nos pequenos detalhes de fazer coisas do dia a dia. Me imagino muito levando uma vida em lugares diferentes, incomuns, sem rotina. Conseguir entender o meu corpo é outra forma de me fazer mais feliz, pois fico cada vez mais perto de saber quem realmente sou e abraçar isso sem medo. Viver sem medos paralisantes me deixam muito mais feliz e produtiva.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Sei que pode parecer complicado inicialmente, mas não pensar demais é a chave. Pois se pensamos demais acabamos engessando e nunca aproveitando o processo de criação. Como me disseram muitas vezes, se soltar é a melhor coisa, independente do resultado final. Não se comparar com outras pessoas não só artisticamente mas em geral ajuda a levar uma vida mais leve e menos assustadora. Experimente todo o tipo de material que sentir vontade de experimentar, é assim que acabamos descobrindo um pouco de nós mesmas e dar voz ao que pensamos, pois é disso que precisamos: de mais mulheres que coloquem sua voz no mundo. Não deixar o medo tomar conta de ti.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Tenho vários em mente mas por hora estou me focando na re-criação dos quadrinhos das Superestrelas, que mudará de nome, de história, de tudo, além de trazer ao mundo uma revista\zine pessoal que vai conter muito dessa busca frenética por si mesma pessoalmente e profissionalmente. Classifico como sendo uma zine de decisões iniciais, algo difícil para a libriana que sou, mas espero que trará uma luz não só para mim como para quem a ler e se sentir acolhido por ela. Manter-me em paz comigo mesma é o maior dos projetos, pois só assim consigo fazer tudo o que quero funcionar.

Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
Monalisa Borelli por Projeto Curadoria
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