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Miriam
Brugmann
Argentina
vivendo em Rio de Janeiro . RJ
31 anos . artista . ceramista

Meu nome é Miriam Brugmann. Trabalho como artista plástica, e meus principais meios de expressão são a pintura e a cerâmica.

Nasci em Córdoba, Argentina, e com 24 anos saí do país para morar um tempo sozinha na Bahia. Fiquei lá por 6 meses, voltei para a Argentina e fiquei por lá quase 1 ano, sempre sabendo que queria voltar para o Brasil, mas para uma cidade grande, que poderia ser São Paulo ou Rio de Janeiro. Escolhi o Rio por causa do mar e da natureza, depois me apaixonei por tudo, até pelo caos que o Rio também é.

Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Mais que tudo a pintura, tinta acrílica, guache, látex na rua, e a cerâmica que é um mundo de materiais e fórmulas químicas.

Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Me inspira muitas coisas.

Me inspira muito a rua, por isso gosto de morar em cidades grandes.

Me inspira a vida cotidiana das pessoas, o jeito delas deixarem seus espaços bonitos, fazendo altares para deuses, santos e orixás nas lojas, nos bares ou nas casas de família. Adoro ver as pessoas na rua, as roupas, amo as pessoas se expressando e se fantasiando de algum jeito.

Me inspira também a natureza, folhas, árvores, a calma que não diz nada concreto mas de alguma forma te fala sobre a sabedoria que dela vem.

Me inspiram as culturas ancestrais, os povos da América Latina, os rituais, a conexão com essa dimensão de entidades que eles tem. Acredito muito nisso, me faz bem acreditar, mesmo sabendo que nada é muito verdade, a verdade é o que nós escolhemos para que seja nossa realidade, nunca estamos sozinhos, né? Temos que concordar pelo menos com algumas pessoas, e por ai vai!

Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Gosto muito de absorver muitas informações, informação em palavras e informação visual também. Gosto de ler muito, mesmo que nesse momento esteja meio difícil porque estou muito dispersa... Mas tento pelo menos me focar para ler algumas horas por dia, ou também ouvir pessoas que gosto, mulheres feministas, ou filósofxs. Enquanto pinto coloco palestras no Youtube.

Visualmente vejo muito na internet, arte e design.

Tudo isso mais a natureza e a rua fazem minha inspiração. Absorvo tudo isso e depois transformo em imagens.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Absorver e transformar.

Sair dos lugares onde me sinto cômoda, para fazer coisas diferentes. Nem sempre consigo, mas também faz parte do processo criativo aceitar quando nada dá certo, e aceitar a frustração. Nos momentos em que nada sai, tento conhecer coisas novas, ou fazer cursos, conversar com pessoas de outras disciplinas.

Sair, viver a vida, fazer atividade física.

No mundo tem tanta coisa acontecendo que isso também inspira a criatividade, acho que nós latinoamericanos temos uma coisa a nosso favor, a gente quase sempre tem que dar um jeito para ir vivendo nesse mundo, isso nos mantém criativos também.

Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Meus trabalhos e projetos preferidos são os trabalhos onde alguém me contrata e fala para mim "Faz. Eu confio que vai sair bom" com algumas indicações mas deixando que eu crie com confiança. O motivo é que as vezes é difícil se comunicar direito para entender 100% o que alguém quer, no caso de ser contratado, então essa confiança dá liberdade e no meu caso o trabalho sai melhor, mais rápido.

Outro trabalho ideal (mas que ainda nunca me aconteceu) seria alguém falando para mim que tem tanto dinheiro, que posso fazer o projeto que eu quiser que ele pagará tudo... hahaha... O motivo aí é óbvio, né?

Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Os momentos decisivos sempre, de alguma forma, fui eu mesma que me levei para lá. Por exemplo sair da Argentina, onde já tinha tudo quase construído, a família e os amigos, para ir pro Rio, onde não conhecia ninguém.

Não sabia o que acontecia no mundo da arte e da cerâmica, foi tenso, passei muitos momentos ruins, ruins mesmo. Mas aqui estou hoje, graças às pessoas que estiveram aí presentes, firme e forte e confiaram em mim. E lógico graças à família que sempre me apoiou em tudo, tanto emocionalmente como economicamente. Isso faz toda a diferença na hora de tomar riscos, você sabe que qualquer coisa tem uma rede que vai te ajudar. Nem todo mundo tem isso sempre.

Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Nesse tempo percebi que todas as minhas artistas preferidas são mulheres, mesmo tendo estudado arte e só conhecer a Frida Kalho (porque é a única mulher no mundo que fez arte segundo a história da arte) sempre me senti identificada com trabalhos de artistas mulheres latinoamericanas, no Brasil a Tarsila do Amaral, e Djanira da Motta e Silva, que conheci quando cheguei no Rio e me apaixonei.

E entre os artistas atuais tem meu grande amigo e irmão Martin Russo, artista visual e plástico, que não usa nenhum meio virtual para mostrar o trabalho dele, mas deve ter alguma coisa por aí na internet, a Paula Duro, artista Argentina que admiro muito e o Tainan que é um amigão do Rio, que amoooo o trabalho dele e trabalhar junto com ele.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sinto que isso mudou muito, muito mesmo, quando eu comecei, que não parece que é muito tempo, mas já tem quase 10 anos, comecei pintando na rua e organizando eventos de arte. Na rua era muita diferença, ainda é, a rua é o lugar mais machista para mim.

Sempre ser mulher foi ser menos, nos ambientes legitimados da arte, no geral a arte da mulher nunca chega a ser o que se considera "sério".

Eu sempre acreditei no meu trabalho, me esforcei e trabalhei muito, fiz e ainda faço tudo o que dá e tento quebrar essas estruturas criadas 90% pelos homens do que é arte e o que não é.

Como mulher é sempre o dobro de esforço, agora eu acho que nós mesmas estamos ficando mais conscientes, cada vez estamos organizando mais coisas nós mesmas e chamando outras mulheres para fazer parte, e é assim que funciona. Então o problema não é se expressar livremente, o problema é os espaços que legitimam as vozes da arte, quem diz o que é arte e o que não é. Eu não acredito no conceito de arte como uma coisa para poucos e fechada, mas como tudo é um relato e também tem que ser desconstruído e repensado constantemente. Como mulheres temos que falar sobre nossa arte, nos apoiar e empoderar umas as outras e criar nossa história da arte, fora dessa ideia de arte do discurso oficial, hegemônico e patriarcal.

// E o que te faz feliz?

Me faz muito feliz ficar com amigxs e pessoas queridas, andar de bike, comer açaí, ir pra praia sozinha. Pintar, viajar, fazer cerâmica, fazer amor, beijar, ficar na natureza, cozinhar, ler, tomar um café bem gostoso, cuidar das plantas, comer, que a casa esteja arrumada... Tudo isso.

Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Trabalhar muito... hahaha... Acho que é muito isso, se dedicar 100% a seu projeto, e ter fé, sempre, saber que vai dar certo. Se você duvida não tem como, tem que ter muita fé e muito trabalho, todo dia.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Tenho sim, mas não posso contar muito no momento. Por enquanto posso falar de uma exibição em Buenos Aires e outra em Cordoba no contexto do festival da diversidade 2017. Os projetos pro ano que vem ainda não posso contar.

Miriam Brugmann por Projeto Curadoria
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