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MAPEAMENTO DE PERFIL DE
MULHERES CRIATIVAS BRASILEIRAS
DO PROJETO CURADORIA
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*O resultado será divulgado em forma de infográfico neste site
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Milena
Benavides
Colômbia
viajando pelo mundo
artista . tatuadora

Eu sou Pastusa - Nariñense - Colombiana

Nasci na maravilhosa cidade surpresa - San Juan de Pasto, no sopé do majestoso Vulcão Galeras, entre montanhas de verdes infinitos, lagoas, cachoeiras, espaços cheios de ancestralidade, cor e magia andina.

Na minha cidade, estudei Artes Visuais como um chamado da alma, depois da minha primeira experiência com a Yagé (planta medicinal) fui guiada por minha mãe, que realizou um estudo sobre mitos, leis e cura ancestral. Graças à minha conexão com esta energia vital, pela primeira vez na minha vida, senti que poderia preencher um espaço para me expressar e me sentir livre. Nunca me senti relacionada com a educação tradicional. A ação artística, paralela à vida cotidiana, costumes religiosos, foi o que deu origem à minha presença ativa neste universo.

Desde quando eu era criança, sentia uma sensibilidade extrema para as cores e comecei a me expressar com elas, as formas geométricas, os contrastes e a degradação que compõem as imagens, me levaram a investigar a luz, suas manifestações, camadas de percepção (real-imaginário-conceitual) como principais elementos de formação, tentava quebrar todas as palavras, todas as ações, encontrar o suporte de diferentes teorias da física, como: a óptica quântica, a teoria do caos, a fractalidade, entre outros. Eles deram uma poética com a qual consegui expressar minha linguagem, a abstração é a presença silenciosa e decifrável, assim como meu ser = Um (ponto) com sua ação ativa (linha) integrada ao todo (espaço) - nossa razão - alma e o espírito é descodificado na criação, compartilhado, complementado, transformado e integrado: luz = energia em transformação = arte = amor

Minha estratégia era expressar com códigos, esconder em abstração, descobri na minha criação, meu silêncio, minha máscara, minha concha: meu medo.

Para arriscar a mudança, passaram 6 anos e experiências contínuas de vida - morte - vida. Eu mudei minha vida confortável e tradicional, vendi todos os meus pertences materiais. Eu saí incompleta e cheia de medos para viajar com o peso leve da minha mochila (eu carregava comigo apenas o peso que meu corpo poderia carregar), juntamente com o que eu achava que precisava renascer, amar de novo; eu precisava me sentir livre em mim.

As estradas da América Central e do Sul são meus professores. Troquei o retorno às universidades com suas aulas tradicionais, para minha viagem. Eu levei uma vida "primitiva" de criação artística e existencial, trocar como uma ferramenta para subsistir e entrar em mundos diferentes, decodificando, acreditando, simbolizando e respirando neles.

Chegar ao Brasil foi e ainda é uma grande surpresa, um presente mágico do caminho, com experiências em alto contraste, consegui renascer, na minha busca contínua de minha manifestação como ser através da linguagem artística

Milena Benavides por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Nanquim, papel, lona, madeira, lápis, tinta a óleo, acrílica, pastel oleoso, materiais e suportes experimentais e a tatuagem.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Sinto que cada criação artística com intenção positiva, é um tecido energético de ação ativa dentro do caos existencial, assim o que me motiva é ser parte desse ponto em movimento. Como na teoria do caos e na composição elementar: cada um somos uma partícula em ação que pode desencadear em cada traço uma revolução criativa no espaço (em diferentes escalas). Isso me motiva a ser capaz de ir mais longe e ajudar, me sentir questionada, contemplativa, gestora, criadora para poder transmitir e recordar cada vez que esqueço de sorrir.

Milena Benavides por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

No meu processo criativo me utilizado de simbologias e canais literários para ler os limiares sensíveis que chegam a mim, assim vou além do óbvio, envolvendo meus opostos e criando uma narrativa que me sinta livre. Aprendi a agradecer a presença de cada elemento, simbolizo sua manifestação – sinto que decodifico sua presença concreta, matéria; crio meu mundo entregando todo meu amor nele.

Milena Benavides por Projeto Curadoria
Milena Benavides por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

O dia a dia tem seu momento de inspiração, para mim é muito importante observar e questionar-me, ir além do estimulo dos meus sentidos, essa inquietude eu escrevo, desenho e tento manifestá-la para ativar cada conexão que leva a uma nova ideia.

Milena Benavides por Projeto Curadoria
Milena Benavides por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Decidir viajar, todo esse processo tem sido uma ação performática, a troca como meio de intercâmbio da minha arte por novas experiências: aprendizagem, comida, espaços, sorrisos, lágrimas, medos, críticas, amor, felicidade, cada passo ressignificou minha consciência, minhas crenças, minha força e doçura em relação ao meu próprio amor (continuo na busca).

Milena Benavides por Projeto Curadoria
Milena Benavides por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Nesse ponto do meu processo criativo tem sido auto-referencial e não quero ignorá-lo. É puro sentimento (além da romantização de conceitos) que, para criar, precisamos, como somos livres, aceitar e curar nosso ninho, nossa raiz, a essência vital que escolhemos como espaço e professor. Nesse momento presente, estou curando meu passado e eu integro cada linha energética de luz que projetou e refratou minha existência. Minhas musas, minhas células: meu pai, minha mãe e minha irmã.

Sinto um impulso por entrelaçar mundos e essa influência foi a poética dos meus desenhos e pinturas, criar analogias e metáforas entre a ciência e a arte me levou a quântica, o fractal, as teorias físicas do processo elementar da criação (ideia – imaginário – imagem).

Artistas, escritores, músicos, cientistas, todos os seres: Gaston Bacheleard, Mandelbrot, Fibonacci, Gustavo Cerati, Björk, Humberto Eco, Kandinsky, Miró, Jorge Wagensberg, Poloock- Gabriel Garcia Marquez, Yoko Ono...

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim e o mais triste é que consciente ou inconscientemente é de umas para as outras mesmas, até com nossa própria pessoa e nosso próprio mundo (em diferentes escalas de intensidade e diferentes contextos).

O preconceito é julgar e não contribuir positivamente frente a uma ação que sai da nossa zona de conforto, é a indiferença e o incomodo; é aceitar tornando invisível nossa não-conformidade, é o silêncio. É duvidar do amor com nós mesmas e nossa contínua comparação.

A partir desta pergunta inicial, nascem sementes e dou graças por encontrar no meu caminho o apoio de mulheres com quem eu possa crescer, o mais bonito nesse caminho é que eu tenho fé que estamos nos curando juntas. Uma ação mínima tece e entre nós em nossa união está o mistério, a luz.

Milena Benavides por Projeto Curadoria
Milena Benavides por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

É uma sensação indescritível poder ajudar e levar uma mensagem com meu processo criativo, tento abraçar com uma imagem e conectar caminhos, criar laços, aprender compartilhando e no final de cada dia agradecer por cada nova inspiração e oportunidade em que abracei meus medos e dei um passo a mais.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Amar-se, tudo começa a partir daí, é o início da energia de ação positiva, para se comunicar e fazer tecido. A criação; a arte é energia em transformação, todos nós somos, é arriscar-nos a comunicação e transmiti-la.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Os mistérios da vida abriram o meu caminho para que meus passos chegassem ao estúdio de Catarina Gushiken, aqui eu renasci, aprendendo novos ritmos de processos criativos, sua luz iluminou meu campo de ação. Com esse incrível processo, a tatuagem chegou a minha vida, estou aprendendo a tatuar com a técnica de Handpocked (sem intervenção de máquina), a tatuagem direto com a agulha, ponto a ponto.

A tatuagem vem à minha vida como uma semente, para integrar minha simbologia, comunicar e estabelecer conexão com o outro. O Handpoked me reconecta com minha ancestralidade ao transmiti-lo em cada ponto; o símbolo é a apresentação da energia da proteção da natureza (kim maya, plantas medicinais, linhas, geometria, formas) e levá-la ao corpo, faz com que a ação da pintura ultrapasse a pele.

O momento da criação é um ritual e o desenho de um símbolo dessa energia transmutada aumentando quando atinge a pele.

Milena Benavides por Projeto Curadoria
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