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Mary
Cagnin
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
26 anos . ilustradora . quadrinista

Sou formada em Artes Visuais e trabalho com ilustração. Faço quadrinhos desde sempre e tenho duas publicações: o Vidas Imperfeitas, que foi publicado pela editora HQM e o Black Silence que foi lançado em 2016 de forma independente. Além disso, produzo conteúdo pro meu canal do Youtube, que é voltado para artes, aquarela e tutoriais.

Mary Cagnin por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Meu canal de expressão sempre foi o papel. Desde a escrita até o desenho, mas eu não costumo me limitar, gosto de experimentar de tudo e deixar a criatividade fluir.

Como sempre gostei de contar histórias e de desenhar, o quadrinho foi uma coisa natural pra mim, e eu não consigo me ver fazendo outra coisa. Pra dizer a verdade, eu faço muitas coisas ao mesmo tempo, o que pode ser uma bênção e ao mesmo tempo, uma maldição.

É difícil manter o foco, mas é esse caos que também me mantém criativa.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A vida. Ok, parece um pouco clichê, mas é verdade.

Uma música, um verso, uma frase, uma paisagem, uma viagem, uma pessoa, uma ideia... qualquer coisa que me chame a atenção ou me toque de alguma forma é capaz de me inspirar.

Eu vivo o estilo de vida que me permite estar sempre em movimento e sempre me reinventando, pois acabo me entediando muito fácil também.

Mary Cagnin por Projeto Curadoria
Mary Cagnin por Projeto Curadoria
Mary Cagnin por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Não existe uma regra, mas no geral gosto de carregar comigo cadernos de desenho pra poder registrar ideias ou rabiscos de coisas que podem - ou não - virar algum projeto.

Às vezes, trabalho numa ideia por muito tempo até amadurecê-la, e às vezes as ideias chegam como um turbilhão e eu preciso coloca-las pra fora.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Leio livros, ouço músicas, assisto a filmes e séries, vou ao cinema. Gosto também de acompanhar o que outros artistas estão fazendo, pessoas que admiro. Os cadernos de desenho também ajudam muito porque posso folheá-los e encontrar alguma ideia que ainda não usei.

O segredo para manter-se criativo é buscar sempre novos estímulos para a criação e ao mesmo tempo, respeitar os momentos em que é preciso parar para descansar e refletir.

Gosto de ter a liberdade para sair durante a semana, dar uma volta no parque, conversar com um amigo num café... às vezes, é isso o que preciso pra encontrar de novo a motivação pra continuar.

Mary Cagnin por Projeto Curadoria
Mary Cagnin por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

De quadrinhos tenho o Vidas Imperfeitas que é especial pra mim pois foi minha primeira publicação e me acompanhou numa fase difícil, que é a passagem da adolescência pra vida adulta.

Já Black Silence representa tudo que aprendi nesse meio tempo, e considero um trabalho muito mais maduro, que exigiu bastante de mim como quadrinista e contadora de histórias.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Tudo mudou quando, aos 18 anos e prestes a prestar o vestibular, decidi divulgar na internet a primeira versão do Vidas Imperfeitas, ou “Vidas” como foi carinhosamente apelidado pelos leitores.

Até então eu nunca havia mostrado nenhuma das minhas histórias, e acabei tendo uma receptividade que eu não esperava. Isso me motivou a continuar produzindo e a seguir o caminho das Artes, fazendo aquilo que eu acreditava.

Mary Cagnin por Projeto Curadoria
Mary Cagnin por Projeto Curadoria
Mary Cagnin por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Uma das minhas principais influências foi o mangá. Eu cresci desenhando mangá e usando-o como referência para as minhas criações.

Mais tarde, tive contato com outros quadrinistas como Neil Gaiman, e percebi que havia um universo incrível que eu não conhecia.

Também me inspiro pelos grandes artistas e pintores, como Van Gogh e Toulouse-Lautrec e também por ilustradores modernos como Stunkid e Agnes Cecile. Todos eles me influenciam de alguma forma.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Esse preconceito ainda existe, mesmo que muitas vezes sutil ou disfarçado. Em certos momentos, ele é mais direto, mas depende muito da área e das pessoas envolvidas.

O importante é não deixar que isso nos afete, mesmo que seja difícil,  a ponto de desistirmos de algo por causa disso. Sou ariana, então eu uso situações como essas como combustível para minhas produções, rs!

Mary Cagnin por Projeto Curadoria
Mary Cagnin por Projeto Curadoria
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// E o que te faz feliz?

Fazer o que eu acredito, o que eu sinto que preciso fazer, porque sem isso, as coisas perderiam o sentido.

Não é questão de felicidade, mas de sentir que estou no caminho certo, fazendo algo relevante pra mim e possivelmente para as pessoas ao meu redor.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações ?

Nunca deixem que lhe digam que você não é capaz, que não nasceu pra isso, que deveria estar fazendo qualquer outra coisa que não seja o que você quer fazer. Não existe caminho certo ou errado, existe o caminho que escolhemos. Nem sempre vamos acertar de primeira, mas o importante é tentar.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

No momento não tenho nenhum projeto concreto, apenas muitas ideias de coisas que gostaria de fazer. 2016 foi um ano muito intenso e ainda estou me recuperando dele, rs!

De qualquer forma pretendo anunciar algum novo projeto ou novidade ainda esse ano, então veremos.

Mary Cagnin por Projeto Curadoria
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