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Marina
Ling Wang
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
28 anos . fotógrafa . artista

Meu nome é Marina Wang, sou de família chinesa mas nasci no Brasil. Por conta disso sempre tive dificuldade de me expressar pelas palavras, acho que por isso busco falar pela imagem, pois é uma língua universal e que transcende qualquer palavra. Me formei em Design Gráfico pela Unesp de Bauru, porém atuo mais como fotógrafa. Gosto de todas as formas de manifestação da arte e das magias, por isso gosto de estudar e experimentar coisas novas. Minha maior paixão é a fotografia, nela eu expresso a maneira que vejo o mundo, com suas belezas e desarmonias, suas cores e simplicidade, em toda a complexidade da vida. A fotografia é um desenho silencioso mas que diz muito. A segunda arte pela qual gosto de me expressar é o desenho, crio linhas que não são retas e delinío aquilo que me vem a mente. Muitas vezes é um pedaço de mim que foge da materialidade, das palavras e uma forma de me conectar com a natureza.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Tenho uma coleção de câmeras e tintas. Uso mais a D800 da Nikon para os projetos fotográficos e trabalho. Também gosto das analógicas, tenho uma Rolleiflex, Polaroid, Sprocket Rocket e a F1 da Nikon, adoro seus grãos, as cores e a peculiaridade de cada um, me dá muito a sensação de familiaridade e talvez por isso uso elas mais para fotografar as pessoas que amo. Agora, as de tinta, gosto muito de usar a aquarela, pois ela me dá uma fluidez no traço e na pintura, também tenho me arriscado nas telas com acrílica.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A minha maior motivação para criar é a junção do feminino e da natureza. Nos últimos 3 anos, tenho me conectado mais com essa temática. Nas minhas artes busco o silêncio interior, a essência, os sentimentos, o útero, a ancestralidade, a conexão com a natureza e do sagrado de tudo isso. Acho que também ajudou nessa jornada a minha busca pela espiritualidade, o budismo, o xamanismo e a ayahuasca. Nos meus trabalhos tenho tido uma conexão profunda comigo mesma e com o feminino em geral. E para mim, representar isso é transmitir a mensagem da mãe natureza que somos todos frutos da mãe terra e temos energias e memórias conectadas com a mata, com os animais, com a chuva, com a lua e com toda essa grandeza do universo.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Grande parte do meu processo criativo é intuitivo, mas sempre é algo ligado ao universo e ao feminino. Às vezes eu rascunho uma ideia, as vezes me inspiro em alguma arte e às vezes inicio o processo sem pensar no fim e ao longo do percurso a criação vai ganhando vida.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Tiro umas folguinhas durante meu trabalho, para dar espaço às coisas etéreas. Tem intervalos em que toco uma música ou outra, edito uma foto de interesse pessoal, às vezes pinto ou desenho algo. Na medida do possível vou alternando as expressões artísticas e criando brechas para a magia fluir. Procuro cultivar a sensibilidade do meu corpo para a pluralidade de manifestações da arte no meu cotidiano.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Ultimamente surgiu o projeto “A floresta que me habita” no qual busco retratar o sagrado feminino e a sagrada floresta. Para mim é através do resgate do feminino e da criança interior de cada mulher, no despertar em meio à natureza, no silêncio, no encontro consigo mesma que conseguimos ver a nossa beleza, a nossa ancestralidade e nosso poder. É essencial que este resgate ocorra na natureza, porque são nas raízes que buscamos nossos antepassados, nossas memórias. Contemplando a força do tronco de uma árvore enxergamos que também somos fortes, nos galhos colhemos os frutos e as flores das nossa luta, das conquistas e assim nos sentimos pertencentes a toda a natureza, como as nuvens, os rios de pensamentos, a areia, a folha que cai e todos os seres que a habitam.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Ter conhecido Carlos Moreira foi essencial na minha jornada, mudei muito a minha visão e a forma que lido com a fotografia hoje. E na medida que fui conhecendo as medicinas da floresta, vejo que isso me influenciou no amadurecimento do meu traço e nas minhas criações, tentando expressar com o mais sincero sentimento de como vejo o mundo.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Tenho vários preferidos, mas não posso deixar de citar o Bresson, Elliot Erwitt, Annie Lebovitz, Pierre Verguer, Sebastião Salgado e Vivian Mayer, fotógrafos de rua, que capturam a vida, as coincidências, as ironias, o apaixonamento de estar vivo. Também gosto das cores de Klimt, Gustav Mucha,e principalmente das emoções profundas que a Frida Khalo traz em suas obras. Acho que cada um destes artistas me inspira a querer registrar a vida e trazer as cores do que eu sinto em minhas artes.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim existe, ainda é pudor falar de menstruação, a vulva, desejos.

Tenho pintado com a minha menstruação o que no começo foi um choque para alguns, mas não deixo de fazer e naturalizo ela, como uma tinta sagrada. Trabalhamos todo mês com elas e nela contêm emoções, histórias e a conexão com nossa linhagem materna, sem contar as diferentes tonalidades e texturas que ela pode dar. É uma tinta viva e dentro de nós! É através da minha arte que ponho voz naquilo que acredito, é ela que me pulsa e me move a criar.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Viajar, amar, estar com os amigos, estar com a natureza, entrar no mar, na cachoeira, observar a vida, a arte e musicar.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Acreditem em vocês. Façam aquilo que é verdadeiro para vocês e que te movem, que te inspiram. Use todo seu potencial para expressar o seu ser, pois cada ser é único. Coloque para fora, inspire as irmãs, viva a diversidade!

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Estou desenvolvendo um tarot com uma amiga, Luna Daubian. Sinto que ele é bem feminino, da noite e da lua. Sinto que é um projeto de vida e por isso estou fazendo com calma e deixando as cartas virem.

Marina Ling Wang por Projeto Curadoria
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