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Mariana
Pitta Lima
Brasil
vivendo em Salvador . BA
33 anos . ilustradora . pesquisadora

Meu nome é Mariana, nasci e moro em Salvador, Bahia. Sou ilustradora, formada em psicologia, estudante de doutorado e pesquisadora na área de Saúde Coletiva, na Universidade Federal da Bahia. Estou escrevendo uma tese na área de gênero e saúde.

Desde muito nova gosto de desenhar, mas há uns três anos que comecei a praticar de verdade desenho e aquarela, relativamente pouco tempo! Decidi criar uma conta no Instagram pra ir compartilhando os estudos. Achava que seria difícil conciliar a ilustração com a área acadêmica por conta do ritmo corrido e da produtividade exigida na pós-graduação, mas aconteceu o contrário! A ilustração me ajuda no processo de criação de textos também!

Recentemente li uma frase de Ursula le Guin que dizia que tanto o artista quanto o cientista trabalham para inspiração, isso fez todo sentido pra mim. Embora sejam formas diferentes de expressão, a pesquisa e a arte exigem criatividade, curiosidade e capacidade de comunicar. Pra criar um texto, desenho ou pintura, preciso ter e exercitar um olhar sensível para o mundo, me dedicar bastante, me interessar pela história das pessoas. Desenhar pra mim é uma maneira de estimular a criatividade, a disciplina, me expressar, me conectar com pessoas que sentem coisas parecidas e se identificam com meu trabalho.

Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Eu uso principalmente aquarela, caneta nanquim e lápis de cor. Mas gosto sempre de experimentar novas ferramentas, conhecer materiais novos.

Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Muita coisa me inspira, sou muito curiosa e atenta pro mundo. Às vezes estou andando na rua, vejo uma folha bonita e tenho vontade de desenhar. Fotografo e depois transformo em desenho. Acontece alguma coisa engraçada no meu dia, converso com alguém, ouço uma música, o doutorado, filmes, séries, uma coisa gostosa que comi. Minha cidade, o mar, a natureza, as galáxias e o universo. E o trabalho de outras artistas, claro! Fico horas olhando o Pinterest. Sempre que dá visito exposições também.

Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
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// Como é o seu processo criativo?

Eu imagino uma cena na cabeça e quero passar pro papel, materializar. O resultado nunca é igual ao que imaginei. Também gosto de desenhar coisas aleatórias, como uma fruta, pra melhorar o traço e aprender a desenhar aquela coisa. A própria prática de desenhar ou escrever desenvolve meu processo criativo. Às vezes acontece também da criatividade sumir, é normal. Dou um tempo, vou fazer outra coisa, como cozinhar. Gosto também de ouvir música e só parar quando termino o desenho.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Seja para me manter criativa pra desenhar ou escrever, pratico o máximo que puder. Prestar atenção e olhar os detalhes das coisas e pessoas que passam por meu caminho no dia a dia, ler, ouvir música também me ajuda. E fotografar bastante, tento capturar as cores e as formas.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Não tem um projeto específico, mas gosto das ilustrações com inspirações botânicas e as relacionadas ao mar. Gosto visivelmente do resultado.

Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Quando decidi mostrar meus desenhos para as pessoas. Primeiro mostrei aos meus amigos, depois fui publicando no Instagram pra tentar criar um hábito de praticar. Eu ficava muito preocupada com as imperfeições, a estética e a técnica que não aprendi. Compartilhar me ajudou a não me importar tanto com isso, a gostar mais do meu traço e do resultado.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Tem muita gente, provavelmente vou me esquecer de algumas! Mas eu resolvi praticar desenho mesmo depois de ler o quadrinho Persépolis e conhecer Marjane Satrapi. Acho que foi minha influência principal. Outras ilustradoras de quadrinhos como Julia Wertz, Gemma Correll, Sarah Andersen, Sirlanney (Magra de ruim) que contam histórias que adoro com simplicidade, bem acessíveis, também me inspiram muito. Entendi que não precisava fazer uma ilustração perfeita realista pra contar histórias legais. Outros artistas que gosto bastante são Frida Kahlo, Picasso, Van Gogh e Klint, que não tem influência direta no meu traço, mas adoro as formas, as cores, e fizeram com que eu me interessasse por arte. Tem Ananda Nahu, uma amiga da adolescência, que faz painéis sensacionais pelo mundo. Conheci muita gente legal na internet também, Camila Schindler, Camila Averbeck, Mary Cagnin, Mirna Garcia. Na literatura, Neil Gaiman.

Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
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// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Existe sim! A nossa sociedade foi organizada a partir de bases desiguais de gênero (e raça, classe...) e isso se expressa em várias áreas, inclusive nas artes. Primeiro porque muitas mulheres ainda não podem se dedicar livremente a carreira que gostariam. Algumas são desestimuladas a seguir a profissão, seja nas artes ou na ciência, ou precisam abandonar por conta das múltiplas tarefas que assumem. A divisão sexual do trabalho não afetou tanto quanto deveria o trabalho doméstico e do cuidado de crianças, que ainda é realizado principalmente por mulheres. Eu vejo isso muito forte na área acadêmica, um ritmo de trabalho difícil para as mulheres que são mães, por exemplo. Mas eu acredito que a arte é também uma ferramenta importante pra enfrentar essas desigualdades, o machismo e os preconceitos relacionados a gênero. Eu não sinto que isso impacta especificamente no meu trabalho com ilustração, mas sei da dificuldade de algumas artistas.

// E o que te faz feliz?

Um monte de coisa! Tomar café da manhã, escolher ingredientes pra cozinhar, minha família, amigos, as pessoas que amo, passear no Rio Vermelho (um bairro de Salvador) depois de um dia corrido e comer um acarajé olhando o mar, viajar, conhecer lugares novos mesmo que seja na minha cidade, sentar no bar com amigos... Quando meu trabalho é reconhecido, acadêmico ou artístico. A generosidade das pessoas. Eu me acho uma pessoa sortuda. A pesquisa na área da saúde coletiva me colocou em contato com muitas histórias difíceis, e eu passei a ver a vida de outra forma depois disso. Análise é importante também. E a vida tem momentos difíceis, claro, faz parte. Mas a gente precisa tentar fazer o melhor que pode com isso.

Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
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// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Desenhar todos os dias!! Quando não der, desenhar o máximo que puder. Acho muito importante praticar bastante, não ter medo dos erros, das frustrações. Às vezes fica feio, a finalização não fica legal, na hora de aquarelar dá tudo errado... Não se preocupar tanto com a perfeição técnica e estética. Acho que o desenho tem que fazer sentido para você. Acreditar no próprio estilo, não se comparar com outras artistas. Se conhecer é importante pra produzir uma coisa autêntica. E muita dedicação.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Estou pensando em começar a desenvolver ativismo artístico. A ideia é tentar unir a pesquisa e a arte, utilizar essa linguagem como uma forma de ampliar o alcance do que produzimos no formato acadêmico. Quero também montar uma oficina de aquarela/arte pra crianças, mas isso é só uma ideia por enquanto. E também estou pensando em abrir uma lojinha pra organizar melhor minhas produções.

Mariana Pitta Lima por Projeto Curadoria
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