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Mariana
Castello
Brasil
vivendo em Porto Alegre . RS
26 anos . artista . graffiteira . tatuadora

Sou graduada como Artista Visual, trabalho com pintura sem saber ao certo a data que iniciei, pois sou filha de uma professora de Artes que me permitiu dar sequência desde cedo no que todas as crianças gostam: desenhar. Mas acredito que profissionalmente venho trabalhando na área há uns 10 anos.

Não me limito em uma só vertente, pois o desenho não me possibilitou apenas experimentar a pintura, mas carregar comigo uma das minhas grandes paixões: o graffiti, além da estrutura de criar esculturas, colagens, gravuras e atualmente me aventurar nas tatuagens e dar aulas particulares de artes.

Por isso amo tanto esse universo múltiplo das artes. Não existe monotonia quando se tem vontade de aprender e coragem de experimentar o novo.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Bah! Várias.

Caminhar é uma delas. Percorrer meu habitat, bairro ou até mesmo explorar lugares novos fazem com que eu componha códigos/signos sobre meus trabalhos, adicionando objetos que coleto da rua nessas caminhadas, seja colado, costurado ou ele mesmo servindo de suporte para receber alguma intervenção.

É bem simples: escolho tal objeto por observar onde trafego (o olhar de quem observa, de quem escuta, de quem sente) e pelo simples acaso dele me chamar atenção já imagino o que aquele corpo pode contribuir para meu processo dentro do ateliê.

Desenhar, mesclar o spray com acrílica, tinta óleo, adicionar tecidos, transparências, ironias em palavras, frases, poemas e peças diversas tornam-se minhas ferramentas desde à ideia esboçada até a prática desconstruída.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Me superar. Fugir do que já foi aceito pelo espectador ou simplesmente não cair numa repetição contínua.

Artista que muito se repete tem medo de perder uma identidade já adquirida ou por puro comodismo e medo de falhar no que torna novo.

Me inspira acordar, tomar um café e iniciar, dar sequência ou finalizar algum trabalho, nem que seja arrumar e limpar o ateliê. Estar em movimento, se alimentar de arte, estar presente, seja revisitando trabalhos antigos ou se comunicando com outros artistas e ideias.

Visitar galerias, assistir filmes, shows, escutar música ou abrir o Pinterest e ver o quanto de possibilidades ainda não explorei.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Tenho tido um ritmo diário de produção, mas nada muito regrado.

Como trabalho com freelas, ilustração, pintura, graffiti, dou aulas, faço tatuagens, não tenho um ritmo muito padrão de início meio e fim, mas procuro estar sempre conectada à algum desses processos diariamente.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
Mariana Castello por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Procuro ler bastante sobre o que venho buscando nas pinturas (camadas, transparência e poesia), assisto muitos filmes, frequento shows e exposições, seleciono meu feed nas redes sociais pra me alimentar de toda arte que me chamar atenção, tentando me alimentar ao máximo de toda informação que me favoreça profissionalmente.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Um trabalho que segue sendo meu preferido é o quadro intitulado de “Chuva” -  Pintura sobre lona, colada em Eucatex e cortada rente à lona / 2015 / 118x77cm - ao qual realizei para meu projeto expositivo de graduação da faculdade juntos com demais trabalhos que compuseram uma grande instalação no ambiente.

Tenho este como de maior carinho, pois meu projeto tinha como objetivo experienciar a pintura fugindo do plano tradicional quadrado e este fugia do bastidor para algo que fosse.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Minha graduação em Artes Visuais foi um grande marco para meu início de carreira.

Não defendo a ideia de que para ser artista seja necessário cursar uma faculdade, mas que estar presente e ter que dialogar outras linguagens é essencial para experimentar as técnicas, história da arte e saber comunicar para o espectador não só de forma artística, mas também saber escrever e dialogar melhor sobre a composição. Só assim o artista vai se entender mais e evoluir.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

É tanta coisa! Nasci em Porto Alegre, mas me criei na cidade natal dos meus pais: São Francisco de Paula (Serra Gaúcha), na fazenda de meus avós maternos. Lá tive uma infância em contato com a natureza, animais, uma vida mais simples e rodeada da família. Cresci neste cenário, mas como morávamos em Alvorada (região metropolitana de Porto Alegre) acabava por presenciar a cultura se massificando na capital: caos urbano, exposições, graffitis e tudo se construindo como um quebra cabeças em uma guria que aos 14 anos foi na madeireira e comprou o seu primeiro spray pra testar nas ruas do bairro Porto Verde.

Minha mãe é uma das minhas grandes influências. Professora de Artes, sempre me motivou a continuar. Meus amigos, a música que escuto, cinema, a dança. Tive muitas características que me ajudaram a construir quem sou hoje e o que sigo buscando.

Sobre os artistas: Leda Catunda com seus recortes e colagens bregas (amo demais aquilo), Titi Freak e Basquiat para o graffiti, Francis Bacon e aquele mundaréu de texturas na pintura, Frida em representar seus amores e dores (me coloco muito junto dela nessa característica), Marina Abramovic com tudo que ela carrega e consegue extrair do público nas performances e outros tantos.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim, existe. Dentro do universo acadêmico muito pouco. Existem mais mulheres que homens, tanto profissionais quando alunas. Já no graffiti acredito que é necessário um fortalecimento técnico e uma educação que componha a grade curricular nas escolas, pois muitas mulheres sofrem assédio e acabam por interromper o desejo de pintar na rua. Nas tattoos presencio com muita força as mulheres se impondo e crescendo cada vez mais a cena feminina aqui no sul.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
Mariana Castello por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Trabalhar com o que amo, escutar música, dançar, fazer playlists, comprar discos, livros, ir em shows, limpar a casa, tomar banho, vinho, viajar e conhecer outras culturas, rever amigos, estar com quem amo, abraçar, fazer fogo na lareira, doar roupas, materiais e cacarecos que não vou usar mais, pintar e pesquisar desafios novos dentro do meu processo artístico.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Estarem presentes e não guardarem as ideias apenas nas gavetas de casa, terem capricho nas apresentações dos trabalhos, escreverem sobre os mesmos (tipo um diário – parece bobo, mas isso ajuda muito). Se auto conhecerem e trocarem ideias com demais artistas, sejam eles homens ou mulheres. Serem humildes e não presas às condições de que este ou aquele seria o único caminho.

Deixar o acaso ocorrer dentro e/ou fora do ateliê, mas não esperar por ele, porque ele só acontece se estamos em trabalho, em movimento.

Mariana Castello por Projeto Curadoria
Mariana Castello por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Estou produzindo para mais uma exposição individual. Todo ano tento realizar ao menos uma individual pra não parar no tempo, apesar de que às vezes é necessário o tempo para refletir, mas refletir trabalhando é melhor ainda para não ser engolida por ele. (filosofando um pouco aqui)

Ainda não tenho tudo concreto e finalizado. Apenas a data e local: 22 de junho, na Galeria Dumbo – Porto Alegre.

FOTO DO PERFIL/DIVULGAÇÃO POR DENISON FAGUNDES

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