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Márcia
Morelli
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
37 anos . artista . designer

Nasci em Pernambuco, moro em São Paulo desde os 10 anos. Sou designer de estampas, e artista visual. Desde pequena sou muito observadora, falar quase nada, sempre sorrindo, observando e criando imagens na minha cabeça. Lembro que comecei a desenhar copiando desenhos dos gibis. Meu irmão lia os gibis e eu desenhava. Sou graduada em Desenho Industrial - Programação Visual. Sabia que não trabalharia com um trabalho convencional, mesmo na época da faculdade, nunca pensei em trabalhar em agências. Gostava mesmo era da liberdade de criar uma imagem a partir de materiais diversos. Ao me formar passei a trabalhar com desenhos para estampas localizadas e após um tempo migrei para as estampas corridas, justamente buscando um pouco mais o lado artístico. As estampas trazem a remuneração financeira neste momento. Em 2014 senti a necessidade de procurar uma linguagem própria, resposta para inquietações, questionamentos estéticos,  procurei um curso de processo criativo e ilustração onde poderia aprender e aprimorar tecnicamente, uma vez que não tinha feito nenhum curso de desenho tirando a faculdade. Não queria perder a parte criativa enquanto desenvolvia o técnico e onde sempre há o dilema de algo comercial e artístico. Em 2017, mais um ponto de virada, busco então, na arte contemporânea uma forma de expandir meu trabalho, uma nova forma de pensar, e fazer. É algo novo, desafiador, estou buscando uma identidade neste momento como artista visual. Há um longo caminho a percorrer, mas eu estou gostando, há um sentimento de realização.

Márcia Morelli por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Nesta nova fase uso pincéis, tinta acrílica, mas já estou retomando o uso de outros materiais com os quais trabalhei como a parafina, porém com uma nova linguagem. Para as estampas utilizo vários materiais como grafite, lápis de cor, guache, giz pastel, nanquim e finalizo de forma digital.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Sou muito observadora, boa ouvinte, então acho que tudo que está ao meu redor me inspira. Cada gesto, movimento, pequenos detalhes, formas da natureza que relaciono com o corpo e comportamento humano, minha natureza imaginária. Já faz um tempo que tenho olhado árvores.

Márcia Morelli por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Eu anoto tudo que me vem à cabeça, tudo o que eu ouço , o que vejo e chama a minha atenção, de alguma forma fica grudado em mim. Mas nunca é um desenho bonitinho, às vezes só eu entendo. Só depois me sento sozinha e começo a mexer nas ideias, a buscar os materiais a serem usados e fazer conexões entre elas. Sempre começo devagar, parece que não vai sair nada dali, então bate aquela ansiedade, aparentemente parece que estou parada, mas depois aos poucos tudo vai tomando forma. Não costumo desenvolver apenas um desenho, ou um trabalho por vez, de uma forma linear. Vou tecendo, construindo vários juntos, costumo deixar os trabalhos nesta fase todos expostos ou no chão ou na parede, na mesa, então paro, deixo amadurecer e vou finalizando as ideias.

Márcia Morelli por Projeto Curadoria
Márcia Morelli por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Gosto de ir à exposições, galerias, variadas, às vezes, vou 2 vezes a mesma exposição. Tenho uma amiga que sempre brinca que somente eu vou naqueles programas mais diferentes, seja teatro, cinema, dança, música, viagens. Amo viajar! Uma vez por semana frequento o grupo de acompanhamento de projetos no Hermes Artes Visuais onde tenho contato com outros artistas. Gosto de caminhar para organizar os pensamentos e também do pilates que me dá uma noção plástica incrível.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Que difícil! Cada um tem uma história. Os preferidos são os últimos, porque eles vieram como resultado de um momento de profunda mudança em minha vida. Enquanto linguagem eles estão traduzindo meu anseio em direção à arte contemporânea. Porém, há trabalhos marcantes como os das asas, o Bulbo, um trabalho enorme, que fiz enquanto frequentava o Estúdio com a Catarina Gushiken. Considero uma semente que foi plantada, ali foi o comecinho de uma libertação.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Eu acho que todos os pontos de viradas na trajetória da minha vida acabam refletindo na minha carreira. Quando fui trabalhar na MCD foi um ponto de virada, aprendi muito lá, amadureci e naquele momento comecei a buscar uma identidade. Quando migrei para as estampas corridas outro momento de virada e agora este momento em que estou vivendo.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Tenho vários, alguns influenciam, alguns gosto de admirar. Salvador Dali, Picasso, Gauguin, Tomie Ohtake, Georgia O'Keeffe,

Olho a plasticidade de Nick Knight, alguns bailarinos. Tenho olhado ultimamente Yves Klein, Mira Schendel, Janaina Tschäpe, Miguel Coronado. Amo olhar os trabalhos do Dante Horoiwa e Rafael Hayashi.

Márcia Morelli por Projeto Curadoria
Márcia Morelli por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Eu acho que sempre a mulher sofrerá preconceito. Vemos isso no mundo desde a antiguidade. Às vezes de forma mais explicita, às vezes de forma mais velada.

// E o que te faz feliz?

São tantas coisas, mas geralmente as mais simples. Mesmo pequena e imperfeita minha família me faz feliz, momentos com os amigos, quando alguém manda uma mensagem e diz que saudades! Ser completa, ter liberdade de escolhas. Acho que neste momento posso dizer que há o lado Espiritual, Divino, que para mim faz diferença.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Conhecer a si mesma, amar a si mesma, aceitar que são capazes, respeitar seus limites. Não importa se não sabe ainda desenhar bem, pintar bem ou qualquer outro tipo de expressão. Sempre haverá altos e baixos, imperfeições. O importante é começar, explorar, buscar, pois neste processo muitas vezes o que não podemos enxergar , o que não é visível começa vir à tona de uma forma mais pura e real.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Neste momento estou buscando expandir meu trabalho como artista visual.

Márcia Morelli por Projeto Curadoria
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