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Manu
Cunhas
Brasil
vivendo em Florianópolis . SC
30 anos . designer . ilustradora

Sou formada em design gráfico pela UDESC e trabalho com projetos editorias e ilustração. Moro em Florianópolis e sou freelancer, usando meu tempo livre para dar aulas e desenvolver meus projetos pessoais. Fiz dois financiamentos coletivos desde o ano passado, o primeiro para arrecadação de fundos para o projeto Adote um ronrom, com o livro Como diria meu gato, e o mais recente, o livro Outras meninas. Tenho três gatos - muito importante.

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// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Trabalho com pintura digital e tradicional, em especial aquarela e nanquim.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Depende da área. Como freelancer, minha motivação gira em torno do aprendizado da técnica que estou explorando e naturalmente o pagamento.

Tenho normalmente um ou dois projetos pessoais em andamento, o que significa que a motivação deles depende do tema que estou trabalhando. Pode ser apenas para desenvolvimento pessoal, por motivações sociais, mas o que mais importa é que a coisa todo tenha começo, meio e fim.

// Como é o seu processo criativo?

Por conta da minha formação em design, o processo é bastante linear e baseado nas metodologias mais comuns. Quase sempre, começo por levantamento de dados sobre o tema, referências visuais e depois de conhecer bem o que estou trabalhando, vou para uma grande geração de alternativas. Escolhida a que melhor me satisfaz, apresento para o cliente, caso haja um, e vou para a finalização do desenho.

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// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

No momento, não me considero uma pessoa extremamente criativa, normalmente preciso de um escopo bem fechado para conseguir produzir. Tenho sketchbooks diferentes, estudo técnicas e temas de maneira sazonal, mas o mais importante é não parar de criar. Gosto de projetos de alguns meses em que eu possa explorar o máximo possível do tema em questão, para depois partir para o próximo. Enjoo muito de fazer sempre a mesma coisa, rotina me mata.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Eu sou meio apegada a grande parte deles, mas o "Outras meninas" me transformou demais. Não sou uma pessoa muito insegura, mas sempre tive uma péssima auto-estima e alguns outros problemas emocionais atrelados. A construção desse projeto fez eu me conhecer, principalmente o lado mulher, que sempre tive dificuldade de encarar. Sou muito agradecida a ele e às moças que participaram, foi um ano lindo de construção mútua.

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// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho que minha trajetória é um pouco curta para que eu possa já declarar um marco, mas vejo que o início da parceria com o projeto Adote um Ronrom me influenciou muito. Nele comecei a desenhar tirinhas semanalmente e me permitiu uma maior organização dos meus trabalhos pessoais. A partir daí, comecei a investir mais em produção independente.

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// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Minhas primeiras influências partiram do RPG, Magic e quadrinhos, então comecei com uma enorme carga de fantasia. Ilustradoras como Rebecca Guay e Stephanie Pui-Mun Law abriram as portas para a aquarela, com desenho etéreos e delicados. Desde então, a internet me fez esbarrar com centenas de grandes artistas, mas eu normalmente prefiro os trabalhos femininos. Na verdade, nem sei dizer o por quê, mas acaba que eu gosto da arte e depois descubro uma mulher por trás dela.

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// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Nunca fui menosprezada como ilustradora, mas percebo que como professora, se preocupam demais em como eu me porto ou com o que visto. Essa cobrança incoerente partiu mais da equipe de professores e administradores do que dos próprios alunos. Isso me irritou profundamente e é algo que claramente acontece comigo e outras professoras, mas não com os colegas homens - sendo que um ou outro já teve envolvimento inadequado com alunas. Baixar a cabeça nessas horas só reforça o meio machista, embora seja mais cansativo.

O importante é fazer bem o seu trabalho e se impor no meio.

// E o que te faz feliz?

Desenhar, ver animações, fazer sexo, comer, conversar com os amigos, não necessariamente nessa ordem.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações ?

Façam parcerias e apareçam no mundo. Conheço muita gente boa que não interage, publica coisas na internet ou vai em eventos. É muito importante estar ativa no meio e existem várias formas de fazer isso.

Acredita numa causa? Se associe a ela! Faça com o que vocês cresçam juntos para dessa forma terem mais visibilidade para construir coisas boas.

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// Você tem algum novo projeto em andamento?

Eu ainda estou com o "Outras meninas", mas logo terei outros desengavetados.

Até lá, recomendo seguir minha página no Facebook e meu Instagram para conhecer o que está por vir 😉

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