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Katia
Suzue
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
37 anos . artista . graffiteira

Sou mãe de um menino incrível, que me faz pensar em ser melhor a cada dia; uma mulher ativa, amante da vida, da natureza e do meu trabalho.

Sou casada com um artista lindo, juntos estamos perseverando nosso projeto mais ousado de Bio casa na Serra da Cantareira.

Me dedico ao graffiti desde 2005, e nas ruas me encontrei, o suporte que o graffiti oferece me tornou forte e me faz sentir grande a cada muro que encontro, pinto e deixo meu legado efêmero e intenso.

Desde o ano passado dedico parte do meu tempo a pintar telas, nesses momentos de solidão e clausura penso e repenso meus processos e posso buscar em mim a semântica que carrego em minha produção.

Sou arte educadora em projeto social duas vezes por semana, ministro aulas de arte urbana e estou sempre aprendendo com adolescentes.

Gosto muito de estudar, sou formada em artes, cursei paisagismo, sou técnica em museu e fiz pós em gestão ambiental e desenvolvimento sustentável e sempre busco novos conhecimentos dentro das minhas aéreas de interesse.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Gosto muito de pintura de um modo geral, no graffiti posso extravasar de forma gestual e braçal, mas também faço pinturas a óleo, acrílica e aquarela.

Desenho sempre, todo tempo que consigo estou com meu caderninho, tenho muitos e eles são meu apoio para os projetos que executo.

Também me expresso ao ensinar, tenho que me colocar com firmeza e fazer com que meus aprendizes tenham certeza de que a Arte é maravilhosa e que é transformadora também.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Busco inspiração na minha ancestralidade, a cultura oriental é forte na minha vida desde que me entendo por gente, minha bachan me inspira demais, vejo nela muita força e explosão e ao mesmo tempo vejo delicadeza e muita sabedoria junto a cautela de pensar cada gesto e maneira de fazer as coisas.

As mulheres de um modo geral me inspiram, a feminilidade é uma constante nas minhas obras, a natureza também me inspira demais.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
Katia Suzue por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Sempre é algo caótico, entre muitas coisas e sons, mesmo quando estou no ateliê me organizo de forma louca, sou cheia de manias e métodos, demoro mais pra pensar no trabalho do que pra executar o trabalho em si. É na minha cabeça que tudo acontece, meus braços e mãos são só a extensão do meu pensamento e são as ferramentas que transcrevem todos os meus devaneios.

Estou sempre pronta para criar, às vezes não consigo nem dormir de tanta vontade de pintar ou terminar um trabalho que está me atormentando até em sonhos, essa tormenta me move, o desejo de sempre fazer algo é uma constante pra mim.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
Katia Suzue por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Não consigo não me manter criativa, fico triste quando não estou produzindo.

Busco energia na minha criação, tento não surtar com o turbilhão de pensamentos que me vem à mente a cada instante que penso em minhas criações. Há pouco mais de um ano frequento um grupo de estudos sobre Arte Contemporânea, no ateliê do Tinho, lá busco apoio e discernimento para o meu processo criativo, a produção consciente é meu objeto de estudo atualmente.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
Katia Suzue por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Tenho muitos, quase todos, tenho até a minha #lugaresondeaartemeleva. Adoro grandes suportes, já pintei uma empena de prédio, fiz um mural enorme na Bolívia, outro gigantesco em Portugal, conheci pessoas incríveis através do meu trabalho, pessoas incríveis me reconhecem por conta do meu trabalho, todo projeto é especial a sua maneira.

Meu projeto preferido é o da minha casa, fiz pós graduação em Gestão Ambiental só pra entender melhor os conceitos de eco construção e as normativas para a bio construção.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Sim, minha gravidez, fiz uma cerclagem uterina no terceiro mês de gravidez, depois do procedimento não pude andar por toda gestação, fiz repouso absoluto, tive Paralisia de Bell e depressão até o parto. Foi um momento muito difícil e só pude seguir em frente graças ao apoio e amor da minha família. Antes da gravidez eu tinha três empregos e cursava a pós e estava no último semestre de Museu, sempre muito frenética, me deprimi por ter que parar tudo.

Depois que meu filho nasceu tudo mudou, esse tempo que parei me fez refletir, com a vinda dele passei a ser seletiva, antes eu fazia dez trabalhos, nove deles eram roubada e um valia a pena, passei a pegar só os projetos que valessem a pena e me deixassem satisfeita. E isso automaticamente me profissionalizou, passei a organizar melhor o tempo e priorizar o que avalio como importante.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
Katia Suzue por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Me inspiro em muitas coisas, tenho uma influência forte em meu trabalho que reflete a cultura oriental, tenho muitas amigas artistas que me inspiram e instigam.

Adoro o trabalho da Tikka, gosto muito dos Gêmeos, busco apoio no Tinho quando preciso, além do graffiti me interesso por artistas asiáticos, por mangákas, monges espirituais como Romio Shrestha, Katshushika Hokusai, Yayoi Kusama, Ai Weiwei, Cai Guo-Qiang, Akira Toriyama, Junko Mizuno, Haruka Makita.

Gosto muito de me inspirar em histórias de vida, Margareth Mee, Margareth Keane, Remédios Varo, Frida Khalo, são nomes que não só o trabalho me enche de inspiração, mas suas trajetórias me enchem de vida.

Entre tantos outros nomes que encantam, isso se reflete diretamente no meu trabalho, por vezes não de forma visual, mas de forma crítica, semântica e analítica.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Acredito que isso seja uma ferida social, o preconceito existem sim, mas não me abala e nem me impede de nada, sei do meu lugar, sei da minha caminhada e do meu corre e não é um “pré conceito” que irá me deter, mas às vezes me deparo com alguns comentários infelizes, certa vez fui pintar uma empena num projeto bem legal, fui a primeira mulher a participar desse projeto, foi num conjunto de prédios do Cingapura, quando cheguei na quebrada vi uns caras que riam quando eu não conseguia dominar a grua, em certo momento me irritei e disse, pode rir, mas não desacredita não, fui a única a terminar no prazo, só sofri no primeiro dia, depois me blindei e segui. E às vezes é assim, o jogo psicológico na lida de certas situações é que é o meu truque.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
Katia Suzue por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Tanta coisa me faz feliz, beijo molhado, abraço apertado, cheirinho de criança, comer doce, dar risada, pular na cachoeira, deitar na grama, tomar champanhe pra comemorar e sempre seguir em frente, tenho muitos projetos e desejos que estão próximos da conquista, não posso parar.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Foco! A potencia está no desejo e na concentração que você depositar na criação.

Projete o pensamento, pense antes de agir, e nunca desista de um desejo, invista em si, priorize só o que vale a pena.

Katia Suzue por Projeto Curadoria
Katia Suzue por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim, tenho um projeto de bio-escola na Serra da Cantareira (que é meu lugar favorito em São Paulo), um lugar onde eu possa receber pessoas que queiram viver uma experiência na natureza e no fazer arte, o desejo não é de ensinar e sim de proporcionar a experimentação. Minha família e eu estamos na fase da construção desse espaço, uma construção feita em super abobe, adobe, pau a pique entre outras técnicas, com baixo uso de cimento e com muita energia humana na construção, toda água da construção foi coletada da chuva e a terra usada é do próprio terreno com baixíssimo impacto ambiental.

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