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Karen
Dolorez
Brasil
viajando pelo mundo
31 anos . artista

Sou a Karen Dolorez, artista visual. Nasci no interior de São Paulo e morei por 7 anos na capital. Hoje estou andando um pouquinho pelo Brasil (e quem sabe pelo mundo), levando meu trabalho por aí.

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Utilizo o crochê como instrumento para expressão artística pessoal, criando grandes painéis em crochê e espalhando pelos muros das cidades que passo.

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Minhas obras envolvem questionamentos relacionados a ocupação de espaços públicos, sociedade, arte de guerrilha, feminismo e amor. Em meio à minha pesquisa, o resgate da mulher tecelã na história e na mitologia, especialmente como forma de denúncia tem grande importância e influência, se refletindo completamente nos meus trabalhos. É criada uma relação interna onde o papel da mulher na arte contemporânea dialoga com a mulher da história, ambas utilizando o ato de tecer como forma de expressão e militância.

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
Karen Dolorez por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Normalmente eu costumo pensar num conceito, desenvolver um desenho e depois disso faço o crochê. Como os trabalhos são grandes, eu costumo fazer grande parte deles no chão mesmo, espalhando tudo pra conseguir visualizar melhor.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Tento buscar referências, viajar, e sair da rotina. Acho que quando nos mantemos sempre no mesmo lugar, é mais difícil abrir a mente pra novas referências. Então é sempre importante pra mim, ler, conversar com as pessoas, ver filmes, etc.

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Tem vários trabalhos que gosto. Acho que cada um tem um valor sentimental, sabe? Um porque foi um dos primeiros, outro porque o processo foi muito forte e por aí vai. Acho que os mais legais foram o que fiz muito intuitivamente, não eram comissionados nem nada do tipo. Apenas senti e quis fazer. O primeiro útero que fiz foi muito importante e de um processo muito forte também. Foi muito legal poder colocar ele na rua e pra fora de alguma maneira. É como se quando eu colocasse o trabalho na rua, também me desprende-se dele e de tudo que me incomoda e dói por dentro.

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
Karen Dolorez por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Na minha trajetória profissional no geral sim. Eu sou formada em design e quando retomei o crochê foi incrível, pois vi ali uma maneira de me expressar, de falar de coisas que não conseguia e também de me conectar com pessoas que eu não alcançava. A partir daí minha vida mudou muito, tanto na rotina como na satisfação com o trabalho em si.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Qualquer coisa pode inspirar! Músicas, poesias, livros, textos que leio na internet, conversas com pessoas, olhares, histórias. Ultimamente, coisas que me revoltam também tem servido de inspiração. Nesse caso, eu tento não expressar com raiva ou de maneira negativa, e sim, de maneira positiva, justamente, negando o que fazemos muitas vezes por impulso.

Infelizmente, nós vivemos numa sociedade onde é cultural agir de forma agressiva e violenta, insultar pra nos defender. Então eu tento fazer de modo oposto, mostrar o que acho importante de maneira positiva, para que as pessoas vejam que há outras maneiras de nos defender, deixando o ego e a raiva de lado, fazendo surgir uma coisa maior do que essas que revoltam.

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
Karen Dolorez por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Completamente. Isso existe e ainda existirá por um tempo. Esse é um dos grandes temas que tento abordar sempre no meu trabalho. E acho que eu tenho um apelo vindo do crochê que acaba atingindo muitas pessoas que com outras técnicas e ferramentas não atingiria. Eu sinto muito isso no meu trabalho em diversos aspectos. Tanto nos momentos de instalação e receptividade do público como na minha vida em geral. Por isso acho importante dar a cara a tapa em alguns momentos e falar de assuntos que são tabu ou que as pessoas não dão tanta importância.

As oficinas também servem para essa comunicação com as mulheres. Costumo dar oficinas com enfoque no feminino, onde as mulheres aprendem não só uma técnica mas existe toda uma discussão em volta de temas de gênero, preconceito, etc. É o momento em que as mulheres tem um espaço para se expressar e trocar também, em meio a uma roda, como era feito antigamente (e ainda muito comum em alguns lugares do Brasil).

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Me faz feliz conseguir me comunicar. Eu não sou muito boa pra falar em público, por exemplo. Mas encontrei na minha arte essa facilidade de comunicação. Então fico muito feliz quando tenho uma resposta das pessoas na compreensão e especialmente na identificação com o meu trabalho. Perceber que de alguma forma as pessoas se identificaram, se inspiraram e vão conseguir sair do lugar que estão é muito gratificante.

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
Karen Dolorez por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

A Ana Thomaz é uma educadora que me inspira demais e em uma de suas falas ela diz que devemos potencializar as nossas potências. Eu nunca me esqueci disso. Acho que é muito importante pararmos um pouquinho, sozinhas. Apenas parar, sabe? Se escutar um pouco ou simplesmente manter o silêncio. Nesse mundo maluco que vivemos, não temos o costume de parar nunca. Estamos sempre no celular, na internet, procurando pessoas pra preencher buracos de amigos, de companheiros, de empregos, etc e nunca paramos pra ficar sozinhas. Acho isso super importante pra olharmos pra dentro, darmos a calma que nosso coração merece. Acho que a partir daí tudo flui como água e, naturalmente, damos o espaço pra abrir nossa mente.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim. Além de alguns murais fechados (estarei em Florianópolis e também BH), estou num momento de busca por inspiração e também de espalhar meu trabalho por mais lugares. Por isso, estou aberta a convites nesse Brasilzão lindo e também fora, por que não? Também tenho a intenção de montar uma exposição solo no final do ano. Sonhos.

Karen Dolorez por Projeto Curadoria
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