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Juliane
Baldow
Brasil
vivendo em Teófilo Otoni . MG
28 anos . arquiteta . ceramista

Me considero uma mulher privilegiada. Nasci no nordeste mineiro, cercada por vales e por uma família que sempre me respeitou e me incentivou a seguir o caminho que compreendi ser o melhor pra mim, no meu tempo e ritmo.

Sou arquiteta, e apaixonada por cidades. Descobri há pouco que a fotografia é um mergulho que me ensina muito sobre quem eu sou. Domingo chuvoso, café da manhã e cobogós são algumas das minhas coisas favoritas no mundo.

Encontrei na cerâmica uma maneira de externar e dar forma aos meus sentimentos, anseios e desejos. E acho que principalmente a entendê-los.

Juliane Baldow por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

São muitas as ferramentas que já utilizei, e que ainda gostaria de utilizar para me expressar, mas hoje, a argila, o algodão cru e minhas mãos.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Minha avó é uma costureira e confeiteira eximia. E a vendo num     cotidiano muito particular, sempre tive uma admiração pelo trabalho manual quando atrelado à criatividade.

Todo processo de criação artesanal me inspira. Especialmente quando vem de mulheres fortes, como a minha avó. Porém acredito que os espaços nos quais circulo ou já circulei também me inspiram muito.

Tudo o que é visual me influencia de alguma forma: as texturas, cores, os contrastes de luz e sombra, os movimentos ... tudo que vejo a cada passo que dou.

Juliane Baldow por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Contínuo. O curso de arquitetura me forçou um pouco isso. Estar continuamente buscando referências, lendo, assistindo, linkando as coisas que vejo ao que faço, todo o tempo. Então consequentemente estou sempre projetando algo, mesmo que não consiga colocar em prática.

Hoje trabalho com arquitetura, identidade visual, cerâmica e faço macramês. Logo, estou inserida num processo múltiplo de criação.

Juliane Baldow por Projeto Curadoria
Juliane Baldow por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Sou uma amante da fotografia e do cinema. Talvez sejam as formas de expressão que mais me fascinam e moldam meu olhar crítico e criativo.

Conversar com as pessoas, viajar, conhecer novos lugares e culturas, dividir histórias e ‘causos’ é algo essencial nesse processo continuo de criatividade. Outro dia uma amiga argentina, a Bren, me mandou um depoimento que ela encontrou ao acaso no Museu da Pessoa. Trata-se de um conterrâneo meu que descreve o lugar onde cresceu e ela me escreveu dizendo “lembrei de você e das tuas histórias”. São essas trocas e lembranças que fazem meus olhos brilharem.

Juliane Baldow por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Essa pergunta é um pouco difícil! rs

Acho que meus trabalhos preferidos com a cerâmica são duas peças que fiz despretensiosamente e os resultados foram surpreendentes. Ambas foram presentes para duas pessoas queridas, as duas fotógrafas mais incríveis que conheço: a Manu e minha tia Zane. Fico imensamente feliz em saber que essas peças estão com elas.

Fiz um trabalho de cenografia também durante um intercâmbio na Espanha que me rendeu a publicação do mesmo num lindo livro e uma amizade incrível com um dos professores, que ainda hoje me inspira e me acrescenta muito.

Juliane Baldow por Projeto Curadoria
Juliane Baldow por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Em meados de 2016 decidi sair de São Paulo e voltar pra minha cidade natal e abrir um escritório de arquitetura integrado ao ateliê de cerâmica. Foi e continua sendo difícil, mas aprendi a encarar todo processo como forma de crescimento, profissional e pessoal. Mudar de cidade nunca é fácil e apostar uma carreira nessa mudança gera uma expectativa gigantesca mas tento respirar fundo toda manhã e pensar que o hoje é sempre mais uma chance de fazer dar certo.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Os lugares me inspiram muito, talvez por isso tenha uma paixão, e quase necessidade, em viajar. O Parque Laje, no Rio de Janeiro, e o Bairro Albaícin, em Granada são dois lugares mágicos pra mim, ocupam o topo da lista de lugares inspiradores.

Algumas pessoas bem próximas a mim estão sempre me dando força e inspiração diariamente. Acredito no poder da inspiração em doses pequenas e constantes.

Lina Bo Bardi, uma arquiteta a frente do seu tempo que dividiu o canteiro de obras com dúzias de engenheiro e alcançou, com maestria, obras icônicas pelo Brasil. Sou apaixonada também pelas obras do Gaudí e recentemente tenho me encantado com o trabalho de uma poetisa portuguesa, chamada Matilde Campilho.

Juliane Baldow por Projeto Curadoria
Juliane Baldow por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Claro, na verdade acho que muitas mulheres nem se sentem no direito de se expressar no espaço e sociedade onde vivem. Isso está mudando, a passos não tão lentos, mas acredito que este cenário está mudando.

Não sinto isso cotidianamente, talvez por estar cercada de mulheres incríveis e talentosas e por ter pessoas a minha volta que valorizam meu trabalho e respeitam meu espaço.

// E o que te faz feliz?

Vixi, posso fazer uma lista de coisas que me fazem feliz.

Ser respeitada por quem sou, pelo trabalho que faço e compartilho. Fazer algo com dedicação plena e ser reconhecida por isso. Estar em família e saber que trago leveza aos que estão a minha volta. Essas são coisas que me fazem muito feliz.

Hoje precisamente, caminhar descalça e dar um cheiro no meu bem são coisas que me fazem extremamente feliz.

Juliane Baldow por Projeto Curadoria
Juliane Baldow por Projeto Curadoria
Juliane Baldow por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Siga tentando se encontrar e achar sua forma de criar e se expressar.

Pode parecer clichê mas há espaço para toda forma de arte, e precisamos nos alimentar diariamente disso. Não só nós, mulheres, mas todos nós, seres humanos.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Morro de vontade de aprender a fazer serigrafia em cerâmica. Já fiz serigrafia em papel, na Escola de Belas Artes, mas em cerâmica nunca. Na verdade entrei no curso de cerâmica porque queria fazer azulejos serigrafados. Mas taí um projeto que pretendo realizar em breve!

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