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Juliana
Mazzo
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
28 anos . letrista . designer . bordadeira

Olá! Meu nome é Juliana Mazzo, sou da Zona Leste de São Paulo e sou formada em Design Gráfico pelo SENAC.

Já trabalhei com Design, on e offline, em escritório de assessoria de imprensa, editora e também em algumas agências de publicidade e, paralelo ao trabalho “formal”, sempre busquei aprender e praticar outras atividades. A preferida sempre foi caligrafia. <3

A minha relação com ela vem desde que eu era bem pequena. Eu era aquela criança - talvez a única - que A-MA-VA a obrigação do caderno de caligrafia! Também sempre gostei muito das aulas de artes e de qualquer tipo de trabalho manual, então a escolha pela faculdade de Design teve muito a ver com isso tudo. Aprender sobre tipografia e voltar a estudar um pouco caligrafia na faculdade foi incrível! Uma redescoberta de algo que eu sempre amei, só que dessa vez melhor: com mais foco em expressão e gestualidade do que apenas beleza e traços perfeitos.

O bordado aconteceu na minha vida em um momento onde eu procurava novas formas de explorar o que eu costumava fazer apenas no papel. Fiz alguns cursos e me apaixonei por todas as possibilidades desse tipo de arte. Fiquei tão encantada que falava tanto sobre isso com a Letícia (minha irmã, arquiteta também apaixonada por todo tipo de arte) que ela, mesmo um pouco hesitante, topou aprender e amou também, claro! E isso me deu a ideia de iniciar um projeto nosso.

O Estúdio Hermanas surgiu da vontade de expor pro mundo, finalmente, tudo o que eu curtia fazer artisticamente e também de fazer tudo isso em parceria com a Lê, que também tinha a mesma vontade. Ambas estávamos em fases complicadas, eu bem insatisfeita com a minha vida profissional e com a falta de tempo em fazer coisas que me trouxessem alegria e a Letícia desempregada e tão desiludida quanto eu. Então a criação do Estúdio foi quase que um passo natural, uma tentativa de nos divertir juntas e conquistar maior satisfação pessoal e criativa.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Papel, lápis, caneta, pena, tinta, linhas e tecido, mas trabalho minhas caligrafias e letterings também através de processos digitais.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

As pessoas e suas histórias e emoções, a música e suas sensações, filmes e toda a imaginação, magia e humor que carregam, a natureza e suas cores perfeitas, o abraço de amor, o céu quando fica cor de rosa… O mundo é inspiração que não tem fim. E eu me sinto muito mais viva e feliz se estou criando. Acho muito prazeroso e motivador ver o resultado de algo que criei com as minhas mãos.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Quase nunca tem uma ordem exata, às vezes as ideias vão aparecendo de uma vez em um turbilhão mas, tanto no meu trabalho com design quanto com as caligrafias e bordados, a certeza é que vou começar rabiscando um papel com lápis. Enquanto isso pesquiso muitas referências e vou amadurecendo a ideia na minha cabeça, pensando na forma, nas cores, nos pontos ou técnicas mais interessantes para o resultado que eu busco.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Criatividade é exercício, então estou sempre buscando novas referências para aumentar meu repertório visual. Exercitar o olhar com coisas novas é fundamental (e aqui também entram filmes, documentários, séries, viagens, etc). Sinto que música também ativa muito minha criatividade, principalmente porque é a partir de suas letras e sensações que eu mais consigo material para caligrafar. E o principal: praticar muito! No sketchbook, no computador, onde for possível, pelo menos um pouquinho por dia.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Eu sou apaixonada pelo bordado que fiz com a Letícia para a Exposição “Bordando São Paulo”, organizada pela Maria Celina Gil. Tivemos a felicidade em, super no início do Estúdio, sermos convidadas para participar de algo tão legal junto com mais 9 coletivos e artistas que nós já admirávamos muito. Cada um pôde retratar através do bordado um bairro ou rua de SP que mais se identificava. Nós escolhemos o bairro da Mooca por ter sido o bairro onde nasci (e agora voltei a morar muito próxima), por ter sido muito estudado pela Letícia durante a faculdade de Arquitetura e por ser um lugar que nós sempre adoramos e frequentamos juntas. Retratamos então um pouco da nossa história com o bairro e nossa visão sobre suas transformações através de caligrafias e ilustrações bordadas e pintadas com aquarela. Foi um projeto muito especial, e nosso primeiro feito totalmente em conjunto.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Minha trajetória tem sido marcada por muitos momentos decisivos. Comecei um curso ótimo de caligrafia clássica há alguns anos e, ansiosa que sou, me senti muito insegura com meus trabalhos… Resolvi que, por mais que eu gostasse, não levava jeito para aquilo e parei. Então um grande marco foi quando, anos depois e já mais consciente de que nunca conseguiria evoluir se não treinasse, voltei a estudar o assunto. Passei a praticar muito e durante o caminho encontrei professores e colegas ótimos que me fizeram conseguir enxergar meu próprio trabalho com mais gentileza. E então eu pude experimentar estilos mais livres e expressivos, e perceber que o imperfeito não significa errado e muito menos feio. E essa é uma das coisas que eu prego muito hoje em dia tanto nas minhas oficinas (o que também foi um marco enorme pra mim) quanto pra qualquer um que diga que “não tem talento”.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
Juliana Mazzo por Projeto Curadoria

A criação do Estúdio Hermanas também marcou um momento lindo de total descoberta e segurança sobre o meu trabalho, sobre mim mesma e a relação com a minha irmã.

Outro momento marcante foi o convite para ensinar. Planejei uma oficina de introdução à caligrafia moderna e hand lettering inteirinha com base em todas as dúvidas e tudo mais que eu sentia lááá no início, quando comecei a estudar e mal sabia pegar em um lápis. Os feedbacks que recebi durante essas aulas me encheram de alegria e me motivam muito a continuar.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

São muitas! Na caligrafia/lettering acompanho e admiro muito os trabalhos da Cyla Costa, Cristina Pagnoncelli, Martina Flor e Andréa Branco (uma das professoras mais incríveis que já tive). Adoro a Vanessa Kinoshita, que também me ajudou demaaais a trabalhar de forma mais livre em um estilo que eu amo. Também acho os trabalhos da Jessica Hische, Abbey Sy e Lauren Hom impecáveis! E também me inspiro muito no trabalho do Thiago Reginato, o Tipocali, que além de ótimo professor é uma pessoa muito bacana que marcou e incentivou muito meu trabalho.

No bordado eu gosto muito dos trabalhos da Maricor/Maricar e Cub Club (Putri Setyarini), que bordam letterings com uma estética única e maravilhosa. Kelly Ryan, Sarah K. Benning, Rachel Dreimiller e, as brasileiras, Priscila Casna que trabalha texturas e pedrarias de uma forma tão linda, Cami Belô, Celina Gil, Ju Mota, Priscila Sasaki, Marina Burity e tantas outras.

Na música: Pink Floyd, Rush, David Bowie, Elvis Presley, Elton John, Lady Gaga, Smiths, Nina Simone… Acho que muito do meu trabalho, principalmente com caligrafia e lettering, tem total influência pelo que sinto ouvindo tudo isso.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Com certeza existe. Enquanto letrista e bordadeira eu não sinto esse preconceito de maneira tão direta porque nosso trabalho, principalmente no bordado, carrega um traço de feminilidade que já é costumeiramente esperado de quem faz esse tipo de arte. Mas sinto que já tivemos nosso trabalho reduzido à “um bordadinho”, enquanto quando homens bordam ou fazem algum outro tipo de trabalho manual que costuma ser atribuído às mulheres, eles são artistas modernos, disruptivos… Mas as mulheres estão apenas resgatando os “bordadinhos que suas avós faziam”, por mais que muitas artistas utilizem o bordado como uma forma muito forte e incrível de protesto e resistência.

Já no meu trabalho como designer em agências de publicidade já senti o preconceito direto sim. A área de criação na publicidade é dominada por homens e seus “brothers”.

Eu sinto e tenho visto que, mais do que nunca, isso está começando a mudar. As mulheres se entendem e se ajudam muito e muitos caras têm entendido mais o quanto igualdade e diversidade são necessárias, mas ainda temos muito o que mudar.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

A liberdade, os amigos, a família e o fato de poder trabalhar com o que eu gosto (tanto no meu trabalho “formal” como Designer quanto no Estúdio Hermanas) e ver que com ele consigo impactar pessoas, seja através de reflexão ou de emoção.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Acreditar em você, no seu trabalho e esforço, e nunca parar de praticar e estudar. Não perder a curiosidade e tratar a si mesma com gentileza, respeitando seu próprio tempo de aprendizado e seus experimentos e criações. Não se comparar e não ter medo de mostrar o seu trabalho para o mundo.

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Quero muito continuar aprendendo coisas novas e levando tudo isso para o Estúdio (que, como já disse, é onde consigo “extravasar” tudo o que acontece na minha cabeça)! A minha última empreitada foi aprender programação para, entre outras coisas, conseguir ter mais autonomia para alimentar nossa loja online, deixá-la cada vez mais com a nossa cara. Agora quero fazer mais aulas de ilustração e gostaria também de explorar novas superfícies para aplicar as caligrafias e letterings. Eu amo cerâmica e acho que essa pode ser minha próxima aventura!

Juliana Mazzo por Projeto Curadoria
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