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Jessica
Leigh Nogueira
Estados Unidos
vivendo em Campinas . SP . Brasil
35 anos . artista

Nascida e criada no sul dos Estados Unidos, experimentei quase todos os meios criativos que você possa imaginar: pintura, fotografia, serigrafia, design de moda, escrita, música, tecelagem, tricô, bordado...

Tive um pequeno negócio de estamparia na faculdade em NYC e usava máquinas manuais para estampar camisetas para bandas, artistas e para mim mesma. Depois, em outro período da faculdade, no norte do estado de NY, eu criei uma linha de roupas para crianças com tecido reciclado e vendia em lojas locais e feiras de artesanato na região toda, por cerca de 2 anos.

Quando me mudei para o Brasil em 2015, precisava de algo mais portátil (eu não podia embalar a minha máquina de costura em uma mala), então agora estou me concentrando em aperfeiçoar minhas habilidades de desenho e aquarela e tentando construir meu portfólio como ilustradora, artista e tatuadora.

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// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Atualmente eu estou usando o velho lápis, nanquim e aquarela. Voltar ao básico parece tão libertador!

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Eu não tenho certeza. É como uma fantasia. Uma estranha e inignorável vontade de desenhar para expressar algo profundo. Quando me expresso através de linhas em uma página ou qualquer outra coisa, eu sinto um sentimento supremo de satisfação, eu me sinto inteira. É uma sensação incrível que você não pode encontrar em qualquer outro lugar. Especialmente quando estou deprimida ou passando por um momento difícil, acho que a auto-expressão é o melhor remédio. Mudar para o Brasil tem sido um dos maiores desafios que eu já enfrentei na minha vida, eu tive que aprender uma nova língua completamente do zero, fazer amigos e encontrar um novo caminho. Fazer arte me ajuda a processar e curar. Eu posso estar sozinha e me perder na arte, e isso me faz sentir mais como eu mesma. Ao desenhar as pessoas, plantas e cenários de um lugar, eu me sinto mais ligada a ele. Então, dessa forma eu posso conhecer qualquer lugar estrangeiro através da arte.

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// Como é o seu processo criativo?

Eu estou o tempo todo recolhendo imagens em minha cabeça, no Pinterest, no meu celular, dos momentos da vida ou fotos. Muitas vezes meu próprio trabalho me inspira a continuar a cavar mais fundo em uma forma de expressão de linha ou expressão de um personagem. Às vezes é ao ver o trabalho de outro artista, e dizer: "Eu gostaria de tentar isso e ver se eu posso conseguir os mesmos resultados, ou eu gostaria de explorar algum aspecto desse estilo visual que me interessa." Eu estou sempre tentando encontrar essa expressão perfeita da minha visão estilística.

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// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Eu tento deixar meus pensamentos perambularem, o mais longe que eles puderem ir. Eu tento desenhar algo de uma foto em meu próprio estilo. Tento notar o absurdo. Tento deixar minha mão falar e manter minha mente quieta.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Meu projeto favorito foi trabalhar na linha de roupas para crianças, porque eu tinha que usar um monte de habilidades diferentes. Além disso, através do processo de reciclagem do tecido, eu era capaz de participar da conversa global sobre a moda sustentável, que eu sou apaixonada.

O material em que estou trabalhando agora também é emocionante: aqui no Brasil eu encontrei um senso de comunidade através da arte, especialmente entre mulheres criativas e fortes. Não é como se isso não existisse nos EUA, mas parece que aqui as mulheres estão sempre tentando se ajudar mutuamente e descobrindo coisas juntas no processo de fazer cada trabalho valer.

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// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

No que diz respeito aos artistas que eu amo, soa tão brega, mas eu amo o trabalho artístico da minha filha. Ela tem 8 anos e eu acho que toda vez que ela faz algo é tão fantástico. Ela é muito livre em sua expressão e por isso é sempre muito estilizado. Ela não tem medo de cometer erros, e ela não tem medo de mudar completamente seu estilo em qualquer momento. Todas as ideias dela vão diretamente da mente para o papel sem noções pré-concebidas. Eu amo essa versão simplista da realidade. É como fazer símbolos.

Eu acho que pelo meu amor por quadrinhos, eu estou sempre pensando sobre isso. Como transformar a realidade em uma versão estilizada da realidade que é bela em seu retrato e lhe diz algo sobre o mundo interior do artista. Eu amo quadrinhos como Tank Girl, Akira, e Ghost in the Shell, entre outros, e desenhos animados coloridos da minha infância nos anos 80 como Rainbow Brite, Strawberry Shortcake e os filmes do Hayao Miyazaki.

Eu acho que a história, a cultura e as linguagens visuais de todo o mundo realmente me inspiram. Aqui no Brasil, por exemplo, as histórias e o misticismo que cercam o sertão são intrigantes. As imagens vindas de lá, têm algo de primitivo e infantil, eu realmente adoro isso. Isso me lembra Louise Bourgeois que eu adoro.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Esta é uma pergunta difícil e eu acho que depende do modo de expressão. Eu acho que definitivamente em termos de ser um artista famoso, as mulheres não ganham tanto dinheiro como os homens ou tanta notoriedade. As mulheres têm que trabalhar arduamente para ter suas opiniões e visões pessoais levadas a sério.

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// E o que te faz feliz?

Estar ao redor do oceano ou apenas na natureza em geral, especialmente com a minha família ou amigos próximos. Eu adoro viajar, é tão inspirador e eu sempre acabo desenhando e escrevendo uma tonelada quando estou na estrada. Artisticamente fico muito feliz quando sou capaz de continuar trabalhando com uma ideia até que aconteça algo inesperado que realmente expressa minha visão estilística. É como um momento “Ah-ha!” e isso é muito gratificante.

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// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Mesmo se você pensa que você é ruim, apenas continue. Não se preocupe se você errar, apenas continue criando mais e mais. Quanto mais livre você estiver com sua cabeça, coração e mão, mais VOCÊ fluirá para a página. Transformar a arte em uma carreira não é fácil e é preciso muito julgamento, erro e acreditar em si mesma como uma artista. Não tenha medo de tentar algo novo!

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// Você tem algum novo projeto em andamento?

Atualmente eu tenho alguns. Eu tenho feito uma série de desenhos com nanquim no último ano, sobre mulheres inspiradoras, para me ajudar a me conectar com minha própria força interior, incluindo Angela Davis, Chanel e St. Vicent. Este processo também está me ajudando a desenvolver o meu estilo de tatuagem, que é um tipo completamente novo e diferente de mídia para mim, uma pessoa real como minha tela!

Eu também estou pensando em começar a criar retratos através de fotos de pessoas ou coisas, com nanquim ou aquarela, como o carro velho que você teve que vender ou a casa de seus avós na infância.

Uau, eu tenho um monte de projetos acontecendo, e eu também estou colaborando no meu primeiro quadrinho, sobre um mundo apenas com mulheres. Estou super animada com isso porque eu sempre amei e sempre quis criar quadrinhos, e este será o meu primeiro grande projeto.

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