m
Jessica
Amoreira
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
25 anos . artista . ilustradora

Meu nome é Jessica, sou paulistana e estou em busca de me encontrar. Eu tropeço em vários tipos de arte desde criança, mas sempre busquei meu caminho longe disso. Uma atitude errônea, e estou entendendo aos poucos, que no fim das contas, eu sou a própria arte. Hoje estudo Artes Visuais e procuro crescer como pessoa e artista, trabalhando com o que eu faço de melhor e ajudando outras artistas a se encontrar. Durante minha vida, descobri aos poucos de que introversão é uma coisa que me domina muito, já a confundi com timidez, desprezo pela raça humana (haha) e agorafobia, mas é só o que me liga a mim mesma, e me faz poder me expressar de forma verdadeira, me faz olhar para as pessoas e ver além do que elas mostram atrás da parede de introspecção. Eu construí uma linha tênue entre convivência com as pessoas pra observá-las tempo suficiente pra descobrir suas particularidades e me isolar do mundo a fim de colocar isso pra fora, de alguma forma.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Eu preciso me expressar, o veículo depende muito do momento em que estou vivendo.

Já passei por retratos realistas em grafite, depois me apaixonei por nanquim e achei uma forma de continuar estudando técnica, anatomia e afins, para colocar nos meus desenhos os meus próprios traços e elementos, algo que seja só meu. Gosto de usar vários tipos de papel, amassá-los, envelhecê-los, gosto de marcas do tempo sobre minha arte, elas também falam muito sobre mim. Gosto de fazer projeções, pintura, pirografia, e nunca digo nunca pra técnicas que desconheço.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Se eu não criar, eu entro em autocombustão. Mas é um processo muito natural, as pessoas me inspiram muito. O modo como nós somos tão diferentes e tão orgânicos, o jeito como seguimos um ciclo natural de vida, cometendo erros, tendo nossas particularidades e personalidades, inseguranças e conquistas é algo que me encanta.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Eu uso muitos blocos de nota. Sério, ando com uns quatro cadernos na bolsa, fora os do celular e do computador. Eu anoto tudo o que eu penso e é extremamente terapêutico, além de eu dizer tudo o que não consigo dizer pras pessoas por causa da introspecção, dessas anotações saem muita coisa.

Fora isso, às vezes eu só sento em frente ao papel, tela, madeira, seja lá o que for, e começo a riscar sem pensar muito, esses desenhos são os que mais falam por mim.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Me manter criativa é algo muito relativo. Acredito que todo artista sofra um pouco com épocas em que a mente não flui tão bem para os seus propósitos. Então eu procuro não me focar muito em ser criativa, e me ocupar com outros projetos, outros trabalhos, outros hobbies, uma mente criativa é uma mente em constante movimento, e isso ajuda muito quando chega a hora de criar.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Meu trabalho favorito é pessoal, é um livro criado por mim, desde a encadernação, chamado Corpus. Nele eu desenho pessoas que eu conheço de uma forma mais profunda, a partir do meu olhar surreal e fantasioso. Desenho e escrevo suas particularidades e encantos.

Posso falar também do meu projeto favorito: O coletivo Dalua surgiu pela dificuldade de viver de arte, não é barato se estabelecer até poder dizer que seu projeto artístico se sustenta e te sustenta por si só, então me juntei com algumas mulheres da faculdade e criamos o coletivo. Nosso objetivo é enfrentar essas dificuldades no mercado da arte juntas, e crescer como artistas aos poucos, e ajudar outras artistas que precisem de ajuda pra guinar a vida de empreendedorismo artístico até poder andar com as próprias pernas. E isso tem sido incrível.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Novamente vou citar o Coletivo Dalua. É o meu marco de artista onde eu cheguei à conclusão do que eu realmente quero fazer. Eu fui pra faculdade de Artes Visuais sem muitas pretensões ou ambições referentes a isso, o coletivo Dalua tem me feito reconhecer o valor do meu trabalho, tem me ajudado a produzir mais e entender que eu sou uma empresa sozinha agora, que o meu trabalho não é só mais um passa tempo, que preciso ser organizada, entender de finanças, direitos, empreendedorismo, marketing, me focar no meu trabalho integralmente, e de que eu não preciso trilhar isso sozinha, que tem mais artistas na mesma situação e eu posso ajudá-las de alguma forma, como esse projeto tem me ajudado.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Eu costumo buscar influências em artistas que fogem ao meu estilo e processo criativo. Quanto mais abro minha cartela de estudos, mais eu tenho chances de explorar minha própria criatividade.

Gosto do trabalho da Alexandra Levasseu, Elisa Talentino, James Eads, Pedro Tapa, Zipcy, Studio Ghibli, Daria Hlazatova, George Teles, Ana Coruja, Giulia Fioratti, Gabriel Wickbold, Lora Zombie, Sabrina Gevaerd, Leo Mortem, Elly Smallwood, Michelle Avery, Van Gogh, Salvador Dali, e que tem me trazido muita inspiração nesses últimos tempos, é o Emek Studios.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim, começando do ponto de que alguns homens já me convidaram pra fazer freelancer sem a intenção do trabalho, mas ter um ponto de partida pra justificar algum assédio.

Eu procuro sempre trabalho freelancer, feiras, projetos e afins criados e organizados por mulheres, depois que comecei a tomar esse procedimento como regra, as coisas tem fluído melhor. Ainda assim, existe o não tão famoso assim mansplaining, sempre aparece algum cara do além querendo me explicar como fazer meu trabalho, como se eu não soubesse.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Ver as pessoas felizes, leite condensado caindo da lata, resultados de projetos pequenos ou grandes, ver algo dando bons frutos me enche de alegria, jogar vídeo game e ver Netflix o dia todo, ficar sozinha, silêncio, reciprocidade e empatia... Creio que a felicidade se faz em alguns momentos muito aleatórios pra classificar.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Organização. Trabalhar ardorosamente nos próprios trabalhos, como teria que trabalhar se estivesse a serviço de outra pessoa.

Acreditar em si própria e no próprio trabalho é o principal pra que outras pessoas possam fazer o mesmo.

Parcerias, ninguém precisa passar por esse processo sozinho.

E finalmente, mas não mais importante, ter mente aberta e abraçar outros projetos. Tudo o que te cerca, constrói o seu processo criativo.

Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
Jessica Amoreira por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Meu foco tem se direcionado para o Coletivo Dalua que acabou de nascer, mas ainda tenho muito que trabalhar nele, muitas ideias novas pra fazê-lo crescer e ser rentável e sustentável, pra poder ajudar mais artistas a crescerem conosco.

Eu alimento também uma vontade de testar meus traços em tatuagem. É algo que pretendo tirar do papel esse ano.

COMPARTILHE
b
//+entrevistas