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Gabi
Rubinho
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
29 anos . artista

Eu já fui desde o Desenho Industrial de Moda até a Biologia, passei pela Arte Educação na Secretaria da Cultura, e Educação Ambiental na Secretaria do Verde e Meio Ambiente, depois pelo Design Gráfico, depois fui aprendiz num ateliê onde o palco eram as madeiras de reuso, ou seja, eu sou uma bagunça ambulante!

Mas também tudo isso me muniu de diferentes meios para pensar a arte em si. Hoje, me considero uma pessoa que rodou por muitos caminhos e posso olhar minha trajetória e me ver como uma artista bem plural!

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// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Eu sou fissurada por tintas de boa qualidade em forma de canetas ou bico de pena. Você pode encontrar de todos os tipos! Há canetas de tinta a óleo, acrílica, a base de água ... eu amo juntar isso com outros materiais como aquarela por exemplo. De uns tempos pra cá tenho usado também muitas tintas douradas e cobres, sou viciada!

Também trabalho com madeiras que iriam para o lixo, são retalhos que saio recolhendo por todo canto e que viram objetos únicos. Nesse processo uso ferramentas da área de marcenaria, sempre com muito cuidado pra não arrancar um dedo fora!

Esses materiais são os mesmos que uso para desenvolver algumas peças para a Evna, marca da minha irmã, onde desenvolvo algumas jóias em madeira e pedras naturais.

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// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Minha motivação parte sempre de um sentimento de bem estar que sinto quando estou criando. Quando termino de criar algo que considero bonito, ou muito especial, sinto uma sensação de prazer tão grande, que isso é quase como uma droga. Perseguir esse momento especial que dura segundos, quando você fala mentalmente "acabei!", tem algo de adrenalina e endorfina nisso eu acho!

Ambientes naturais me inspiram muito, elementos da natureza e também sonoros fazem parte de toda criação que faço. Uma paleta de cor que expresse meu mood também é importante e sempre fico inspirada quando me concentro nas cores que amo no momento.

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// Como é o seu processo criativo?

Quando pinto, Eu nunca uso ferramentas que comprometam ou interfiram no meu traço de forma mecânica. A régua funciona apenas para achar o centro, compasso eu nem tenho em casa... essa sensação de ir construindo à mão livre, no freehand, é pelo que sou apaixonada. E é só assim que flui... eu nunca uso esboço ou um desenho base... sempre acontece na hora, acho que gosto da sensação de me surpreender comigo mesma ao longo do trabalho.

Já quando trabalho com woodwork, o processo criativo muda, preciso de um desenho estabelecido para criar boas patterns, já que o material em si é mais rígido e não obedece minha mão como um traço de pincel... é preciso cortar a madeira em ângulos exatos e minuciosos. E isso exige outra parte do meu cérebro acredito... a parte mais calculista e concentrada.

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// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Ouço muita música, pratico meditação, vejo filmes, cozinho.... tudo isso mantém a cabeça ativa, e trabalhando o tempo todo num solo bem fértil para futuras criações.

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// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Quando faço telas grandes, seja em pintura ou woodwork, são meus preferidos, acho que por algum momento eu os odeio e entro em pânico, por ser muito grande, mas depois que se avança bem, aí vem um sentimento de satisfação que fazem desses gigantes sempre os meus queridinhos.

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// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Ano passado descobri um problema de saúde, e a partir desse evento houveram muitas mudanças internas e de pensamentos. Acredito que foi um marco importante de vida e que naturalmente reconfigurou meu olhar sobre viver, e isso invade também a esfera de criação obviamente, então foi um marco na minha carreira também.

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// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Me inspiram muito duas artistas de woodwork: Aleksandra Zee e Ariele Alasko. Elas são alem de grandes artistas, mulheres fortes e sempre conectadas com a natureza, isso me inspira muito.

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// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim, existe! Quando entro em algumas dessas marcenarias pequenas, de bairro, para conhecer o trabalho de alguém, só como curiosa, sou sempre tratada como se aquilo não fosse coisa pra mim enquanto mulher.

Quando fui comprar minha última ferramenta elétrica para o trabalho com madeira, numa loja do ramo, o vendedor riu de mim, e disse que braços de mulher eram fracos pra segurar a ferramenta.

Coisas assim, sutis e outras nem tanto, mostram o quanto nosso espaço ainda é desrespeitado e diminuído.

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// E o que te faz feliz?

Eu me sinto feliz por viver, por andar, me movimentar, usar minhas mãos para me expressar, pra criar coisas belas e que encham os olhos. Minha família me faz feliz, meu lar e a poesia dos dias!

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações ?

Pensem sempre na sua criatividade, em como ela aparece com mais força, quais são os seus pequenos rituais para a preparação desse espaço criativo; respeitem sempre o espaço entre a inspiração e a cópia do trabalho de outra pessoa; respeite suas emoções durante o processo criativo; se alimente mentalmente de coisas que te façam bem, e use palavras generosas e bondosas sobre vc e suas criações; se trate com carinho.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

No momento tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas vou destacar a coragem de algumas mulheres que serão minhas cobaias de tatuagem no próximo mês!

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