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Franciane
Bourscheidt
Brasil
vivendo em Caxias do Sul . RS
27 anos . ilustradora

Minha formação acadêmica é em Design Gráfico, uma área que exige muito repertório e interesse pelo que inspira, como ilustração, música, fotografia e outras manifestações.

Desenhar era um hobby durante boa parte da minha vida, mas foi por causa do design, e por transitar nesses meios relacionados à criatividade, que passei a me informar e entender a ilustração como trabalho.

Foi assim que aos poucos descobri maneiras de inserir meus traços como diferencial nos projetos gráficos até enfim conseguir estabelecer um estilo e trabalhar também em projetos exclusivamente de ilustração.

Trabalho como autônoma há cinco anos, e há dois criei a marca Estúdio Candy para assinar meus projetos de design e ilustração.

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// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

A ilustração digital é minha principal forma de expressão, mas tudo nasce no sketchbook, a partir dos desenhos a mão. Nunca começo uma ilustra diretamente no computador, pois é nos traços manuais que encontro características mais genuínas, que procuro manter mesmo depois da finalização digital.

Acredito que é isso que dá “minha cara” para os trabalhos e mantém minha essência. Também faço desenhos em paredes, vitrines e outras superfícies diversas, que é onde consigo manter meu contato e paixão pelas técnicas e materiais analógicos.

desenhandinho
fisheye
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Tive uma vida muito peculiar, desde a infância vivendo numa casa no alto de uma montanha, em contato com as coisas mais simples, desenhando todos os dias, sem muitas tecnologias, sem horários rígidos e com bastante liberdade pra ser criança.

Essa nostalgia é um traço bem forte de tudo o que faço, com cores muito vibrantes e temáticas relacionadas aos jogos, filmes, desenhos, moda e brinquedos dos anos 90. Também é esse sentimento nostálgico que me inspira a fazer o que faço, gosto de pensar que “meu eu de 10 anos” ia curtir muito saber que seria ilustradora no futuro.

// Como é o seu processo criativo?

Todo meu processo é pautado por metodologia. Subdividir uma tarefa em tarefas menores me ajuda a saber quando é hora de planejar, quando sou livre pra “viajar na maionese” e quando devo respeitar o momento de seguir em frente. Isso impede que etapas burocráticas, prazos, preocupações e outros dilemas acabem minando a criatividade. Me manter tranquila e organizada faz as ideias transitarem livremente.

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90tista colorido
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Como toda minha inspiração vem da minha própria vivência, procuro me cercar das coisas que amo: referências, músicas, lugares, livros e pessoas. Gosto muito de aproveitar o dia, sair de casa e perceber o mundo, procurar detalhes visuais atraentes e observar muito. Enfim, procuro fazer mais as coisas que gosto quando não estou trabalhando, viver bem os momentos, e isso é o que acaba interferindo positivamente em minha rotina criativa.

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// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos?

Eu amei a primeira parede que ilustrei, porque ela era enorme e levou dias para ser finalizada, com uma quantidade grande de detalhes. Era a primeira loja infantil da minha cunhada e do meu irmão, e eles me deram total liberdade pra desenhar o que eu quisesse.

É a melhor sensação do mundo criar para alguém que quer seu trabalho pelo que ele é, com total confiança e real admiração. Depois disso surgiram outros projetos de paredes e vitrines, e todos foram muito inesquecíveis, por isso tenho um carinho especial por esse momento.

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// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Ainda é muito recente minha história como profissional, por isso acho que não tenho ainda uma perspectiva de “trajetória”. Tenho uma coleção de momentos únicos e aprendizados, mas ainda considero cedo pra eleger algum como decisivo.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Sou muito fã do cineasta Wes Anderson. Depois de assistir aos filmes dele, minha visão mudou completamente, fiquei muito impressionada com a estética, as composições, os cenários e principalmente as cores que ele utiliza. Conhecer o trabalho dele me levou a ter mais confiança nas minhas ilustrações, pois durante muito tempo tive dificuldades pra aceitar algumas características que sempre eram apontadas, como a “fofura” por exemplo. Percebi que coisas fofas não são sinônimo de imaturidade e deixei de “reprimir” as cores, algo que fazia com frequência. Hoje me sinto realizada por conseguir expressar as ideias exatamente como elas estão na minha cabeça, e isso se tornou fundamental na minha linha de criação.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Existe sim, todo tipo de preconceito. Nós mulheres precisamos constantemente fornecer provas de capacidade, nossa palavra muitas vezes não é suficiente e nossa voz inúmeras vezes é silenciada. Já vivenciei e vivencio diversas situações assim, que acabam por dificultar a vida de forma geral, e também a busca pelo respeito e reconhecimento.

Pattern Gabi Demore
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"É a melhor sensação do mundo criar para alguém que quer seu trabalho pelo que ele é!"

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// E o que te faz feliz?

Desenhar e viver uma vida simples.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações ?

Acredito que o mais importante é seguir em busca de novas perspectivas, nunca parar de experimentar as possibilidades do que se faz e nunca acreditar que se chegou ao limite. Sejam ousadas e corajosas!

Candy
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