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Fernanda
Nasser Farion
Brasil
vivendo em Curitiba . PR
31 anos . bordadeira

Meu nome é Fernanda, sou mãe e publicitária. Comecei a bordar de forma totalmente despretensiosa, para mim mesma, como se fosse uma terapia individual. As pessoas próximas gostaram, encomendaram novas peças e passei a produzir mais — sem nunca deixar de lado o caráter delicado e artesanal do processo. Hoje, o meu grande prazer é trabalhar com temas pouco encontrados nos bordados tradicionais: poemas, letras de música, abstrações, imagens eróticas e o que mais me emocionar.

Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Lápis, borracha, linhas, agulhas e tecidos.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

O cotidiano. Pode ser uma paisagem, uma cena, uma música, um cheiro. É incrível a liberdade de traços que o bordado proporciona e tudo o que ele pode expressar. É uma forma de olhar para dentro de mim e colocar todos os meus sentimentos nos desenhos. Como se o bastidor fosse uma pequena luz nos dias escuros.

// Como é o seu processo criativo?

A maior parte do processo criativo acontece na minha cabeça. Não sou de planejar e fazer estudos, acabo desenvolvendo toda a ideia mentalmente. As cores e pontos eu escolho conforme vou bordando. Isso me traz uma liberdade, porém muitas vezes eu acabo refazendo tudo, o que tem sido um grande exercício pra mim. Quando é uma encomenda, gosto de saber a história do pedido, pois quero que o meu bordado se torne parte da história da pessoa, carregando suas memórias e afetos.

Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Gosto de todos os dias bordar um pouquinho para manter a mente ativa. Se eu fico muito tempo sem bordar, eu me perco em mim mesma, parece que falta algo dentro de mim.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Tenho um carinho muito grande pelo meu primeiro bordado, pois ele representa a arte como uma forma de terapia. Foi quando descobri que o bordado me satisfaz e acalma.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Desde que criei minha marca, tem sido bem difícil conciliar o emprego fixo, bordado e família. As ideias chegam e tenho muita vontade de criar, criar, criar. Mas faltam horas no meu dia. Muitas vezes fico triste por não dar conta e não produzir como gostaria, mas me policio para isso não me deixar para baixo.

Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Passo horas no Pinterest e Instagram, mas o que me influencia diretamente é o cotidiano e a natureza. Um trecho de música, uma árvore na rua, um sentimento... tudo pode virar um bordado. O fato de você conseguir passar a mensagem para as outras pessoas é fantástico.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Com certeza. Se o bordado for feminino, delicado, ok. Mas os bordados relacionados ao erotismo ou temas mais pesados nem sempre são bem aceitos pelo público.

Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Atualmente é a minha casa e a minha família. Ter nosso próprio canto do jeito que sonhamos é uma sensação inexplicável. Também me sinto muito feliz com o novo “eu” que venho construindo após um período nebuloso. Sinto que estou no caminho certo, meu trabalho com o bordado diz muito sobre isso e tem relação direta com essa nova pessoa.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Jamais se comparar com outros artistas e acima de tudo fazer para você, não para os outros. O importante é você gostar. São as suas vivências e histórias colocadas na criação. Respeite seu tempo e suas limitações. Faça o que tiver vontade, crie, experimente.

Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
Fernanda Nasser Farion por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Acabei de lançar com a minha irmã o Studio Eulália, em que eu cuido dos bordados e ela da arte do macramê. Está bem no começo, mas cada dia surgem ideias novas e possibilidades. Tudo dentro do nosso tempo. Acreditamos em um mundo mais consciente, menos descartável e contra o consumo excessivo. Enquanto os produtos industrializados são feitos em série, um produto feito à mão é único, rico em detalhes. A gente sempre quis fazer algo juntas e finalmente conseguimos.

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