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Estela
Miazzi
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
28 anos . artista

Sou uma mulher branca privilegiada. Cresci cercada pela natureza, pelo mundo da imaginação e por uma família que sempre respeitou meu tempo, me incentivou e acreditou em mim. Isso permitiu que eu entrasse em contato com meus sentimentos e emoções.

Meu trabalho parte de uma profunda afinidade com o mar, o mar palpável e o mar interno, que todo mundo sente. As palavras, desenhos, folhas secas e livros são algumas das minhas coisas favoritas no mundo.

Traduzo o mundo em aquarelas, baleias e silêncios.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
Estela Miazzi por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Desde criança mantenho diários para entender o mundo; quando pequena eles serviam para eu contar que tinha batido no Pedro, hoje em dia são meus cadernos e agendas. Sempre utilizei a palavra e o desenho para me expressar e desde 2013 transbordei em aquarelas.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

O outro. Pensar que nos encontramos.mar, nos reconhecemos.mar e que existe esse lugar dentro de cada um que nos unimos e percebemos o que nos aproxima.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria

"o que me interessa não é como as pessoas se movem, mas sim, o que as move." 

Pina Bausch

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Silencioso. Gosto de utilizar a aquarela como forma de transbordar o quê de mais mar que existe em mim. A aquarela tem tempo próprio e eu fico observando ela se movimentar, dialogar com a água e traçar caminhos.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Acho que uma coisa leva à outra. O chá de manhã, o regar as plantas, o morar com Ju e Manu, minhas amigas que fazem parte de quem eu sou… o falar sobre o que estou sentindo e como estou lidando com o mundo e principalmente os momentos de silêncio; quando ando de ônibus, fico deitada com meu gato, tomo banho ou escuto uma música.

obs: preciso sempre estar com um caderno/agenda no qual anoto as ideias, as idas e vindas, senão elas se perdem em mim.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Tenho muito carinho pelo livro Maria, que lancei em 2012. Foi o primeiro momento que permiti me expor (junto com outras amigas e conhecidas que compartilharam um dia de suas vidas). Hoje em dia a cada aquarela que faço, cada pedaço de mar, frase ou baleia viram instantaneamente meus favoritos. Porque me entrego para cada um deles, porque percebo que as pessoas se identificam e encontram um lugar.mar dentro delas e (bem modesta eu) tenho orgulho do que faço.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
Estela Miazzi por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Depressão. Em 2012 me formei na faculdade de Artes Plásticas e me senti fragmentada, sem vontade de me expor pro mundo. Passei o ano de 2013 intacta, no sentido de não conseguir me envolver com qualquer coisa que não fosse meu desconforto. Foi em um caderno desse mesmo ano que fiz minha primeira baleia e comecei a perceber que poderia traduzir, através da aquarela, tudo que transborda, tudo que é da natureza do sentir e não do mundo palpável e racional, que só me fazia entrar em contato com minhas cobranças. Juntei dinheiro e fui viver um inverno em NY. Lá pude estar só, silenciosa e desenvolver um mar meu.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

O mar. Gosto do som, do cheiro, do sal, do estar só mas me sentir integrada, inteira, toda.mar. Gosto de pensar que o mar é o que nos afasta fisicamente (continentes) mas também é o que nos une (a Terra como um todo).

Gosto de assistir filmes, ler livros (mesmo sendo meio relapsa e não ler o quanto gostaria) e de escutar músicas. Isso me influencia. E me inspiro nas pessoas à minha volta, nas dores delas, nas conquistas, nas brejas, vinhos e jantares.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
Estela Miazzi por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Não só existe preconceito em relação a mulher se expressar livremente mas também muitas relações abusivas que inibem, proíbem e/ou só desencorajam ela a expor o que quiser, o que ela sente, como ela sente… eu, privilegiada que sou, nunca tive que lidar com isso.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Ai que pergunta difícil. Poderia nomear aqui milhões de coisas, horas, momentos e pessoas. Tipo minha mãe, meu gato, a Flora, minhas amigas, ficar na rede, o mar (óbvio né gente, o mar). Quando as coisas acontecem como eu queria que elas acontecessem… quando as coisas acontecem melhor do que eu queria que elas acontecessem e eu fico muito surpresa e muito feliz!

Me faz feliz ser reconhecida pelo que sou, como sou e pelo meu trabalho.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
Estela Miazzi por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Entrar em contato com pessoas e coisas que te inspiram mas principalmente perceber como essas pessoas e coisas te afetam e como você se sente. Sempre registrar (de alguma forma) como você entende o mundo e ser gentil consigo mesma como você é com os outros (mantra da minha vida desde que Renata me disse isso).

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Quero voltar a estudar, fazer uma pós graduação, sair com um projeto de mestrado e aplicar. Fazer mestrado e me tornar professora universitária. Quero dar aulas de aquarela para o Balé da Cidade de São Paulo e a partir dessa experiência criarmos uma dança e um dia ela ser apresentada no Theatro Municipal e eu chorar de emoção na frente da platéia toda. Sigo com o projeto #100diasdemar no Instagram no qual posto uma foto relacionada ao mar durante 100 dias. Acabei de lançar meu site.mar e fiquei toda boba achando ele muito lindo e desde 1989 tenho um projeto em andamento que se chama dominar o mundo. brincadeira. mas sério.

Estela Miazzi por Projeto Curadoria
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