X FECHAR
RESPONDA NOSSA PESQUISA E PARTICIPE DO
MAPEAMENTO DE PERFIL DE
MULHERES CRIATIVAS BRASILEIRAS
DO PROJETO CURADORIA
//PARTICIPAR//
*O resultado será divulgado em forma de infográfico neste site
m
Cristina
Couto
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
28 anos . escritora . artista

Acho que pra falar de mim preciso dividir um pouco a minha história em duas linhas que se atravessam e se conectam, mas que são distintas. A primeira eu poderia chamar de uma tendência criativa que de alguma maneira eu desenvolvo como não-artista, e a segunda na minha carreira profissional como professora de cinema e pesquisadora. Acho que minha produção criativa acaba sendo um jeito de ser no mundo e minha carreira profissional o jeito de atuar mais objetivamente nele.

A coisa da criatividade e da imaginação acho que eu considero algo meu, da minha personalidade. Desde muito nova eu inventava muito as coisas, histórias, músicas e danças pra absolutamente tudo. Cadernos, desenhos, lápis de cor, e pinturas fazem parte das minhas primeiras lembranças de vida, assim como linhas e agulhas. Minha família é majoritariamente feminina e meu universo infantil foi sempre permeado por essas artesãs que desenvolviam todo o tipo de artesanato: pintura em tecido, tecelagem, tricô, crochê, argila, escultura em papel machê, decupagem e tantas coisas mais. Lembro muito de meus projetos de educação artística da escola serem sempre um projeto coletivo com minhas tias, principalmente, e com o incentivo da minha mãe, muito presente e que, da mesma forma, sempre me encorajou e exaltou minha facilidade com atividades criativas e manuais. Fui uma daquelas crianças que adorava as aulas de artes da escola, e aproveitava toda e qualquer oportunidade para exercitar a criatividade e de alguma maneira, dar vazão a essa imaginação que sempre foi muito fértil. Nunca tive uma formação em artes ou mesmo pensei em atuar profissionalmente nessa área, e acabou sendo pra mim uma coisa mais de característica de quem eu sou, do meu ser.

A escrita sempre foi uma atividade mais da minha irmã, ela é jornalista e sempre escreveu muito bem. O hábito de leitura, a literatura, assim como o desenho, sempre foi muito estimulada pela minha mãe, então a gente sempre foi de ler muito, estudar mesmo, muito, mas eu não escrevia, eu era do desenho. Há um tempo eu senti necessidade de escrever e assim como o desenho é mais uma maneira de eu exercitar e dar vazão aos mundos que eu crio ou às coisas que sinto.

Durante a juventude o cinema foi um caminho e uma escolha profissional natural, nunca pensei muito nos motivos pelos quais eu iniciei esse interesse, me pergunto hoje se não é exatamente o gosto pelas histórias inventadas e pelas imagens – e aí os caminhos, se aparados, se entrelaçam. Em 2008 ingressei no curso de Imagem e Som na UFSCar e durante a graduação descobri meu gosto pela docência, que da mesma maneira se desenvolveu muito naturalmente. Durante a graduação eu não me identifiquei com nenhuma área de atuação além da pesquisa, e via e ainda vejo na educação uma ferramenta muito transformadora, e na educação de audiovisual, na formação em audiovisual, uma chave bastante forte de presença no mundo mesmo. Lá eu realizei meu mestrado, atuei como docente durante dois anos até ingressar no doutorado na Unicamp, onde desenvolvo hoje uma pesquisa sobre cinema independente.

// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

É legal a gente ter em vista aqui que eu não sou uma artista profissional, então meus materiais são bem pouco profissionais também. Eu desenho em papel com uma gramatura boa o suficiente pra aguentar o que eu vou desenhar, lápis de cor, caneta com tinta de nanquim, lápis, e um estojo de aquarela infantil e outro que eu chamo de “de verdade”. Para os bordados, linha de meada, agulha, e algodão cru ou étamine e para os textos caneta Bic preta de ponta fina e meus cadernos.

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Pensando a motivação como aquilo que move, seria eu mesma. É nas minhas criações que eu me movimento, principalmente pra dentro, onde posso criticar, gostar, reviver, reinventar. Costumo dizer que meus textos, desenhos e bordados, são o meu jeito de colocar pra fora as vidas que eu vivi, que eu gostaria de viver ou as que eu vivi, mas gostaria que fossem de outro jeito. Minhas vidas inventadas se misturam com os sentimentos que eu mesma tenho medo de enfrentar e com as sutilezas e delicadezas que eu enxergo no mundo. É difícil às vezes ser uma pessoa que imagina muito as coisas, a gente se perde nas idealizações, nas memórias e muitas vezes não sabe direito identificar as próprias emoções, finge muita coisa, se engana pra não enfrentar, e além de tudo, sente muito. Eu sou muito sensível. Dedicar algumas horas do meu dia a um texto ou uma pintura me ajuda a compreender melhor meus momentos e experiências; já bordar alivia muito meus pensamentos, eu me sinto muito presente quando bordo, limpa o campo das ideias, abre espaço. Como tanto o exercício criativo como o profissional envolvem muito o trabalho mental, bordar é como descansar mesmo. É uma troca de energia com o mundo pra mim. Acaba sendo uma mistura de abstração e representação, mas eu gosto.

Em relação ao que me inspira, além das minhas experiências que são catalisadoras dessas expressões, meus amigos me inspiram muito. Estar em contato com meus amigos, conversar, visitar meus lugares preferidos da cidade, ativar memórias afetivas.

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

O processo criativo dessa não-artista ainda está em construção. Não tem muito uma rotina: quando sinto que preciso muito eu paro e escrevo ou desenho. Já tentei diversas vezes estabelecer uma rotina, mas não adianta, as demandas da vida profissional acabam sendo priorizadas. Mesmo assim, eu tento escrever pelo menos a cada quinze dias, postando no perfil. Poucos textos agora ficam guardados, se eu sento pra escrever, edito e publico no perfil do Medium. A maioria deles vem muito inteiros na minha cabeça e eu escrevo, alguns eu sinto que devo escrever, mas não sei muito sobre o quê e saem com mais dificuldade, mas partem também da necessidade da expressão escrita. Já para os desenhos e para os bordados eu preciso de outro tipo de percurso, é uma coisa muito menos consciente, exige mais preparação de eu entender as imagens que estão internas e que de alguma maneira eu vou externalizar. Por isso, na verdade, eu não tenho uma identidade muito definida de desenho, uma consistência, há algumas formas que eu sinto que se aproximam do que eu sinto necessidade de expressar de acordo com as habilidades que eu tenho, com meus limites. Em geral são desenhos de representação mais mimética e desenhos cegos. Os bordados são a mesma coisa, parto dos desenhos cegos e só bordo em ponto simples, tem uma coisa com os tecidos, com formar camadas. Além disso, eu sinto muito mais insegurança nos desenhos, muito mais medo. Pra enfrentar é mais difícil.

Cristina Couto por Projeto Curadoria

Genealogia

Minhas raízes crescem
como as da vegetação rasteira dos
manguezais lodosos:
em meio ao caos do lamaçal profundo
uma flor — flutuo.

Espalho os braços de seiva por
todos os lados (de dentro) e alimento
o tronco rígido (flexível)
de tudo que há a volta.

O ar abafado, úmido, pesa, rarefeito.

Um respiro —
raios de luz vindos do sol fazem a água barrenta brilhar
como o céu noturno estrelado.
É meio o dia.

Das entranhas de uma terra:
pertenço enf(m)im.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Eu escuto muita música, o tempo todo. Música é uma coisa que dialoga muito comigo, e eu também danço, o que da mesma maneira retroalimenta minha imaginação, já que também é uma expressão. A leitura sempre me acompanha, e abre muitos canais pra mim. Eu tenho uma relação muito íntima com processos de deslocamento – entre cidades e dentro da cidade, que são grandes gatilhos de criatividade, me movimentar externamente gera muitos movimentos internos, então procuro fazer passeios e sair de casa, mesmo que seja pra andar, e olhar muito pro céu. Tem também as coisas que são minhas e que eu acho que assim como a dança me retroalimentam: minha capacidade de brincar, de me divertir, de entender a vida com certa leveza, de alguma maneira me mantém criativa. Talvez seja bem simples, como quanto mais eu sou eu mesma e sincera com quem eu sou, mais me mantenho criativa.

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Eu tenho muito carinho por uma série de sete textos que publiquei ano passado, em 2017, no meu perfil do Medium, sobre uma personagem feminina que constrói sua identidade à medida que constrói sua relação com um espaço novo, um apartamento pra onde ela se muda. É uma narrativa não cronológica, muito formada por imagens e que fala sobre processos, sobre aquela coisa do segundo próximo que já vira anterior assim que acontece. Eu gosto muito deles porque vieram todos na minha cabeça de uma vez em algum caminho de volta pra casa, sentei e sabia exatamente o que ia acontecer em cada um e o que eu queria dizer com cada um deles. Me propus a escrever um por semana, mas mesmo tendo tudo definido eu senti medo de não conseguir criar os textos. Só que, curiosamente, escrevi todos eles, todas as semanas, como se fosse uma coisa totalmente natural, sem dificuldade nenhuma. Foi uma das coisas mais divertidas, mais sinceras e mais leves que eu já produzi.

Cristina Couto por Projeto Curadoria

Pedaço do #2- Sete.

“Havia mudado de casa em uma quarta-feira de sol por acreditar que os finais de semana não eram feitos para mudanças: nem de casa, nem de dentro, ou de lugar para almoçar. Gostava das pequenas repetições que os dias de semanas possibilitavam, e a ideia de iniciar as novas repetições o quanto antes agradava sua mente barulhenta. Na rotina conseguia encontrar suas pausas, inspirar o ar e os pensamentos, organizar os sentimentos.

A mudança completa foi feita em duas viagens de táxi da antiga para a nova casa. A nenhuma mobília foi adquirida duas semanas antes em uma dessas lojas que parcelam as compras em tantas vezes no cartão de crédito e aos poucos pretendia entender o que ia preencher o novo espaço. Mas aos poucos. Viu-se só. Pela primeira vez.”

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho que a escolha pelo cinema influenciou muito meu modo de ser e agir no mundo. Foi uma formação muito rica, me colocou em contato com um mundo muito mais amplo e mais voltado pras expressões artísticas, então acho que foi um fator determinante pra eu seguir me aproximando desse lado meu, de expressão de uma subjetividade intermediada pela criação. No geral, momentos de transformação ou ruptura potencializam muito minha necessidade de criar e produzir, é um jeito de lidar com meus sentimentos e normalmente são momentos em que eu fico muito mais próxima de algo que eu poderia chamar de essência, mais próxima de mim mesma. Como minha criatividade é muito ligada ao que eu sou, ela fica muito mais ativa, ou eu mesma sinto necessidade de ativar mais ela.

O último momento desses foi em 2016, o final de um relacionamento recolocou em perspectiva meus projetos, e desde então eu sinto cada vez mais essa proximidade e nem tanto mais necessidade, mas vontade mesmo, de criar. Foi quando a escrita entrou na minha vida além dos desenhos. Talvez tenha me colocado ao meu lado de novo. Eu espero que daqui pra frente eu saiba manter isso, independente dos rumos que a vida tomar.

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

O cinema é definitivamente minha principal influência, por essa relação visceral com as imagens e a luz. Eu penso por imagens, escrevo imagens, e eu tenho uma proximidade com a luz, gosto de luz, do claro, do sol entrando pela casa. Poderia pensar uma série sem fim de filmes e diretores que dialogam comigo e com minha produção de uma maneira indireta, já que eu mesma não produzo filmes. Mas entendo que os movimentos das imagens no cinema estão em tudo que eu faço, as noções de quadro, de ações, noções de espaço e luz, processos de identificação, tudo que envolve uma narrativa cinematográfica. Agora, mais objetivamente, eu gosto muito do trabalho da Clare Elsaesser, uma artista californiana que ilustra muitos dos meus textos e com a Eleonora Arosio, uma ilustradora italiana. Elas são bem diferentes entre si, mas acho que muitos aspectos da minha produção conversam com o trabalho delas. No caso da Elsaesser, os temas, o feminino, a abstração e os espaços vazios; e da Arosio, a diversão e a presença do lúdico, dos amigos e das cores. A Isadora Brandelli influencia muito meu trabalho no sentido de dar coragem pra pensar fora de lugares definidos, a coisa da criação livre, da liberdade de não saber o técnico, mas saber o que se quer com aquilo e qual caminho a gente sente que deve percorrer. A Rebeca Prado é uma das ilustradoras que eu mais admiro, por conseguir se aproximar, do meu ponto de vista, do universo do infantil sem voltar ele para a criança. Ela trabalha muito com o lúdico nessa chave. Na literatura, muito a Key Ballah, ela fala muito de uma relação com Deus, com o religioso, que é uma dimensão muito da alma que eu gosto bastante. Tem vários outros, como a Lina Scheynius, a Eva Uviedo, o trabalho do Pedro Fonseca, do Jareck Puckzel, que na verdade contextualizam e alimentam minha criatividade, mas acho que de uma maneira mais objetiva são essas mesmo.

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Acredito que a produção feminina ainda é muito vista como secundária, como se nós soubéssemos apenas contar nossas histórias pessoais e isso não tivesse muito valor. Muitas vezes passa pelo lugar do ofício também, ou do artesanato, e aí eu falo principalmente sobre as atividades como a costura, o bordado, a escultura, que saem do lugar de expressão de uma visão de mundo e caem, por vezes, no utilitarismo, ou no passatempo. Claro que não há nada de ruim em uma atividade ser vista como uma diversão, distração ou uma maneira de ganhar a vida mesmo, fazer dinheiro, mas parece que, quando o assunto é a produção feminina, a vida de acesso tende a ser mais essa. Como se, além da utilidade e distração, não tivéssemos nada pra falar, pra adicionar no mundo, pra gerar identificação, impacto, emoção. No meu caso, como minha produção é muito pessoal, voltada pra mim mesma ainda, eu não sinto muito. Mas eu conheço e vejo artistas que passam sim por esse constrangimento nos seus trabalhos.

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Tem um texto da Gabriela Ventura no Mulheres que Escrevem intitulado “Eu não preciso ser feliz”, em que ela diz “Eu não preciso ser feliz (...) . Eu preciso saber lidar com a sensação embasbacante de que há tanto mundo lá fora. E que também há tanto mundo dentro de mim.” Eu peguei as palavras emprestadas porque elas estão ecoando em mim desde que li essa pergunta. Viver me faz feliz, o processo, ainda que difícil e às vezes confuso de viver, me faz feliz. Lidar com o mundo, lidar com os que eu crio em mim me faz feliz. Dias de sol me fazem vividamente feliz, sorvete me faz feliz, o colo da minha mãe, fazer minha irmã dar risada, meu afilhado, estar com meus amigos me faz feliz a ponto de eu enxergar as coisas cheias de luz. Estar sozinha, sentada em um banco na rua, ou ir ao cinema assistir um dos meus filmes prediletos e repetir os diálogos em uma terça de tarde me faz feliz. Lecionar faz com que eu sinta meus poros se abrirem e jorrarem felicidade. Acordar do lado do meu cachorro me faz feliz. Viajar e ver a paisagem correr rápido e as nuvens mudarem muito em coisa de minutos. Sentir a temperatura do dia mudar desde de manhã bem cedo até a noite me faz muito feliz. Veja (e agora meu roubo de palavras faz sentido): eu não preciso ser feliz, eu preciso estar viva e sentir a vida, e só assim eu sou feliz.

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Estejam próximas de outras mulheres, apoiem umas as outras, mantenham seus amigos próximos e pessoas que querem bem a vocês. Conversem sobre suas vontades, seus projetos, sobre algo que você fez, comeu, assistiu e gostou. Troquem. A criatividade é muito pra mim essa coisa do ser e da vida, do processo, da experiência de viver, e a gente tem muito essa tendência de guardar as coisas, de fechar, de achar que ninguém vai entender. Hoje eu consigo dizer, com o maior medo aqui, nessas palavras todas escritas que eu tive receio de escrever: alguém vai entender, alguém vai gostar, alguém vai olhar pra tudo que você tem a dizer e mostrar e vai conversar com isso. Nós somos capazes. Não precisa ser bonito, não precisa ser legitimado, não precisa fazer sentido pra qualquer outra pessoa que não você mesma. Se dê a liberdade de querer se expressar e fazer isso pelo simples fato de querer.

Cristina Couto por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Eu ainda não tenho um projeto ou uma produção, por sempre ter feito as coisas muito em uma lógica de informalidade e pra mim, mas tenho tido cada vez mais vontade de soltar isso. Essa produção toda que eu não nomeio dialoga entre si, e isso foi uma percepção recente minha. Recentemente juntei tudo em um perfil no Instagram (@muda.__) como uma documentação desse meu processo de descoberta, de compreensão de mim mesma como uma pessoa capaz de me expressar criativamente e dialogar com outras pessoas a partir disso. O projeto chama “muda.” e eu tenho material desse um ano todo, e mais novos que eu venho trabalhando constantemente. Foi um impulso novo que tem se retroalimentado, apesar de eu não saber muito bem pra onde vai ou mesmo o quê eu quero com isso. Hoje entendo como ferramentas de expressão de tudo que eu sou, para o mundo. Estar aqui é parte desse mergulho.

Cristina Couto por Projeto Curadoria

Dois poemas de uma palavra só

(que sempre se repetem)

 

minha avó pegava mudas
de plantas das ruas
para ver amadurecer(em)
com seus cuidados

pequenos pedaços de planta
crescendo
pro lado, pra cima, pelo portão
do quintal

mudas, movimentavam-se de dentro.
mudas, com o tempo.
mudas, no silêncio.
shhh.

-------------------

muda
andança
pequeno pedaço de planta
gesta gerações de mudanças

muda
silencia
ideias idealizadas um dia

muda
movimento
de’ntro.

shhh.
recomeço.

COMPARTILHE
b
//+entrevistas