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Cristiana
Ventura
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
33 anos . artista . estilista

Sou formada em Moda, trabalhei na área por 14 anos, morei em Londres, estudei na Central Saint Martins estagiei na Basso & Brooke por lá e quando voltei pro Brasil trabalhei na Neon, depois disso eu criei uma marca de roupas, a Hoxton, por 6 anos, unindo moda e lifestyle, trouxe o conceito de rooftop para SP e shows de bandas inglesas e brasileiras pra Hoxton em parceira com a Jack Daniels mas em 2014, após uma viagem à India, resolvi repensar minha vida e acabei encerrando a empresa. Passei a dar aulas em uma universidade, palestras e resolvi tomar coragem de estudar arte, algo que sempre tive vontade. Em dezembro de 2015 resolvi ir pra Ásia sozinha por um pouco mais de 2 meses num mergulho profundo dentro de mim mesma. Nesse processo que ainda reverbera dentro de mim, assumi para mim mesma que quero seguir a carreira artística, e com isso acabei de apresentar minha primeira exposição individual, a Mergulhos.

Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Ultimamente tenho trabalhado muito com resina, ilustração em papel ou tela, graffiti e muralismo, lambe – lambe, também trabalho com monitipia, linóleogravura e estou começando a explorar o alcoohol ink, processo que lembra muito a resina, que é o flowart.

Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

As minhas motivações são questões muito pessoais, coisas que preciso lidar dentro de mim, curar, rever e transformar. A arte me ajuda a curar e aprender a aceitar o que não pode ser mudado, a entender que tudo tem o seu tempo, a lidar com a ansiedade e deixar de tentar controlar as coisas. O que me inspira? Pessoas, histórias, viagens, sentimentos, meditação, o universo feminino e meu mundo interior.

Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

É muito livre, depende do que minha intuição me pede, mas geralmente quando entro no estado de fluxo do trabalho não posso parar. Se eu paro, eu perco o fio da meada. Infelizmente não produzo todo dia, adoraria que fosse assim, mas inúmeras vezes me pego tendo que sair do lugar comum para trabalhar. Às vezes vou trabalhar na praia, como sou santista, São Paulo às vezes me consome demais e não consigo criar. Aí eu enfio tudo no carro e vou pra alguma praia, levo tela, tinta, sketchbook, levo tudo pra areia e isso me ajuda. E às vezes em SP vou pintar em algum café, no parque, na varanda de casa. Sair do lugar comum às vezes é uma boa opção.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Eu leio bastante, faço meditação, às vezes saio para caminhar sem rumo ou andar de bicicleta, ajuda a clarear a mente, visito museus, exposições, saio com amigos, e tento pelo menos uma vez na semana ir em algum lugar que nunca fui antes pra me trazer aquela ideia de encantamento com o novo. Sou muito exploradora e isso me ajuda muito criativamente, sou apaixonada pelo desconhecido.

Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Acho que o mais recente. Estou apaixonada pela tela Yin/Yang – Existe Luz Na Escuridão. Foi uma tela que criei misturando resina e pintura, algo que nunca tinha testado e nunca imaginei se daria certo, fiz especialmente para a exposição, e é um trabalho muito importante para mim, pois foi uma maneira de transformar um lugar interno aonde precisei ver coisas que não gostei tanto sobre mim, e poder abraçar essa sombra pra deixá-la dar espaço para a luz. Foi um processo de cura e aceitação. São duas telas somando 2 metros de largura por 1,20m de altura.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho que um grande marco pessoal foi a minha viagem à Ásia sozinha e como ela se transformou em uma exposição, a minha primeira individual. E profissionalmente esse foi meu maior marco. Mas sinto que o artista está constantemente se desafiando, e com esse desafio ele se coloca num lugar de sempre ter marcos importantes ou decisivos para de lá dar um salto á um novo lugar.

Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Sou apaixonada por vários artistas, acho que fica super difícil citar alguns mas acho que a primeira artista que me apaixonei mesmo foi a Tracey Emin, ela foi a razão pela qual quis morar em Londres. Depois dela vieram a Cornelia Parker, Guerrilha Girls, Silvie Fleury, Frida Khalo, Tasila do Amaral, Barbara Kruger, Anita Malfatti, Georgia O’Keefee, Ligia Clark, Adriana Varejão, Vanessa Beercroft, Nan Goldin (eu amo artistas mulheres) os Russos Chagall, Malevitch, Munch, Kandinsky, Van Gogh, Keith Harring, Klimt, Munch, Warhol, Lichtenstein, Banksy, Basquiat, Ai Weiwei, Picasso, Miró, Arthur Bispo do Rosário, J. Borges e a turma da arte de cordel, Matthew Barney, é uma longa lista e não vou conseguir lembrar de todo mundo, sem dúvida alguma. Além disso em tempos de Instagram sigo uma quantidade imensa de artistas jovens, grafiteiros, artistas contemporâneos e ilustradores que enchem meu dia de cor e inspiração.

Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Eu acho que existe um longo caminho para o mercado de arte no geral, é difícil se sustentar apenas com o trabalho artístico e como qualquer outro mercado, temos muito mais homens que mulheres trabalhando e ganhando bem, mas ao mesmo tempo acho que a partir do momento que você se aceita e se assume como um artista, não existem mais regras a serem seguidas. Um artista é livre, ao menos deveria ser, para se expressar como gostaria. Se ele sente que não tem espaço para se expressar, talvez seja algo que ele mesmo se pressiona socialmente. A sociedade sempre vai reprimir a liberdade, cabe ao artista entender o quanto isso vai afetar seu trabalho. No mais, temos muito menos mulheres em galerias, em exposições e até mesmo na rua fazendo graffiti, mas ao mesmo tempo me sinto feliz em ser uma artista brasileira, o único país do mundo em que uma obra de uma artista mulher da atualidade vale mais que de um artista homem é o Brasil. Beatriz Milhazes e Adriana Varejão venderam obras recentemente por valores nunca antes alcançados pelos homens.

Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Pequenos prazeres da vida. Um gostoso dia de sol, um mar pra mergulhar, amigos para conversar, telas para pintar, lugares para explorar, shows para dançar e um pouco de dinheiro pra viajar.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Se deem bons momentos, pequenos presentes no dia a dia, se aceitem e se amem, viaje pelo menos uma vez por ano pra algum lugar desconhecido (não precisa ser longe), frequentem museus, se relacionem com pessoas de idades diferentes, aprenda com todo mundo que cruza seu caminho, coloque pra fora aquilo que te angustia, aprenda a se aceitar e se amar exatamente como você é (e depois se você quiser mudar algo, tudo bem), viva o agora, é a única coisa que você tem, silencie, dance, celebre, contemple. Aguente firme os momentos difíceis, use-os como combustível criativo, entregue-se. Aprenda a viver o hoje, não tenha medo do futuro, come aquele bolo, compre aquela passagem. Pra ser criativo só precisa estar vivo.

Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
Cristiana Ventura por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Acabei de fazer minha primeira exposição aonde o foco maior foi a resina e agora estou aprendendo a técnica de alcoohol ink, em breve vou compartilhar com as pessoas essas duas técnicas em um workshop de fluid art. Aprender para compartilhar! E o outro projeto é uma viagem que quero fazer em breve, um pouco mais longa, mas essa ainda não posso compartilhar com vocês.

Foto do perfil/divulgação por Tatiana Aguena

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