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MULHERES CRIATIVAS BRASILEIRAS
DO PROJETO CURADORIA
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*O resultado será divulgado em forma de infográfico neste site
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Constança
Duarte
Portugal
vivendo em Coimbra . Portugal
23 anos . ilustradora

O meu nome é Constança Duarte, nasci em Coimbra onde estou agora a viver e a tirar um mestrado em Curadoria. Desenvolvo trabalho em Ilustração e quando há tempo também em Pintura.

Desde miúda que me rodeio de lápis e folhas de papel para onde passo os meus devaneios seja em forma de textos desconexos ou desenhos.Cresci com os filmes do Tim Burton e o Murder Ballad´s do Nick Cave e sempre disse que estes dois (e o Tarantino também) tiveram um papel indispensável na minha educação e na minha maneira de ver o mundo.

A partir de uma certa altura comecei a encher compulsivamente cadernos de rabiscos coloridos e a inventar as minhas personagens. Um dos meus objectivos é sempre criar uma narrativa visual de interpretação aberta, com sorte um bocadinho de poesia com imagens.

Constança Duarte por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Normalmente utilizo o aparo e a tinta da china ou canetas. Também sou fã das aguarelas e das tintas acrílicas. A linogravura é uma técnica que também me cativa imenso e na qual planeio investir mais tempo.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Acho que mais que uma motivação sinto uma necessidade de criar. Quando passo muito tempo sem desenhar ou sem me expressar de algum modo, sem desenvolver a minha criatividade, tenho tendência a ficar mal-humorada e meio deprimida. Mas diria que a principal motivação é sempre a evolução, tanto artística como pessoal. Acredito que andam as duas lado a lado, quando o meu trabalho evoluí aprendo muito sobre mim também.

Qualquer coisa pode servir como inspiração, desde uma frase numa porta de uma casa de banho, a letra de uma música, uma imagem de um filme ou mesmo um passeio num dia de sol.

Constança Duarte por Projeto Curadoria
Constança Duarte por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Geralmente surge uma ideia numa altura completamente inoportuna: no meio de uma aula, no banho ou quando estou prestes a adormecer. Tento guardar estas ideias até ter oportunidade de as passar para um dos meus mil cadernos, seja em forma de um rabisco incompreensível ou de palavras chave que só eu descodifico. Depois desenvolvo estas ideias e passo para o desenho final, a meio deste costuma surgir a ideia para o próximo. Assim acabo por trabalhar em séries e desenvolvo a primeira ideia exaustivamente até ela se transformar em algo completamente diferente.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Leio, escrevo, vejo filmes, ouço música e ando a pé a ouvir música. Acho que o essencial é consumir cultura mas também guardar tempo para reflectir sobre esse consumo. Ver arte, ver exposições acaba por criar sempre em mim uma inquietação enorme e dá-me vontade de criar. Talvez seja uma vontade de tentar compreender a arte dos outros através da minha, sendo que normalmente a fonte de inspiração nem é discernível de tão dissecada e desconstruída.

Constança Duarte por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Os trabalhos preferidos tendem a ser os que estão em progresso, aqueles em que ainda há espaço de evolução e de novas descobertas. Mas diria que um dos meus projectos preferidos foi desenvolvido com um colectivo de Coimbra: os Pescada nº5. Fizemos uma exposição numa casa abandonada com o título “Entre a Ruína e a Obra”, foi muito interessante explorar esse contexto e trabalhar numa casa cheia de história e memórias familiares. Foi um projecto que me pôs a escrever contos e a pensar muito sobre o conceito de história e memória, a atribuir a um espaço físico uma vida,uma personalidade e uma narrativa.

Constança Duarte por Projeto Curadoria
Constança Duarte por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Não consigo localizar temporalmente nenhum momento decisivo, acho que de forma muito espontânea e gradual comecei a levar mais a sério a prática artística. De repente deixei os sketchbooks e as mesas de café e comecei a sentar-me no meu estúdio e a investir mais tempo nas coisas. Isto tornou-me muito mais paciente e ponderada, permitiu-me evoluir bastante e dar mais valor às coisas que produzo. É claro que os sketchbooks e as mesas de café continuam a ser agradáveis mas agora funcionam como um meio e não um fim.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

É um pouco complicado definir influências, acho que acabo por ser influenciada por tantas coisas que vejo que se torna difícil perceber o que está a me influenciar realmente. Mas há alguns artistas cujo trabalho admiro imenso e cuja obra me encanta da mesma maneira sempre que a vejo: Edward Gorey, Hyeronimous Bosch, Odilon Redon, Nicki de Saint Phale, Henry Darger.

Constança Duarte por Projeto Curadoria
Constança Duarte por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Parece-me que esse tipo de preconceitos estão a desaparecer, ainda que mais lentamente do que o que seria desejável. Pessoalmente nunca os senti e espero continuar a ter essa sorte. Creio que o meio artístico já se começou a libertar das ideias machistas de outrora e esperemos que assim continue.

// E o que te faz feliz?

Manhãs calmas com uma chávena de café, passeios em dias de sol, um bom livro e boa banda sonora. E a Buffy, a minha cadela.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Acho que o essencial é ter confiança nos projectos que desenvolvemos e nas escolhas que fazemos, e claro trabalhar… muito.

Constança Duarte por Projeto Curadoria
Constança Duarte por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Neste momento tenho vários, que envolvem maioritariamente combinar a ilustração e a escrita. Tenho andado a escrever alguns contos e a trabalhar em ilustrações que os acompanhem. É um dos objectivos para 2018!

Para além disso quero focar-me mais na linogravura e na exploração de diferentes técnicas de impressão.

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