m
Clarisse
Romeiro
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
31 anos . designer

Sempre tive uma queda por miudezas e há sete anos utilizo-me dos recursos linguísticos da estamparia para me comunicar.

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

As ferramentas mudam a cada tema estudado. Costumo explorar diferentes técnicas manuais para desenvolver o desenho da estampa -  pintura, xilogravura, máscara, colagem, etc. - para depois digitalizar e utilizar o Photoshop como uma ferramenta de acabamento. 

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A maior motivação é a sensação de liberdade para entregar-me àquilo que acredito, sem ter que me enquadrar às necessidades de um mercado tão restrito. 

Quando atenta, a inspiração está em todo lugar, mas minhas principais fontes surgem de lugares, personagens e histórias da nossa cultura.

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

A definição do assunto a ser estuado é o primeiro passo: são muitas ideias até que inesperadamente um tema me escolhe. 

A partir daí costumo dividir o processo em três etapas: aprofundamento na pesquisa; experimentos; soluções.

Minha última coleção é justamente uma homenagem ao processo: Estampa Casulo para etapa I; Estampa Lampejo para etapa II; Estampa Mata para etapa III. 

A coleção se chama Vagalume.

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Em momentos mais introspectivos a literatura, a música e a natureza são essenciais.

Para momentos mais expansivos, são os encontros e as boas prosas que mais me motivam.

Viagens, filmes, exposições, concertos, certamente são essenciais não apenas para manter a criatividade, mas para alimentar a alma.

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

A Coleção Serounãosertão por me apresentar a estamparia como um possibilidade de comunicação.

A Coleção Renovação por ser extremamente afetiva, por homenagear os mestres da nossa cultura, por ser fruto de experiências profundas e transformadoras.

A Coleção Vagalume pela entrega íntima, pela revelação do processo, por me mostrar como desejo expor-me à luz.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

O momento decisivo foi em 2011, quando fiz o curso de estamparia no SESC com o mestre Celso Lima e entendi que poderia dar continuidade à minha pesquisa autoral sobre estamparia que, na época, era uma área totalmente desconhecida e muito pouco - ou nada - valorizada. 

Outros acontecimentos marcantes foram, em ordem cronológica:  O convite pela Casa Vogue para desenvolver uma estampa exclusiva para os 40 anos da revista; a parceria com a Donatelli Tecidos em 2016, primeira empresa que abriu portas para meu trabalho autoral entrar no mercado; a indicação para o Prêmio Casa Vogue Design 2017, com a Coleção Kapulanas desenvolvida por mim e produzida pela Donatelli Tecidos; a parceria com a estilista Fernanda Yamamoto em 2017; o prêmio de 1º lugar na categoria têxtil do 31º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, com a Coleção Renovação.

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

São tantos... De forma rápida e aleatória: Guimarães Rosa, Drumond , Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Mira Schendel, Lygia Pape, Aldemir Martins, Pixinguinha, Manuel Bandeira, Sonia Deloney, Fellini, Roland Barthes, Manoel de Barros, Wim Wenders, atualmente Camões.... O sertanejo, as bordadeiras, os pescadores, as lavadeiras, o carnaval, o cinema novo, a roça, a arte rupestre, atualmente as grandes navegações.

São descobertas diárias de lugares, histórias e pessoas que me arrebatam.

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

A estamparia é uma área composta em sua maioria por mulheres, então o preconceito não está exatamente na escolha da profissão. O preconceito maior se dá na hora de negociar com fornecedores e de administrar um negócio próprio e sozinha. Por um lado percebo uma falta de compromisso, por outro uma grande surpresa pelo fato de eu trabalhar sozinha. Isso não aconteceria - ou pelo menos não na mesma intensidade - caso o dono da empresa fosse um homem.

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Não me trair e, apesar de não ser fácil, ir de encontro àquilo que acredito. 

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Acreditar que nossa busca é individual e não trair nossos sonhos. Só tem uma pessoa que precisa mesmo gostar do nosso trabalho, no caso nós mesmas.

Clarisse Romeiro por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

- Alguns dos produtos que desenvolvo para minha marca Veredas Atelier estão à venda na loja.77, um espaço que acaba de inaugurar em Pinheiros e que une o trabalho autoral de mulheres;

- Segue a parceria com a Donatelli Tecidos, temos projetos novos para o ano de 2018 que estão em andamento;

- Acabou de ser lançada a nova coleção Outono|18 da Fernanda Yamamoto,  com estampas exclusivas desenvolvidas por mim para a marca.

- Uma nova parceria está se firmando com a estilista Bruna Fernandes do Estúdio Sereno.

COMPARTILHE
b
//+entrevistas