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Chana
de Moura
Brasil
vivendo em Porto Alegre . RS
28 anos . artista

Eu acredito trabalhar com possibilidades de sensibilização através da exploração de diversas mídias e também através de arte educação. Com meus trabalhos tento abordar questões do meu universo íntimo de relações e crenças, e busco desdobrar as conexões que estabeleço em meus estudos e experiências sobre universos místicos e os mistérios da natureza, que são minha maior fonte de inspiração. Como se estivesse sempre em busca de tornar visível aquilo que os olhos não podem ver, meus trabalhos surgem em forma de fluxo, como instalações de ideias, sentimentos e pensamentos. Em plataformas como desenhos, gravuras e objetos, procuro organizar e transpor informações coletadas nessas investigações e experiências, que não buscam acuidade científica, mas sim uma coerência emocional e, se acaso se aproximar de linguagem filosófica ou científica, o faço de forma particularmente amadora.

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// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Diversas mídias, desde desenho até gravura, fotografia, vídeo ou objeto.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

O universo místico, filosófico, místico-feminino, científico, o mundo da natureza e das coisas naturais ou sobrenaturais, e o universo das relações e sentimentos do animal humano, também.

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// Como é o seu processo criativo?

Depende. Acho que geralmente trabalho com a ideia de instalação: seja com instalação da ideia no papel, seja com fluxo de pensamentos e sentimentos, de acordo com o que vem à mente na hora de executar. Para fazer os trabalhos, gosto muito de estar em um ambiente equilibrado e limpo. Geralmente, coloco um disco para tocar, algo mais introspectivo. Procuro trabalhar no ateliê quando possível, porém, como viajo com bastante frequência, procuro recriar meu universo criativo em outros locais também, o que sempre torna tudo mais complexo…

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// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Acho que eu não tenho uma técnica para manter a criatividade, acontece que muito do que penso ao decorrer do meu dia, geralmente, está ligado ao fazer criativo. Muitas vezes não consigo distinguir um pensamento artístico de outros tipos de pensamentos.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Bom, o que eu mais gosto, mas que dá muuuito trabalho pois sou detalhista, é projeto de exposição individual: gosto muito de pensar que tenho um espaço pra comunicar as coisas que penso/sinto/produzo e que outras pessoas poderão compartilhar dessa experiência formas distintas às que imaginei.

Outra coisa que gostei muito de ter feito no último ano foi trabalhar como ilustradora parcial dos desenhos do miolo da Mandala Lunar, que é um projeto maravilhoso de autoconhecimento para mulheres.

Por último e por ser, assim, bem grande, foi muito interessante fazer um mural de mais de 15 metros de altura, na Univates em Lajeado, RS.  (a universidade produziu um vídeo sobre o processo, que contou com a produção da minha amiga-hermana Tuane Eggers e assistência artística do meu companheiro Daniel Eizirik)

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// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho que foi durante a minha primeira exposição individual (O coração, se pudesse pensar, pararia, que ocorreu na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre), que percebi que a manifestação artística era uma das razões para eu estar passando pela experiência de estar viva nessa dimensão. O retorno emocionante do público ajudou muito a fortalecer minha confiança.

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// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Minha inspiração é a natureza e tudo aquilo que não se pode ver sem sentir. Artistas? Gosto muito de muitos, todos muito específicos e relacionáveis: Tarkovsky, Leonilson, Brigita Baltar, Suarez Londoño, William Kentridge, Francis Alys, Louise Bourgeois, Kazuo Ohno, a alquimia, o sufismo...

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Eu, particularmente, não lembro de ter sentido um preconceito diretamente. Mas sei que muitas mulheres passam por isso, por isso é importante criar, porque criar é forma de resistir (não gosto da palavra “criar”, porque acho que nada se cria, tudo se revela… mas estou usando mesmo assim, por falta de um vocábulo que se encaixe melhor).

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// E o que te faz feliz?

Cachoeira.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Acho que a mesma coisa que escrevi acima: é importante criar, porque criar é forma de resistir (não gosto da palavra “criar”, porque acho que nada se cria, tudo se revela… mas estou usando mesmo assim, por falta de um vocábulo que se encaixe melhor). Além disso, diria a elas para insistirem até que cada célula do corpo esteja escutando e ressoando esse desejo, assim a gente é capaz de modificar as direções dos ventos do mundo, fazer com que nos ouçam.

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// Você tem algum novo projeto em andamento?

Nesse momento estou voltando para Porto Alegre para produzir trabalhos que ficaram meses no mundo das ideias… Ah, antes de ir, pintarei um mural na Casa Líquida, aqui em São Paulo...

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