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Carolina
Barbosa
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
27 anos . ilustradora

Eu faço parte de uma dupla de desenhistas e por isso muita gente não me conhece como Carol e sim como “uma das meninas da Lanó”. Formei essa dupla junto com uma das minhas melhores amigas da faculdade, a Juliana Nersessian. Fizemos Artes Visuais juntas, mas foi só depois de dois anos de formadas, final de 2014, que resolvemos no juntar para formar a Lanó.

Eu sempre amei desenhar e trabalhei principalmente com criação de arte, mas voltada para propaganda e filme. Por acaso descobri que algumas pessoas trabalhavam desenhando em paredes na casa dos outros. Eu não sabia que existia essa vertente de artistas fora do ramo do grafite, sabe?! Isso me deixou encantada e consequentemente a Ju também! Então começamos a desenhar juntas e passar esses desenhos para paredes e outros suportes.

Eu gosto muito do meu trabalho. Mas tive que aprender a lidar e aceitar os pontos negativos dele. Hoje, com quase três anos de experiência, me sinto satisfeita com o resultado do nosso trabalho e com o estilo de vida que ele me proporciona. Acredito que ter a Lanó me ajudou a me tornar alguém melhor.

Para me conhecer existe uma fórmula simples. Conheça a Lanó, minha amizade com a Ju, meus maiores parceiros (meu marido e cachorro), e nosso amor por Minas Gerais! Brincadeiras a parte, não sou uma pessoa muito complexa e acho que quem segue a Lanó percebe isso sobre nós duas. Fazemos nosso trabalho o melhor que podemos e tentamos nos divertir muito no processo. Funciona!

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Uso normalmente caneta e lápis, mas também adoro aquarela e tinta acrílica. Temos artes digitais então trabalho bastante com o Ipad e a Apple Pencil. Às vezes também fazemos desenhos em porcelana! Então na verdade acaba mudando de projeto para projeto. Já tentamos muitos suportes.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Pode parecer engraçado, mas eu realmente amo coisas belas. Ver alguma coisa e pensar “nossa que lindo” me faz ter vontade de fazer algo assim também. Então acho que no final o que me inspira e me motiva é essa vontade de criar algo para ser admirado e causar esse tipo de emoção. É o mesmo que me motiva a tentar aprimorar meu traço e técnica constantemente.

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Normalmente começa com uma referência. Eu vejo algo que me encanta e então alguma coisa começa a fermentar na minha cabeça.

Eu sou louca por referências. Posso ficar horas só procurando desenhos, pinturas, esculturas e todo o tipo de arte. Dificilmente eu começo algo sem antes passar por esse processo de acúmulo de referências.

Às vezes nem vejo coisas que literalmente influenciam no que eu vou criar naquele momento, mas de alguma forma todo esse estímulo deixa minha criatividade à todo vapor. Aprendi isso com um professor de escultura que dizia que conhecimento é o combustível da criatividade, e para mim funciona exatamente assim.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Nós trabalhamos com isso, então diariamente temos que criar e desenhar. Para não deixar cair no automático estamos sempre procurando ideias novas e referências. Eu e a Ju temos em comum essa vontade de não deixar nosso trabalho se tornar simplesmente uma fórmula. Então constantemente nos incentivamos a tentar algo diferente. Às vezes não conseguimos fazer isso com algumas encomendas por exemplo, por isso de tempo em tempo aproveitamos um intervalo para focarmos só em criação livre. Começou sem querer, mas agora já se tornou parte da nossa agenda.

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Eu tenho dois tipos de projetos preferidos. Gosto muito dos projetos que nos tiram da zona de conforto. Como foi com o muro do Bar Pirajá que fizemos e que por ser todo colorido foi bem diferente do nosso normal. Além desse tipo também adoro projetos que a gente tem bastante liberdade criativa e então podemos viajar mais.

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria

Um dos que eu mais gosto nós fizemos para entrar em uma concorrência. Eu acabei ficando mais responsável por ele e fiz algo super detalhado para caso a gente não ganhasse a gente pudesse usar em outra coisa. No fim, realmente não ganhamos, mas o desenho ficou lindo e usamos como impressão e também como base para uma das nossas paredes preferidas que fizemos no nosso próprio ateliê.

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Quando você embarca nessa de ter um negocio próprio acho que você acaba tendo vários marcos. O básico é o momento em que você decide que é isso que você vai fazer, larga tudo e mete a cabeça. Mas para mim o grande marco talvez seja nossa primeira exposição. Foi o primeiro momento em que nos dedicamos exclusivamente ao nosso traço e às nossas ideias, nós éramos o cliente final. Para mim foi nesse momento que a Lanó formou a identidade dela. Ainda é um processo, sempre em formação, mas para mim foi ali que a coisa ficou séria e a Lanó se formou como essa personalidade quase independente de nós.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

São muitos e todos eles são completamente visíveis no nosso trabalho, mas eu, Carolina, tenho diversas inspirações que não são usadas diretamente na Lanó. As referencias e inspirações que usamos na Lanó tem a ver com nosso gosto pessoal, mas sempre seguem mais essa identidade que criamos para o traço da Lanó, sabe?!

Eu sempre amei animação, Glen Keane é meu ídolo, criação de personagem no geral, e também ilustração infantil e aquarela. Essas referências acabam não tendo muito influência quando se trata da Lanó, por exemplo. Em compensação vários artistas que sempre admirei como Klimt, Gabriel Moreno, Paula Bonet e a arte renascentista, são importantes inspirações no traço da Lanó. Com o tempo, junto com a Ju, fomos descobrindo outros que tinham a ver com o tipo de arte que buscávamos como, Sergio Toppi, Harry Clarke e Alfonse Mucha.

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Não sei se posso dizer que já senti esse tipo de preconceito, não em relação à expressão livre pelo menos. Acho que por sermos duas mulheres vivemos algumas situações diferentes da maioria masculina do ramo, mas também não chega a ser negativa (menos o assédio que apesar de não ser algo mais forte do que em outros ramos ainda existe, e quando acontece é sempre desagradável).

Talvez por sermos mulheres, as pessoas tenham mais cuidado com a gente. Não achamos isso ruim porque realmente muitas vezes precisamos de ajuda com coisas muito pesadas ou dicas sobre materiais que não conhecemos. As pouquíssimas vezes que senti algum tipo de preconceito ou que estávamos sendo diminuídas por sermos garotas foram situações rapidamente revertidas quando provamos o que sabemos fazer. Algumas vezes até já serviu a nosso favor porque muita gente acha que somos mais jovens também do que realmente somos, então elas ficam muito espantadas e ver que o trabalho é bem resolvido e feito com experiência.

Acredito que essa confiança deva fazer alguma diferença, porque realmente temos muita segurança no que sabemos, mas ao mesmo tempo não temos nenhum problema em dizer que aquilo não fazemos bem e tal. Somos sinceras e acho que as pessoas respondem bem a isso.

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Trabalhar com algo que eu gosto e com a minha melhor amiga me faz muito feliz. Eu acredito no nosso trabalho e nas possibilidades que ele me traz. Podemos não estar nadando em dinheiro, mas tenho um estilo de vida que me agrada demais e o reconhecimento constante de outras pessoas. É legal fazer algo que sai um pouco da linha do comum e ter orgulho disso.

Eu estou grávida agora e de fato não tem nada que me deixe mais feliz do que saber que depois que o bebê nascer, além do meu marido me apoiando em casa, eu tenho uma pessoa que confio plenamente para me apoiar no trabalho. Isso sem contar com toda a flexibilidade que temos em relação ao nosso tempo por trabalharmos para nós mesmas, compensa todas as dores de cabeça de ser autônoma.

Mês passado pude não trabalhar um dia para levar minha avó ao médico. Parece simples mas poder ter essa opção tão facilmente é um privilégio para nós duas, e com certeza me deixa mais satisfeita com o que faço e consequentemente mais feliz.

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Produza muito! Se você ainda não tiver público que queira comprar suas criações, dê para os amigos, família, qualquer coisa desde que você produza constantemente. E ainda mais importante, não se acomode. Não ache que está bom e pare sabe? Estude, procure referências, faça novos testes. Qualquer trabalho pode ficar melhor, a gente sempre pode se aprimorar mais. Sou muita crítica com o nosso trabalho e isso não quer dizer se diminuir, mas tento sempre olhar de forma sincera, “onde o próximo pode ser melhor? “

Se você pretende transformar seu hobby em trabalho, pese bem a decisão. Muda sua vida em vários sentidos, e como em toda decisão, existem lados ótimos e outros nem tanto!

Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
Carolina Barbosa por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Estamos com algumas criações novas que vamos colocar para vender pelas redes sociais até o final do mês. Muitos originais e ideias super novas! Estamos bem animadas e é um jeito bem legal para quem quiser adquirir um desenho ou pintura original nossa por um valor bacana.

Além disso no nosso site temos um blog bem legal para quem está começando ou que tem interesse em saber mais sobre materiais, rotina, prós e contras, de trabalho com arte e etc... Somos muito sinceras e adoramos compartilhar as coisas que aprendemos tanto com outros artistas, quanto na prática.

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