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Camilla
d’Errico
Canadá
vivendo em Vancouver . Canadá
36 anos . artista . ilustradora . quadrinista

Eu sou artista e ilustradora em tempo integral há pouco mais de 11 anos e vivo no Canadá. Venho criando histórias em quadrinhos como a série “Tanpopo” há muitos anos e mais recentemente, tenho escrito e criado livros de instruções “How-To” como o Pop Manga e Pop Painting, e a mais recente publicação, o Pop Manga livro de colorir da editora Random House Books.

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// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Como sou pintora e ilustradora, tenho uma série enorme de ferramentas. Meus favoritos para pintar são os Aqua Duo da marca Holbein, que são tintas à óleo solúveis em água. Eu uso essas e as tintas acrílicas líquidas e guaches da Holbein em painéis de madeira para pintura, e pincéis de pelo sintético no lugar dos pelos de animais. Quando estou ilustrando uso grafite, caneta e nanquim sobre papel, e meus favoritos lápis azuis.

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// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Eu normalmente encontro motivação em coisas da natureza, como cores ou animais, ou mesmo em outras disciplinas criativas como poesia e literatura clássica. Eu sempre amei arte e me senti atraída pela arte desde muito cedo. Quando eu era criança, eu era hipnotizada pelos desenhos da Disney.

Minha motivação muda ao longo dos anos, já que essa não é uma carreira fácil. Às vezes, eu reavalio o porque eu crio. E isso não é uma escolha, mas por conta das circunstancias, o porque eu crio muda e então eu preciso descobrir o porque eu amo criar novamente. Um exemplo disso, é o meu marido ter me lembrado o porque amo pintar, após uma conversa que tivemos, que me lembrou que pintar não precisa sempre ter um motivo, mas que eu deveria pintar por diversão também.

Teve um tempo na minha carreira, expondo na Tara McPherson’s Cotton Candy Machine Gallery, que eu estava tão acostumada a ter galeristas me dizendo o que pintar, e a Tara me encorajou e não me pressionou a criar algo especifico, isso foi honestamente rejuvenescedor. Esses dois acontecimentos foram em anos diferentes, mas eles me ajudaram.

No momento, estou realmente motivada pela natureza e o estado do mundo, e apreciando o planeta. Eu estou tentando trazer o amor e a consciência para a minha arte. Eu sinto que no momento o mundo está passando por uma era escura e eu espero trazer um pouco de luz para as pessoas durante esse momento.

, 2/4/15, 11:30 AM,  8C, 8064x11388 (540+240), 150%, Repro 2.2 v2,  1/15 s, R71.8, G45.5, B60.8
, 3/25/15, 3:04 PM,  8C, 6760x7748 (1320+2322), 150%, Repro 2.2 v2,  1/15 s, R52.7, G41.2, B58.6
// Como é o seu processo criativo?

Eu começo uma nova pintura rascunhando algumas ideias em miniaturas. Isso me ajuda a planejar a composição. Então, quando encontro algo que eu realmente me apaixone, eu faço o desenho de forma leve em um painel de madeira usando lápis aquarelável. Eu coloco algum audio-book ou música e começo a pintar. Na metade do dia eu faço uma pausa, e saio para uma longa caminhada com o meu cachorro, e então começo novamente descansada e com foco.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Não é difícil para mim estar em uma zona de criatividade, uma vez que eu esteja pintando ou fazendo meus desenhos. Eu sou uma artista independente há mais de 11 anos, então estou acostumada a trabalhar com prazos e com o nível de auto-disciplina que é exigido. Eu sou muito focada, e é quase como um estado meditativo.

Todos os dias eu faço uma pausa no meio do dia, e faço algum exercício ou escrevo algo, assim, eu posso mudar as engrenagens e a linha de pensamento. Então, quando volto para a pintura é um novo começo.

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// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Um dos meus projetos preferidos, e de fato, minha verdadeira paixão, é a minha série chamada “Tanpopo”. Eu sempre amei trabalhos clássicos de literatura, e eu caí de cabeça no estilo japonês de contar histórias em seus mangás, com o desenvolvimento emocional e romântico dos personagens. Eu sou uma romântica assumida, então, minha afinidade pela literatura clássica e pelos mangás me inspirou a criar o “Tanpopo”, que incialmente começou como uma publicação independente, mas o universo da minha história foi crescendo e agora trabalho com o Boom! Studios para a publicação da Graphic Novel em capa dura. É uma pena eu não poder trabalhar nisso com tanta frequência como eu gostaria, já que tenho muito mais da história para contar, mas sempre será meu projeto favorito.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Quando a Disney entrou em contato comigo há alguns anos para fazer um trabalho foi um marco, porque eu sempre quis trabalhar para a Disney. Foi uma experiência muito valiosa trabalhar com uma companhia como essa, já que os projetos podem levar anos para serem desenvolvidos, mas foi muito recompensador.

Assim como ser abordada por uma das minhas editoras favoritas, a Random House Books, para criar meus livros que ensinam a desenhar “How to Draw Pop Manga”. Isso realmente mudou minha carreira para melhor, me dando a oportunidade de ser uma autora além de ilustradora. Desde então, eu continuei escrevendo e criando mais dois livros publicados pela Random House, o “Pop Painting” e o “Pop Manga Coloring Book”.

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// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Um artista que vem instantaneamente na minha cabeça é o James Jean. Eu acho que eu vejo a arte dele como sendo uma das mais criativas da indústria, ou que eu já tenha visto. Ele continua a me surpreender com o calibre da sua arte, e a diferença nos estilos que ele usa para se expressar criativamente.  Ele é um pintor, e um ilustrador, e fez algumas capas e muito mais. Isso me motiva a fazer diferentes conceitos e a tentar diferentes formas de expressão também.

Greg Simkins é minha outra influencia criativa. A forma como sua habilidade técnica e mente criativa é capaz de transformar animais nessas belas criaturas é apenas surpreendente, e eu amo isso.

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// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Eu não me sinto prejudicada por ser mulher, mas definitivamente existe uma diferença na América do Norte em como eles veem a nudez. É uma batalha constante, e as pessoas têm uma cabeça muito fechada em relação a figura feminina. Existe uma atitute que se o artista retrata a figura feminina nua, ele está sexualizando-a, mas isso não é necessariamente visto da mesma forma em relação ao homem.

Esse preconceito que envolve a nudez e como ela é mal interpretada como sexualidade é um desafio que continuo enfrentando. Eu vejo o corpo humano como uma obra de arte, e eu quero comunicar isso através de minhas obras de arte, independente da sexualidade.

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// E o que te faz feliz?

Meu marido e meu cachorro. Romances épicos e ser criativa me fazem muito feliz, além de encontrar os meus fãs que me apoiam.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Nós somos todos iguais, e o gênero não importa na arte. É o que você cria e como você se porta em relação a sua arte. Não importa para um artista se você tem peitos ou não. Se as mulheres conseguirem se ver como iguais aos homens e continuarem a persistir nisso, então nada nos parará como artistas. Ser uma artista é difícil, e eu não culpo meu gênero por nenhuma das minhas falhas, apenas minhas decisões. Nunca deixe seu sexo te definir.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Eu estou animada para compartilhar minha nova coleção de pinturas, “Submerged”, que estará em exposição a partir de 31 de março de 2017 na Dorothy Circus Gallery em Roma na Itália. Para essa série, eu fui além, e mergulhei fundo nas minhas inspirações e expressões criativas. Por exemplo, minha pintura “La Madre”, é uma das maiores composições que eu já trabalhei. Ela tem 50x60cm, e é completamente cheia de detalhes e elementos, em cada escama de peixes dourados, e no interior das caveiras que eu pintei derretendo para fora. Eu espero que o público aprecie o tanto de mim que eu coloquei nessa coleção.

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