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Camilla
Cossermelli
Brasil
vivendo em Lisboa . Portugal
22 anos . artista . ilustradora . escritora

Sempre gostei de desenhar e de escrever. A parte da escrita, aflorei mesmo no meu último emprego, como redatora numa consultoria de branding em São Paulo. Quanto ao desenho, comecei a levar mais a sério como um caminho profissional quando cheguei a Lisboa no início de 2017. Agora, estou em intercâmbio na Universidade Nova de Lisboa pela Escola de Comunicações e Artes da USP, onde estudo Comunicação Social. Nasci e vivi em São Paulo, mas Lisboa ganhou um espaço imenso no meu coração. Foi aqui onde vi minha arte chegar à galeria e ganhar mais exposição e também onde vou publicar meu primeiro livro de poesia – escrito e ilustrado por mim – no final do ano. No mais, odeio aranhas e amo chocolate.

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Na escrita, a palavra. No desenho, o nanquim é o amor da minha vida. Mas vivo flertando com a aquarela e a pintura digital. Só sei que eu entro numa loja de materiais de arte e tenho vontade de levar tudo.

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A forma como as mulheres são retratadas na mídia, as pressões e padrões sociais que surgem com isso e a questão sobre o que significa ser mulher mexem muito comigo. Muito do meu trabalho parte desse ponto. Além disso, Lisboa tem me inspirado demais – cada pedrinha de calçada portuguesa é sua própria poesia. Esse encanto despertou o projeto Janelas Lisboetas, uma série de desenhos em nanquim que retrata os moradores de Lisboa que ficam horas à janela, vendo a vida passar.

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Reparei que, pouco a pouco, coleciono retalhos da vida cotidiana que depois voltam a surgir no meu trabalho. Muitas Janelas Lisboetas se baseiam em pessoas que realmente vi e memorizei à janela. A primeira da série de Cadeiras Irreais, eu vi em um bar. Muito do que escrevo tem a ver com conversas que pesquei no ônibus. Isso também tem a ver com os espaços que procuro para produzir; gosto muito de desenhar e escrever em lugares públicos. O barulho ambiente é perfeito.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Uma pessoa que admiro muito diz que quem gosta de escrever, escreve. Acredito que o mesmo vale para o desenho. E calha que isso funciona pra mim. Todo dia eu arrisco algum rabisco, anoto qualquer coisa. Levo sempre junto comigo caderninho e caneta. Acho importante colocar as coisas pra fora pra abrir espaço para ideias novas.

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

O projeto Janelas Lisboetas, de certa forma, deu corda para meu trabalho artístico na cidade – com cartazes de rua, meu primeiro ponto de venda em Lisboa e até mesmo uma publicação no jornal local. É meu projeto para a cidade, é a minha Lisboa.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Eu sinto que não estaria fazendo o que faço hoje se não fosse por ter vindo para Lisboa e pelas pessoas inspiradoras com quem trabalhei. Lisboa me abriu muitas portas e as pessoas me abriram a cabeça.

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Minha mãe é arquiteta e sempre desenhou. Ver isso desde pequena foi uma influência forte. Também quando pequena, era fascinada pelo Egito Antigo, pelas imagens e os símbolos nas paredes das pirâmides. Gostava muito das pinturas do Leonardo Da Vinci. Depois, conheci o trabalho do Dalí, que a minha avó adora, e também passei a gostar muito. As pinturas do Edward Hopper e do Van Gogh também me tocam bastante.

Quanto às minhas obsessões do Instagram, são a Agathe Sorlet, Maggie Cole e Laura Callaghan. Admiro muito o trabalho da Verena Smit. Acredito que ver mulheres produzindo tanta coisa linda me influencia a criar sempre mais.

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim. Acredito que é por isso que cada vez mais as mulheres que criam tendem a trabalhar de forma independente. Sinto isso no meu trabalho tanto na hora de criar quanto na hora de mostrar o que fiz para os outros. É difícil ser levada a sério.

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Nutella.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

A autocrítica é saudável – a dica é deixar ela pra depois que tiver terminado de criar. Invista tempo, paciência e numa boa luz de mesa.

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

No final do ano, será publicado meu primeiro livro de poesia e ilustração, o "Sinto mais que qualquer coisa", pela editora Urutau. É um projeto em que meus trabalhos visuais e verbais ganham mais espaço pra conversar entre si. Os poemas foram escritos entre 2014 e 2017 e as ilustrações se baseiam nas ideias de espaço público e indivíduo.

Também estou trabalhando em uma nova série de ilustrações, a das Cadeiras Irreais. Esse projeto tem a ver com o nosso olhar sobre as coisas que consideramos inúteis mas que, na verdade, não são inválidas – apenas ganham um deslocamento de propósito.

Também, estou começando a tatuar – a agenda abre em breve!

Camilla Cossermelli por Projeto Curadoria
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