m
Calu
Fontes
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
43 anos . artista

Eu sou Carolina. Desde pequena conhecida como Calu. Filha de Iemanjá, escorpiana com ascendente em touro. Gosto de estar perto do mar e do mato. Amo fazer presentes para os amigos e desenhar peixes, grafismos e flores em azulejos e pratos.

Nasci em São Paulo, mas minha família inteira é da Bahia, por isso meu sotaque é meio misturado, digo que sou “soteropaulistana ”. Mãe de Eleonora que está com 5 anos e tem a risada mais gostosa do planeta. Observadora atenta de imagens e texturas que vão aparecendo pela frente. Me acho bastante tímida, mas nem sempre. Amo arte, música e poesia. Formada em Arquitetura e Urbanismo mas sem planejar o meu caminho foi o das artes. Adoro estampas e cores e amo pintar azulejos, cerâmicas e porcelanas no meu ateliê.

Calu Fontes por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

O desenho. Desenho que pode ser (e já foi) aplicado em diferentes superfícies além da cerâmica. Ele já passeou pelo tecido, pelo vidro, pelo papel, pelo couro, pelo cimento, pelos ladrilhos hidráulicos, pelos Moleskines, por murais e por muitas cartas (sim, eu escrevi muitas cartas ilustradas com minhas pinturas e colagens fazendo parte das historias).

Calu Fontes por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Um impulso criativo que precisa ser colocado para fora, mas acima de tudo fico muito feliz em saber que meu trabalho faz parte do dia a dia das pessoas.... seja através de uma caneca de café estampada, um mural de azulejos, uma saladeira, um vaso de flor, um copo de vidro, um papel de parede em um canto da casa. Gosto do desafio de trabalhar com materiais novos, descobrir as possibilidades destes novos suporte, de por a mão na massa mesmo! Quero fazer projetos que saiam da minha zona de conforto.

Calu Fontes por Projeto Curadoria
Calu Fontes por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Basicamente observar, experimentar e descobrir. É um processo bastante intuitivo. Não planejo antes, vou trabalhando e descobrindo junto. Sempre ouvindo musica, uma entrevista ou alguma playlist justamente para não ficar presa ao desenho, deixar a mente mais livre e solta sem pensar que cor usarei ou qual desenho sairá. Geralmente as minhas peças são bastante trabalhadas, passam por 2 ou 3 queimas cada uma, e termino descobrindo o resultado só no finalzão mesmo. Para o desenvolvimento das coleções e parcerias começo com a pesquisa, adoro essa parte, pois vou juntando histórias e referências daquele assunto, e na maioria das vezes, imprimo e monto um caderno com este material. Às vezes a estampa não tem nenhum elemento da pesquisa, mas foi através dela que cheguei no desenho.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Visito exposições nas galerias e museus, quando dá vou a shows, livrarias e passeio pela cidade com esse olhar para as cores, texturas e padronagens.

Antes da minha filha nascer eu tinha mais tempo e escrevia. Adoro escrever. Tenho cadernos com desenhos e textos misturados, minha vontade é voltar a desenhar com nanquim, aquarela e lápis de cor, como fazia no começo.

Mas nem sempre a inspiração chega tão facilmente, às vezes a ideia não dá certo e tudo bem, temos que recomeçar. Gosto muito dessa parte também, de transformar o que inicialmente não gostei em um primeiro momento e não quis seguir em frente, em algo que me deixe feliz.

Calu Fontes por Projeto Curadoria
Calu Fontes por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Eu tenho um carinho ultra gigante e especial pelo Painel Peixes e Tramas. Um painel que fiz para a cidade de São Paulo, fica na Vila Madalena, bairro do meu antigo ateliê.

Um quebra- cabeça de azulejos, localizado na esquina da Rua Aspicuelta com a Rua Vicente Polito. Gosto dele justamente por ser para a cidade, para as pessoas, percebo que causa surpresa a quem passa pela rua e não imagina se deparar com este mural por lá.

Ahhh tem outro que mora dentro do meu coração, que é a coleção de ladrilhos hidráulicos pois sempre fui apaixonada por este material... Tem também a linha de papelaria do Ateliê (cadernos, blocos de desenhos, cadernetas) pois esta é uma paixão que tenho desde pequena, até hoje fico doida quando entro em uma papelaria... carimbos, tubos de tintas, pincéis, papéis, canetinhas...

Um projeto interessante e diferente, foi feito em parceria com um amigo fotografo, no qual fizemos a fusão do meu desenho com a fotografia e o olhar dele em cenas urbanas e oníricas, misturando a realidade e o sonho, a cidade se “transformou”.

Ou seja, na verdade são muitos trabalhos especiais e tenho amor por todos eles!

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Sim, alguns... o meu primeiro mural foi marcante, isso já tem 17 anos, foi para uma capela em Ilhabela, depois que fiz esse painel mergulhei de cabeça no universo dos azulejos.

Calu Fontes por Projeto Curadoria
Calu Fontes por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Quando eu era criança eu era completamente apaixonada pelo trabalho de Miró e Klimt, Hundertwasser e Gaudi. Colecionava tudo deles! Já adulta, pesquisando para um projeto, descobri a Maria Keil que fez muitos murais nas estações de metro em Lisboa. Nossa sou fã dela.

Apesar do meu trabalho ter muito do sagrado, do barroco, de uma atmosfera romântica, gosto da geometria e essa paixão aparece nitidamente na minha coleção de ladrilhos hidráulicos e mais recentemente na coleção de cobogós que foi lançada neste mês pela Decortiles.

Admiro os jardins e painéis de Burle Marx, que mistura orgânico e geométrico.... ahh são muitos... Matisse, Ligia Clark, Frida Kalho, Yayoi Kusama, Lina Bo Bardi, Adriana Varejão... Aliás, visitar Inhotim foi uma experiência incrível, passei 3 dias lá e voltei encantada, cheia de inspiração e vivências incríveis na bagagem. Recomendo muito!

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim o preconceito existe e está aí! Ainda bem que em uma escala decrescente, mas ainda temos muito chão pela frente... Particularmente no campos das artes plásticas, não senti diretamente, porém quando trabalhei como arquiteta, visitando obra e especificando materiais, vivenciei algumas vezes esse preconceito.

Calu Fontes por Projeto Curadoria
Calu Fontes por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Um bocado de coisas me deixa feliz... como não cabe tudo neste parágrafo, coloco aqui algumas delas... Estar com saúde, com vontade e força para criar e produzir sempre, ficar atenta e poder aproveitar as pequenas delicadezas e belezas do dia a dia... Estar perto de quem amo, do mar e da natureza, recarregam a minha energia e me deixam muito, mas muito feliz mesmo.... Mas ter um tempo sozinha, de recolhimento também é necessário… Poder deixar o sentimento sair e chorar sinceramente quando o coração explode.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Sigam! Tem tudo para dar certo, se vier do coração e da alma isso transparecerá.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sempre tenho... minha cabeça não para! Adoro me juntar com meus amigos criativos e desenvolver projetos novos. Em uma dessas parcerias, em breve sairá uma coleção de tábuas de corte de madeira e azulejos. Existe também um projeto de um livro pelo qual tenho muito carinho... quem sabe...?

Calu Fontes por Projeto Curadoria
COMPARTILHE
b
//+entrevistas