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Bela
Gregório
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
26 anos . produtora . fotógrafa . graffiteira

Jornalista e fotógrafa de formação, colore os muros da cidade cinza nas horas vagas. Apaixonada por arte contemporânea, especialmente de rua, fundou a rede “Efêmmera” que é dedicada ao movimento das mulheres na cultura urbana. Bela também se aventura por trás das lentes de uma câmera desde 2008, quando começou a idealizar os ensaios lúdicos e imaginativos, que são a sua marca registrada. Trabalhou como assistente de produção na Flint Brasil, onde produziu o programa Vamos Combinar do GNT, além de uma série sobre cultura urbana para o canal TLC, da Discovery. Já estagiou com edição de fotografia na revista Veja e no festival de fotografia Paraty em Foco. Em 2015, co-criou e dirigiu a primeira edição do TRILHA - Festival Feminino de Cultura Urbana. Atualmente trabalha como freelance na área de produção cultural, arte educação e fotografia. Completamente ligada ao mundo das artes, toca os projetos da Efêmmera, e claro, está sempre focada na continuidade de seus projetos autorais.

Bela Gregório por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Sou uma pessoa multidisciplinar, acredito que me dei conta disso na faculdade. Estudava jornalismo e fotografia ao mesmo tempo, em seguida conheci o universo do graffiti e tudo se misturava naturalmente. Uma hora estava escrevendo, em outra fotografando e num terceiro momento pintando muros por aí. Isso não mudou até hoje.

Bela Gregório por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A minha pesquisa de vida é focada na cena feminina na cultura de rua, em como a mulher conversa com a cidade em diversas formas e perspectivas. Sem dúvida, a essência de tudo que faço está no feminino e a rua.

Bela Gregório por Projeto Curadoria
Bela Gregório por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Ele varia de acordo com o suporte. Na rua eu sempre fui apaixonada pelo imediatismo e pela adrenalina da parte ilegal do movimento, por muitos anos assinei meu nome nos diversos cantos da cidade cinza de forma rápida e fugaz. A ideia era demarcar muitos lugares, mesmo que aquele resultado deixado ali durasse menos de 24 horas. Já na fotografia eu gosto de roteirizar e pensar nos ensaios antes de sair para fotografar. É o completo oposto! Isso mostra lados diferentes, mas que se completam quando olho para o meu trabalho de uma forma geral.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Estou sempre em busca de referências, projetos e novas ideias que possam materializar meu constante desejo de produzir. À frente da Rede Efêmmera, esse desejo não se resume apenas ao meu trabalho pessoal, mas ao contexto do que crio junto de outras artistas mulheres.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Gosto muito da minha série chamada Somnium, que foi realizada em 2010, mas continua tendo uma importância imensa para mim. Com essas fotografias, realizei duas exposições individuais e deixei uma obra no acervo histórico da Universidade Mackenzie em São Paulo. Além disso, o trabalho que desenvolvi para a Turma da Mônica no começo desse ano também foi muito representativo. Junto com diversas artistas da Rede Efêmmera, fizemos parte da mostra Donas da Rua da Arte no mês da mulher.

Bela Gregório por Projeto Curadoria
Bela Gregório por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

A realização do TRILHA – Festival Feminino de Cultura Urbana em 2015, com certeza marcou a minha vida e trajetória. Naquele momento entendi o que eu gostaria de fazer com a união de tudo que eu sou na área criativa. Mais do que uma artista, também tenho o papel de articuladora do trabalho das meninas na rua.

// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Eu me inspiro majoritariamente por outras mulheres. Algumas delas são Martha Cooper, Annie Leibovitz, Vivian Maier, Francesca Woodman, Lady Pink, Merlot, Indie 184, Aline TSC, Pankill e Rosy One. Reflete na essência do meu trabalho com a questão do feminino, direta ou indiretamente.

Bela Gregório por Projeto Curadoria
Bela Gregório por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

As mulheres estão num processo intenso de ocupar espaço, numa proporção cada vez maior. Ainda sim, temos um longo caminho pela frente! A cultura de rua é enraizada num contexto de extremo machismo, isso começa no fato de que a mulher não foi criada (historicamente) para estar na rua. O simples fato de usarmos a cidade como plataforma, já vem carregado de situações como a violência sexual e a insegurança desses mesmos espaços. Então, é um movimento de resistência diária, que precisa ser fortalecida e difundida cada vez mais.

Bela Gregório por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Estar em movimento, criando e materializando tudo aquilo que grita intensamente dentro de mim.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Faça! Não se prenda a regras, padrões ou fórmulas. Eu não acredito nisso, mas acredito no poder do movimento. Estamos num eterno processo de evolução e aprendizado, que só podem acontecer quando colocamos as ideias de dentro para fora.

Bela Gregório por Projeto Curadoria
Bela Gregório por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Acabamos de lançar o site da Rede Efêmmera, uma conquista muito especial. Fica o convite para quem quiser visitar e conhecer um pouco mais desse projeto, que atualmente reúne 40 mulheres de traços e formas completamente distintas.

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