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Beatriz
Mutelet
França
vivendo em Lyon . França
33 anos . artista . ilustradora

Eu sou uma artista independente francesa, da linda cidade de Lyon. Após meus estudos de Artes Gráficas, Artes Plásticas e Ilustração, eu trabalhei para uma companhia internacional de louças, porcelanas e cerâmicas com bases na Itália, Espanha, França e Emirados Árabes. Isso me permitiu trabalhar de perto com arte, e ter tempo para criar. Ilustração é minha maior paixão. Eu acho que eu sempre tive uma fascinação por esse universo e interesse em arte, artistas, materiais... Eu sou uma devoradora de arte, criações, livros artísticos... é um vício para mim...

Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Minha ferramenta essencial, minha base em qualquer criação, é a lapiseira com grafite. Para as cores, eu uso lápis coloridos, e guache ou aquarela em alguns toques. Nanquim para finalizar. Meu suporte essencial é o papel Arches satinado, que fornece um aspecto particularmente interessante para as cores que eu uso.

Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

As motivações são múltiplas e na maior parte do tempo, acessadas por um sentimento, um desejo de expressar alguma coisa, de digerir ou transmitir algo. Tudo é inspiração, tudo que eu posso ver, todas as trocas, conversas, dramas... Minha inspiração realmente vem de todos os lugares e todos os domínios. Eu observo, eu procuro, eu tomo um tempo... todo objeto, toda criação, o trabalho de outros artistas, a natureza, tudo é fonte de inspiração, um formato, uma nuance, uma reflexão, um material...

Minhas ideias surgem, no entanto, acima de tudo, do sensorial, do vegetal, de cada sentimento ou cada emoção. Eu sou naturalmente sensível e as coisas me atravessam profundamente, assim tendem a me retirar, me proteger, para hibernar, muitas vezes como um urso.

Eu acho que é mais fácil para mim colocar as coisas no papel em formas, do que em palavras.

Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Eu acho que na verdade eu não tenho um processo criativo. Quando eu preciso criar, colocar uma ideia no papel, eu preparo uma grande quantidade de café e começo... até completar o projeto. Perco a noção do tempo, é ótimo, uma fuga da realidade. Mas eu trabalho desenhando todos os dias.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Eu tento manter o espírito aberto, para desenhar através do que as coisas ao meu redor tem a me oferecer. Eu ando, eu leio, tiro um tempo para olhar as folhas caindo das árvores que voam pelo vento... Eu acho que é necessário saber tirar um tempo (mesmo sendo mais fácil falar do que fazer).

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Que pergunta difícil. Na verdade, eu tenho dificuldade em ficar satisfeita com uma criação porque eu sempre encontro algo para melhorar. Eu nunca estou totalmente satisfeita com a criação. Cada criação me leva mais longe na minha pesquisa, na minha interpretação. Por outro lado, eu admito que os trabalhos comissionados são os mais gratificantes pelo fato de tentar corresponder as expectativas da pessoa que acredita no meu trabalho e gosta tanto a ponto de querer ter um para ela. Essa é a mais bela motivação para mim.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Eu fui particularmente tocada e incentivada na primeira vez que meu trabalho foi publicado em uma revista, a “Beautiful Bizarre Magazine”, uma motivação real para mim, assim como minha primeira exposição na Itália, na Nero Gallery em Roma para a exibição de Chimera. Esse tipo de coisa, como sua primeira venda, sempre nos influencia, porque nos faz acreditar no que estamos fazendo, a duvidar um pouco menos e nos mostra que é possível chegar lá.

Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Eu amo tantos artistas, eu tenho tantas inspirações, em tantos estilos e em tantos domínios. É impossível para mim escolher. A música também é importante para mim, assim como a pintura ou o design. Eu amo arte sob todas as formas, desde que ela esteja crua e me deixe imóvel. Eu gosto como uma pessoa pode colocar suas entranhas em algo que gosta, conhecido ou desconhecido, reconhecido ou não. Eu acho que o principal é nos falar algo, nos afetar, nos emocionar, de forma boa ou ruim, não simplesmente para agradar as massas.

Por outro lado, eu posso dizer que na minha infância, tendo pais abertos ao mundo das artes, pude estar no meio desse ambiente, ver exposições, ler livros e aprender... Eu tive sorte em ter pais que me deixaram seguir na direção que eu quis, uma grande inspiração e influência, eu acho.

Mas posso dizer, que o primeiro artista que me fez entender que eu queria ser artista foi Enki Bilal. Quanto ao fato do que influência em nossa arte, um fato óbvio e muitas vezes inconsciente é que tudo que observamos se reflete em nossa criação, olhando diretamente para isso ou não.

Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Eu acho que a arte é um dos domínios raros que escapa um pouco dos preconceitos, das diferenças. Talvez seja um mundo mais aberto, porque é um mundo de expressão sem regras, sem sexo. Livre. A arte tem a sorte de se basear acima de tudo na imagem que propaga, que convoca e não na pessoa que a cria no início. Então, talvez, passe mais mensagens. Onde permanece para mim um problema real, é sobre a nudez feminina, é uma pena (criado por mulher ou homem, é a mesma coisa), essa falsa decência tende a me irritar fortemente. É nudez artística, é vida, é natureza. Eu uso a nudez no meu trabalho, para mim é essencial para criar um link entre dentro e fora, o sensualismo e o sensorial.

Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

As coisas simples da vida me fazem feliz, aproveitar os momentos com minha família, meu gato e sua pele acetinada... andar, escutar, sentir, ver... Brisa e vinho tinto.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Faça primeiro coisas que você gosta na arte, e não o que esperam de você, a forma que você sente. Não escute as críticas maliciosas. Acredite em você mesma (tão importante, mas tão difícil). Ouça críticas construtivas e não as deixe te colocar barreiras... e muita prática!

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Através da minha criação, procuro transmitir uma emoção, a sensualidade de uma linha... desejo que essa criação seja feita por oposição, seja perturbadora, mas também delicada e poética. Quero que o corpo represente uma ligação entre uma emoção, um pensamento, uma alma e a carne, para mostrar várias facetas e criar um elo entre o que é visível e não. Então, eu espero transmitir ainda melhor esse aspecto no futuro, desenvolver minha arte e torná-la mais significante. Talvez eu queira explorar novos suportes. Esse ano, tive a sorte de trabalhar com fabulosos poetas, ilustrando seus livros e eu particularmente gostei disso. Então eu quero continuar nesse caminho, e continuar explorando muitas coisas bonitas.

Beatriz Mutelet por Projeto Curadoria
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