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Beatriz
Corradi
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
30 anos . artista

Meu nome é Bea, sou nascida e criada em São Paulo. Minha história com a arte começou desde pequena, lembro quando ganhei aquela maleta que vinha com um monte de tintas, canetinhas, lápis de cor, era um sonho, e eu vivia desenhando.

Fiquei um tempo tentando me achar, e só retomei essa conexão com a arte na faculdade, onde me formei em Design. Há 2 anos tive o primeiro contato com uma tela, e redescobri minha paixão pela pintura, senti que eu iria viver através dela, por ela. Desde então venho me dedicando a pintar retratos, meu principal foco é a mulher e tudo que a envolve.

Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

O que eu mais gosto é pincel e tinta (muita tinta) na tela. Mas faço muitos desenhos em outras plataformas também, como papel, madeira, paredes entre outros. Em vários momentos eu uso o que tem ao meu alcance, como: pastel, lápis de cor, carvão, canetas, canetinhas, aquarela, até giz de cera infantil. Eu gosto de experimentações.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Minha maior motivação são as mulheres. Sejam elas quem for, suas histórias, dores, alegrias, são minha inspiração. Estou sempre atenta na rua, ouvindo e observando meu entorno, porque é de lá que vem a maioria das minhas criações. Utilizo meu trabalho para dar voz a essas mulheres, para gerar impacto sobre temas que as afetam, denunciar o racismo, machismo, violência doméstica, homofobia, entre outros.

Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Eu não tenho um processo exato. O que eu faço que me ajuda muito a criar é ler bastante, frequentar palestras, bate-papos, cursos, discussões, todas do universo feminino, onde envolvem temas como cultura do estupro, racismo, machismo, violência, arte, feminismo, militância, o papel da mulher na sociedade, como dar voz a elas, entre outros temas que me fazem crescer pessoalmente e artisticamente.

Após isso, ou no meio disso tudo, eu crio, a inspiração vem, eu sento e pinto tudo que tem dentro de mim, as frustrações, as angústias, o entendimento, a beleza. Basicamente é assim, eu observo, ouço, sinto e pinto.

Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Eu tento não ficar parada, mantendo a mente e o corpo sempre em movimento. Fujo das rotinas também, isso me limita aos montes.

Estou sempre a procura de filmes, artigos, exposições, conversas, em tudo o que o dia tem a oferecer. Tenho meus momentos de silêncio, em que reflito sobre tudo o que absorvi. Por ser autodidata eu costumo procurar novas técnicas o tempo todo, estudá-las, fazer testes, isso tudo para evoluir criativamente e não manter a mente quieta.

Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

São aqueles projetos onde eu consigo ter uma relação com o público. Pintar uma escola e ver a reação das crianças, pintar um muro na rua e conhecer quem transita por ali, participar de uma feira e poder explicar meu trabalho para as pessoas que param para admirá-lo, fazer uma exposição e conseguir conversar com cada um que se identifica com minha arte. Esses foram meus projetos preferidos, com certeza.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

O marco aconteceu faz 2 anos, onde eu redescobri a arte, onde descobri o quão poderosa ela pode ser e senti que era o momento para me dedicar exclusivamente a ela.

Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Nossa que difícil, são muitos e de diversos segmentos.

As pessoas do dia-a-dia, que passam por mim na rua, ou nos transporte públicos são inspirações fortes. Mas tenho tantas influências que fica difícil relacionar, posso dizer alguns que me fazem refletir, aprender, relaxar, contestar, o que ajuda muito na minha criação. Entre eles estão, Nina Simone, Gilberto Gil, Djamila Ribeiro, Sueli Carneiro, Jarid Arraes, Mel Duarte, Fela Kuti, Clara Nunes, Elza Soares, Angela Davis, Tarsila do Amaral, Van Gogh, Claude Monet, Frida Kahlo, e estarei sendo injusta porque ainda tem muitos outros.

Eu costumo procurar artistas no Instagram, lá da para encontrar pessoas maravilhosas, fazendo trabalhos super importantes e incríveis, inclusive muitas fazem parte do Projeto Curadoria.

Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim, o preconceito ainda existe, não só na arte mas em todos os lugares.

Para mulheres em que a opressão envolve gênero e raça, o desencorajamento de expressão é muito maior. Entre outros motivos, esse é um pelo qual utilizo minha arte, faço para elas, por isso posiciono minha arte em temas que envolvem o machismo, o racismo e a homofobia. Precisamos discutir isso no dia-a-dia.

Vejo que as mulheres estão se juntando e surgindo com mais força. Essa força que faz com que eu continue meu trabalho.

Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

O que me faz feliz é saber que meu trabalho conseguiu de alguma forma impactar alguém.

Conseguir me expressar livremente.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Acreditem no seu potencial, vocês podem tudo. O caminho vai ser tumultuado, não acredite na negatividade que irá surgir, siga sua verdade, persista, resista e seja livre.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Meu projeto infinito é continuar aprendendo.

Mas meu projeto pessoal é mostrar meu trabalho para quem eu realmente quero que veja, e para chegar nisso, quero sair mais para a rua, pintar mais muros e expor minha arte um pouco mais.

Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
Beatriz Corradi por Projeto Curadoria
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