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Baiá
Brasil
vivendo entre Itamambuca . SP e Buenos Aires . Argentina
31 anos . artista

Sou a Baiá, desenho, pinto e bordo. Sou curiosa e inquieta. Estudei e me formei em psicologia, trabalho e vivo com arte. Falo baixo, mas se precisar eu grito. Me interesso por botânica, música e papelaria. Não acredito em quase nada, exceto coisas que envolvam amor e lua cheia.

Baiá por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Nunca gostei muito de jogar conversa fora, sempre me apoiei em outras formas de expressão. Qualquer coisa que apareça na minha frente é uma ferramenta. Mas ultimamente tenho trabalhado com a tinta e as linhas.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Acho que a inspiração vem de não acostumar o olhar. Estar sempre atenta. Olhar a mesma paisagem várias vezes como quem olha pela primeira vez. Vivo nesse exercício constante: procurar magia e beleza nas coisas ordinárias.

Mais que uma motivação, criar é uma necessidade. Se fico muito tempo sem pintar, desenhar, fazer algo novo, começo a ficar ansiosa e triste.

Acho que tudo inspira, tudo influencia. A música, o contato com as pessoas, livros. A nossa própria relação com o mundo. Tudo influencia, mesmo que inconscientemente. Cada traço, cada mancha aparece ali por algum motivo.

Também os erros, principalmente eles. e às vezes a necessidade de escondê-los debaixo de uma pincelada de tinta branca que acaba fazendo parte da obra.

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// Como é o seu processo criativo?

Faço listas de coisas irrelevantes. Fotografo. Observo. Escrevo.

As ideias vão surgindo de maneira meio caótica na minha cabeça, depois se encontram e tomam forma. Dou muitas voltas antes de começar a trabalhar.

Sempre gostei de trabalhar na madrugada, pelo silêncio. Agora tenho trabalhado mais durante o dia, com a mente mais limpa e porque vejo melhor as cores com a luz natural.

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// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Meu dia a dia é muito comum: cuido do meu cachorro, cuido de plantas, faço atividade física, compartilho a vida com meu namorado e pelo menos uma vez por dia procuro observar/sentir o que está ao meu redor. Seja a cidade e sua força, o mar e sua energia pulsante, a selva e sua intensidade. Não se trata do lugar em si e sim da minha própria experiência em cada lugar e a observação de certas morfologias que vão ficando gravadas na memória a partir dessa experiência.

Preciso estar fazendo vários projetos para não sentir que me fecho em uma única coisa, acho que isso me ajuda a expandir a criatividade.

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// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Cada trabalho teve sua importância no momento que foi feito. Muitos eu nem gosto mais e nem me dizem mais nada, mas não são menos queridos por isso.

// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Participar do SESC Amazônia das Artes em 2015. Viajei por cinco estados do Brasil levando a expo Desalinhada, foi uma experiência engrandecedora e realizar um projeto de exposição em parceria com a Carina Borgogno, antropóloga e curadora argentina que resultou em uma expo na galeria Quema la Nave em San Telmo e no Centro Cultural da Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Foram 4 meses de encontros e conversas que me fizeram enxergar melhor o meu modo de trabalhar.

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"...é preciso acreditar no tempo. Esperar o tempo. A arte precisa de tempo..."

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// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Nick Cave, Sophie Calle, Klimt, Bethania, Bosco, Wayne Coyne, Bowie, Tunga, Marina de Caro, Julieta Parra... Tem vários e várias artistas que me atravessam. Não sei se refletem diretamente no meu trabalho, mas sempre me mostram uma nova forma de enxergar o fazer artístico.

// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Acho que existe uma necessidade grande de encaixar, de colocar em padrões, mas não sei se isso é estritamente relacionado a gênero. Vejo que acontece em muitas vertentes da arte: grafitte, ilustração, fine art, estão sempre querendo colocar um nome no que você faz.

Uma vez disseram que meu trabalho é “forte e feminista” porque eu desenho mulheres de frente. E pra mim isso soa tão vago quanto dizer “eu gosto de andar de skate, mas prefiro café.”

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// E o que te faz feliz?

Sou feliz por qualquer bobagem, mas viver o que eu acredito é o que me faz mais feliz.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações ?

O que eu digo pra mim mesma:: Ir a fundo. Se conhecer. Não temer o feminino e sua força impulsiva. Primeiro olhar pra dentro e depois olhar pra fora.

Eu acho que quando a gente consegue se conectar com nosso próprio eu, se colocar profundamente no que faz, se conecta com uma linguagem universal e a partir daí, tudo flui.

Mas é preciso acreditar no tempo. Esperar o tempo. A arte precisa de tempo.

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