m
Ana Maria
Copetti
Brasil
vivendo em Porto Alegre . RS
22 anos . designer . bordadeira

Me chamo Ana Maria, sou aquariana, designer estratégica e meu apelido em casa é Nani, hoje nome da minha marca de bordados. Sempre tive gosto pelas artes manuais, praticava de tudo. Quando pequena eu já fazia até aula de marcenaria para casinhas de bonecas. O design sempre contribuiu no desenvolvimento do pensamento criativo mas, mesmo amando muito a profissão, sempre existiu aquele receio de expor minhas criações. Foi através do bordado que encontrei uma forma própria de expressão que consegui me identificar e ter maior confiança nos meus trabalhos, riscos e identidade.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Utilizo o bordado livre como forma de expressão. Mas tendo como base minha formação em design, sinto sempre a necessidade de passar meus desenhos antes por um processo digital, tenho mais facilidade de desenhar em softwares do que à mão. Busco outras formas de expressão através da experimentação: aquarela, xilogravura, colagem, caligrafia com nanquim e, poucas vezes, escrita criativa.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

O que sempre me motivou foi a materialização de sentimentos que carrego. O bordado tem um poder muito forte de externalizar sentimentos pessoais, e eu gosto muito de bordar o que eu sinto pois, o retorno que eu recebo é muito sincero e geralmente há uma grande identificação das pessoas com essas questões. Algo que anda me inspirando muito ultimamente é formas de empoderar mulheres através da arte e o universo feminino em si, temas que tem sido muito frequentes nas minhas criações.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Acredito que cada trabalho tenha seu processo próprio. Quando é algo mais detalhado pelo cliente, faço rascunhos, escolho cores e vejo algumas referências antes de sair trabalhando com a agulha, estes trabalhos geralmente não me dão muito prazer. Quando é um projeto pessoal porém, existem duas situações: aqueles com tempo onde eu pego ideias do meu caderno de inspiração que geralmente carrego comigo todos os dias (sketches mega abstratos estilo Frank Gehry); e aqueles 100% impulsivos/espontâneos, onde eu simplesmente coloco para fora o que eu estou sentindo no momento.

// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Ainda levo o bordado como trabalho secundário, portanto, o design ainda é minha maior forte de criatividade. Muita referência estética, muito conceito, muito storytelling. Procuro me manter criativa também através de projetos paralelos, sou fundadora do coletivo “Clube das Miçangas” onde promovemos encontros de artes manuais compartilhadas, já aprendi muitas técnicas manuais lá que sempre busco treinar e experimentar.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Meu projeto preferido tem sido minha personagem querida que nasceu de forma espontânea, a Alice, e têm sido uma desculpa para bordar um pouco de mim mesma. Outro projeto que gosto muito, e não consegui finalizar, foi o “Não preciso do seu lencinho para secar minhas lágrimas”, onde bordei poemas da Rupi Kaur em lenços de bolso masculinos.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

4 anos atrás quando eu decidi ir em uma oficina de bordado em um encontro de design em Buenos Aires. Agradeço muito as senhorinhas que me deram a força que eu sempre quis ter na costura, mas nunca insisti. Decidir “me expor” e tomar iniciativa de mostrar meu trabalho para desconhecidos, porém, foi provavelmente o maior marco nessa trajetória e mexeu muito com a minha autoestima, para melhor.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Minhas inspirações vêm de todos os lados: música, cinema, poesia... Amo as ilustrações da Frances Cannon e da Agathe Solet. No meio do bordado, gosto muito do trabalho da Giselle Quinto. Minha maior referência nos últimos tempos porém, são nas fotografias femininas de boudoir.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Existe sim, mas sei que sou privilegiada neste sentido em relação ao meu trabalho. Nunca senti preconceito direto, mas já recebi comentários da família sobre certos bordados “mais ousados”. Existe também uma grande desvalorização da arte manual, especialmente quando falamos de algo feito na maioria das vezes por mulheres, acaba sendo tratado mais como um artesanato básico do que como arte profissional em si.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Me deixa feliz estar com as pessoas que eu amo, com meus cachorros, refeições compartilhadas e colher amoras no pomar de casa. Me sentir plena caminhando em uma rua que eu gosto muito, sentir bem e independente andando comigo mesma. Conhecer e viajar na minha própria cidade, viajar o mundo. Quando me deixo abusar do tempo livre para fazer as coisas que eu gosto, ou não fazer nada. Saber que me dediquei muito à algo e recebi um retorno muito positivo sobre isso.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Confie em si mesma, aceite sua verdadeira personalidade e pare de se diminuir.

Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
Ana Maria Copetti por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Logo que lancei a marca queria aproveitar todas as oportunidades que vinham, o que fez eu entrar em um ritmo muito corrido de trabalho para clientes. Agora, com mais tempo livre, quero focar em uma nova coleção e sair um pouco do porto seguro do bastidor, ainda não sei onde vou, mas quero experimentar outras formas têxteis.

COMPARTILHE
b
//+entrevistas