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Amanda
Roosevelt
Brasil
vivendo em Fortaleza . CE
22 anos . taturadora . ilustradora

Sou Amanda, ilustradora & tatuadora. Passei por letras e moda, mas o que ganhou mesmo o meu coração foi a Arte. Atualmente ilustrei alguns livros infantis, e criei diversos desenhos que ganharam vida na pele de pessoas especiais.

Estudo sobre botânica, paganismo, sagrado feminino, arte e culturas antigas para sonhar e me inspirar em criar.

Faço arte na pele e no papel.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

A minha maior forma de expressão é através da aquarela, seja no papel ou na pele.

A imprevisibilidade da tinta que forma novas cores e texturas de acordo com a temperatura do ambiente, propriedades do papel, e da minha própria energia no momento, me acalma muito e me inspira. Torna a arte muito mais orgânica e sensitiva aos meus olhos.

É a minha meditação através dos pincéis e agulhas.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

No papel é a conexão comigo mesma. Na pele, a conexão com o cliente.

As formas da natureza, o estudo da minha própria essência, as mulheres que me rodeiam, os meus sonhos… são a base de toda a minha criação.

A minha maior motivação é conseguir falar (me expressar) através do meu traço.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Na tatuagem o meu processo criativo funciona em parceria com o cliente que me procura. Geralmente agendo uma conversa pessoalmente no studio, conversamos e elaboramos a ideia. Eu escrevo tudo. Sobre cores, sensações que espera daquele desenho, histórias de vida, etc. Tudo que eu puder usar para criar. Daí marcamos um dia para tatuar. Eu me conecto com aquela ideia, crio o desenho e envio no dia anterior a tattoo para o cliente aprovar. O resultado sempre é surpreendente, inclusive para mim. Resultado de uma união e da conexão desses dois universos.

No papel o processo é solitário, porém muito prazeroso pra mim. Primeiro eu crio no imaginário. Geralmente todos os desenhos que eu faço são resultados de alguma experiência vivida, ou sonhos lúcidos. Passo alguns dias elaborando sobre a ideia, e simplesmente sento e ela vai surgindo.

Aplicar as cores no desenho pra mim é a parte mais intuitiva, pois eu tento não racionalizar tanto esse processo. Acredito muito nas propriedades da cromoterapia, e as cores da minha aquarela em mim tem um efeito terapêutico.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Meus desenhos contam muito de mim, da minha história, e no que eu acredito. Faço parte de um grupo de mulheres que estuda o feminino sagrado, relacionado ao paganismo. No momento, o que mantém o meu fogo criativo aceso é a minha espiritualidade. Faz parte do meu lazer e do meu trabalho pesquisar sobre culturas antigas, simbologias pagãs, Deuses e Deusas… Além de me deixar muito inspirada e criativa, torna as minhas ilustrações mais embasadas de conteúdos simbólicos.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Tiveram várias tatuagens que me marcaram com histórias incríveis. Trago duas que são recentes.

A tattoo do Marcel é um verdadeiro símbolo de poder sobre as suas paixões. A grande motivação da tattoo foi a fotografia da flora&fauna, que faz parte também da sua profissão. O símbolo ao centro é o diafragma da lente de fotografia, envolto da proporção aurea duplicada. Esta proporção mágica faz parte de tudo! Da vida, da natureza, de nós! Ele se ramifica e se liga as pontas do desenho, onde há respectivamente a conexão com a natureza e também com a geometria sagrada de nossa existência, o padrão da flor da vida!

E a tattoo da Karla é sobre força, leveza, ar puro e superação. A ilustração que criei para ela é inspirada na sua personalidade e também em referência a uma doença crônica que ela tem nos pulmões. Uma nova forma de ressignificar o seu corpo e a sua doença.

Cada novo projeto é o meu favorito. Sempre costumo contar as histórias por trás dos desenhos no Instagram. É a tatuagem sendo usada como um símbolo de poder e cura no corpo. O verdadeiro sentido ancestral de marcar o corpo, se torna um ritual.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Sim. Em 2014 logo depois que eu comecei a tatuar, eu mochilei por alguns países da Europa com o meu companheiro Matheus Nogueira, que me apresentou um universo mágico através de festivais alternativos. No Ozora, Festival que acontece na Hungria, eu pude vivenciar várias culturas e rituais ancestrais. Além de muita arte e diversidade. E pra mim foi como uma confirmação da minha vocação, de que era aquilo que eu precisaria para viver. Que a tatuagem e arte aliadas a minha espiritualidade era algo como MERAKI (do grego) – Fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si em algo que está a fazer.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

A minha maior influência sem dúvidas, é a ilustradora botânica Margaret Mee. Pelas aguadas e técnicas incríveis. Mas também, e muito mais, pela incrível trajetória de vida. Tenho um documentário brasileiro sobre ela que é um pouco raro hoje em dia. Ela mostra as últimas expedições que ela fez na Amazônia em busca da flor da lua, já velhinha com mais de 70 anos. Uma figura apaixonante abraçando as árvores que encontra pelo caminho, usando a arte como expressão para um mundo que sonha, e encantando todos ao redor. Uma abuela colorida, maravilhosa.

Me inspira muito a continuar criando todas as mulheres ao meu redor que vejo transformando em arte suas vivência com o feminino. Tati Compton, Bianca Albano, Camilla Albano, Gabrielle Neara, Mônica Barbosa, Isa Montenegro, Mari Kuroyama, Giuliana Machado, Andrea Tolaini, Paula Sgarbi, Juliana Florentino, e várias tantas. Adoro ver a interseção em todas essas mulheres, em toda essa força feminina. Eu fico imaginando as vezes isso virando uma nova corrente na história da arte! Uma revolução do resgate ao feminino sagrado.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Sim, com certeza. Principalmente no ramo da tatuagem, que ainda é bem machista. Mas na minha luta aliada ao feminismo atualmente eu prefiro empregar meu tempo em ajudar mulheres a entrar no ramo e empoderar as que se identificam com o que faço e o que falo.

Acredito também que estamos vivendo uma nova era, mais desperta. Várias mulheres ocupando seus espaços, florescendo e prosperando. Livrando-se de antigas amarras.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// E o que te faz feliz?

Me deixa imensamente feliz ver que pessoas se identificam com o que eu faço e com meu traço. E eu amo receber mensagens pessoais falando sobre as suas próprias interpretações de alguns desenhos. É maravilhoso como uma mesma arte pode tocar diversas pessoas de formas muito diferentes. É o que nos conecta.

Me deixa feliz ter tempo, calma e liberdade para criar.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações ?

Idealizem, sonhem, mas ponham em prática. Cerquem-se de outras mulheres, conversem, se inspirem umas nas outras. Fortaleçam esses laços de sororidade, criem seus próprios universos.

Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
Amanda Roosevelt por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim! Em parceria com uma amiga, a Camilla Albano. Criamos o flor {essência} - É a união da minha arte com o olhar dela.

Faço pinturas corporais e ela faz lindos registros fotográficos sobre esses corpos coloridos.

É exatamente como o nome fala. A essência do florescer.

É um processo de entrega que já começa no momento da pintura, onde a pessoa fica nua por algumas horas, calmamente esperando que eu crie, pois toda a ilustração é feita intuitivamente. Usamos aquarela de verdade, feita por camadas. Então a pessoa tem que se concentrar e fazer um grande exercício de liberdade, enquanto o pincel passa em todo o seu corpo, dando novas formas a ele.

Sempre falo que: A tela em branco é um corpo livre.

Essa minha frase pra mim traduz bastante o espírito do nosso projeto.

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